terça-feira, 28 de abril de 2020

Pernambuco começa a receber os respiradores resgatado pelo Governo

Após Pernambuco receber os 13 primeiros dos 35 aparelhos respiradores apreendidos via Justiça, o Governo do Estado determinou a distribuição para as unidades de saúde de referência no atendimento contra a COVID-19. Receberão as máquinas o Hospital Dom Helder Câmara, no Cabo de Santo Agostinho, e a Maternidade Brites de Albuquerque - reaberta especificamente para atender casos da doença -, em Olinda na Região Metropolitana, além da UPAE, aqui em Garanhuns.
As máquinas serão testadas e revisadas pela equipe técnica da Secretaria de Saúde do Estado, antes de seguirem viagem para as Unidades. A quantidade distribuída para cada Unidade, no entanto, não foi divulgada. Outras 22 unidades dos respiradores ainda devem chegar a Pernambuco nessa terça-feira, dia 28.
Os 35 aparelhos fazem parte do primeiro lote adquirido, dos cem equipamentos previstos em contrato realizado junto à empresa Intermed Equipamento Médico Hospitalar Ltda., de fabricação nacional. O lote em questão tinha como data de entrega o dia 20 de março, no entanto não foi realizado o despacho da Carga. Segundo a Secretaria de Saúde, a Empresa alegou retenção por determinação federal via Ministério da Saúde, que negou a informação. Os equipamentos foram liberados após ação impetrada pela Procuradoria Geral do Estado, atendida pelo juiz Teodomiro Noronha Cardoso, da 3ª Vara da Fazenda Pública do Recife. (Com informações do Diario de Pernambuco. )

O Coronavírus no Agreste Meridional


AGRESTE MERIDIONAL – E nesta segunda, dia 27, o município de São Bento do Una registrou o 4º caso positivo de COVID-19. Com o novo caso confirmado, a microrregião do Agreste Meridional já soma 24 casos positivos da doença: Garanhuns – 10; São Bento do Una – 4; Bom Conselho - 2; Caetés - 2; Correntes, Lagoa do Ouro, Lajedo, Capoeiras, Jupi, Jucati – 1. (Com Informações de Cinthya Leite/JC. CONFIRA)

Garanhuns segue sem nenhum caso de COVID-19 até o momento

GARANHUNS – E de acordo com Boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, nenhum caso de COVID-19 foi registrado nesta segunda, dia 27, aqui em Garanhuns. Ainda segundo a Pasta Municipal, cinco pessoas seguem em isolamento, aguardando o resultado de testagem pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), para posterior confirmação ou descarte da COVID-19. Até o momento, foram registrados dez casos da doença no Município, com dois óbitos e uma pessoa recuperada.

MUITO MOVIMENTO NAS RUAS DE GARANHUNS

O centro de Garanhuns hoje pela manhã parecia uma festa. Carros e mais carros na Avenida Santo Antônio e nas ruas em volta. Uma vaga para estacionar estava difícil. Nem parecia que a maioria das lojas estava fechada.

Abertos só supermercados, farmácias estabelecimentos comerciais que vendem tecidos e aviamentos.

Filas no Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal eram quilométricas. Isso para usar os caixas eletrônicos. 

As pessoas, cansadas de estar só em casa, basta ter uma chance e botam a cara no mundo. Não parecem se dar conta que a pandemia está longe de terminar, que cada vez mais pessoas estão sendo infectadas, no Brasil mais de quatro mil pessoas já perderam a vida por conta do vírus, números que chegam perto dos 200 mil somados todos os países.

Melhor ter paciência, esperar um pouco mais, quem sabe tudo isso passa a aí a gente pode ir para as ruas sem risco.

*Foto: Arquivo/Jornal Crer/com informação do blog do Roberto Almeida

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Mário Faustino diz que em breve Garanhuns vai ter uma grande novidade

Mário Faustino diz que a vitória está chegando, 3 anos de luta. projeto de 21 milhões. Obrigado governador Paulo Câmara, Uma Luta que Deu Certo. Mário Faustino, em Uma Luta Que Deu Certo. È gente, temos lutado incansavelmente junto ao governo Paulo Câmara, para que sejam destravados projetos que possam beneficiar a população de Garanhuns. Dentre deles está o projeto da Compesa que vai melhorar a distribuição de água de nossa cidade e a construção da adutora que vai levar água para as comunidades do Castainho e Estiva, que esperam esse beneficio a 315 anos,
essa primeira etapa está orçada em 21.2 Milhões, onde já foram liberados e a empresa que ganhou a licitação já está providenciado o canteiro de obras Hoje esteve visitando um deposito da COMPESA, onde tive a felicidade de verificar o material que chegou, tubos que serão usados nessa grande obra para Garanhuns,. Agradeço ao governador Paulo Câmara., ao ex-persidente da COMPESA, Roberto Tavares, diretores Marconi Azevedo, Aldo Santos e ao ex-gerente regional de Garanhuns, Igor Galindo, e a presidente da Compesa Dra. Emanuela Marinho.

Em meio a rumores de pedido de demissão, Bolsonaro diz que Guedes é o 'homem que decide economia'

Nos últimos dias, surgiram rumores de que Guedes poderia deixar o governo

Por: Folhapress


Jair Bolsonaro e Paulo GuedesFoto: Evaristo Sa / AFP
Em meio aos rumores de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediria demissão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (27) que seu auxiliar é o "homem que decide economia".

"O homem decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá as recomendações e o que nós realmente devemos seguir", disse Bolsonaro após uma reunião no Palácio da Alvorada com Guedes, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, o chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário.

Nos últimos dias, surgiram rumores de que Guedes poderia deixar o governo. Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo no sábado (25), o ministro partiu para o ataque contra Rogério Marinho, ex-secretário especial de Previdência e Trabalho e ministro do Desenvolvimento Regional. Eles eram aliados.

Contrariado com o que chama de deslealdade, Guedes alertou Jair Bolsonaro e o ministro Braga Netto (Casa Civil) para o fato de que o programa Pró-Brasil não sairá do papel. O plano não avança, pelo menos da forma como foi apresentado.

O ministro da Economia se indignou com as articulações de Marinho. Com a crise do novo coronavírus, o ex-parceiro de Ministério da Economia, responsável por coordenar a reforma da Previdência, passou a procurar colegas de Esplanada, especialmente militares. Nas conversas, Marinho dizia que "era hora da gastança".

A gota d'água, no entanto, foi a proposta de Marinho. O ministro do Desenvolvimento Regional prevê 21 mil empreendimentos, a um custo total de R$ 185 bilhões até 2024.
Desse total, são R$ 157 bilhões em novas obras. A ideia seria complementar o Orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional em R$ 33 bilhões -dos quais R$ 7 bilhões a mais neste ano.

Para Guedes, a manobra seria uma tentativa de Marinho de se cacifar ao lado de Bolsonaro e militares. Estariam no horizonte, na visão dele, voos mais altos, como até tomar sua cadeira. Na sexta-feira (24), o Palácio do Planalto amenizou o conflito com a Economia. Braga Netto, a quem Bolsonaro delegou o Pró-Brasil, reafirmou o compromisso do país com o teto de gastos.

A regra, definida em lei, estabelece critérios para o crescimento das despesas. Elas só podem ser corrigidas pela inflação do ano anterior. No contexto da pandemia, Guedes entende que parte da agenda liberal teve de ser suspensa para que seja resolvido o problema emergencial do novo coronavírus.

Para isso, ele aceita, por exemplo, os argumentos apresentados pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que pretende aumentar os gastos com obras, mas dentro do teto estabelecido. Guedes disse nesta segunda, ao lado de Bolsonaro, que o governo segue "a mesma política econômica", pediu que os servidores públicos façam um "sacrifício" e que não peçam aumento, já que não terão corte de salário, e minimizou a tensão sobre o Pró-Brasil, chamando o programa de "estudos adicionais".

"Para quê falar em derrubar o teto se é o teto que nos protege contra a tempestade", afirmou nesta manhã o ministro. "Não podemos fazer um Plano Nacional de Desenvolvimento porque nossa direção é outra", disse Guedes, destacando que o governo atua "sempre dentro da responsabilidade fiscal".

FBC lamenta preconceito sofrido por Assisão


Nota oficial
Francisco de Assis Nogueira, o Assisão, é uma das figuras mais importantes da música regional de Pernambuco. De Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, faz parte de uma geração de forrozeiros que orgulha sua terra. Lamento as agressões sofridas por esse grande artista, cuja trajetória inspira muitos pernambucanos.
Fernando Bezerra Coelho – senador pelo MDB de Pernambuco

Homem de 48 anos morrem em acidente neste domingo no bairro Heliópolis, em Garanhuns

Uma colisão entre duas motos deixou um homem morto na noite deste domingo (26/04), no cruzamento da Avenida Agamenon Magalhães, com a Rua João Guimarães Rosa, no bairro Heliópolis, aqui em Garanhuns. A vítima foi Enoque Moreira de Melo Filho, de 48 anos. Ele conduzia uma das motocicletas, quando atingiu a outra moto. O homem perdeu o controle e devido a gravidade dos ferimentos não resistiu, vindo a óbito no local.

A Guarda Municipal isolou a área até a chegada do Instituto de Criminalística e Polícia Civil. O local do acidente foi periciado e corpo encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru.O condutor da outra moto foi levado para delegacia, prestou esclarecimentos e foi liberado.

Com informações e fotos do Portal Agreste Violento http://www.portalagresteviolento.com.br/

HOMEM FOI PRESO EM FLAGRANTE E DISSE QUE USOU O DINHEIRO DO AUXILIO EMERGENCIAL PARA COMPRAR MACONHA

O que parece mentira aconteceu na madrugada desse último sábado (25). Enquanto milhares de brasileiros ainda aguardam para receber a primeira parcela do auxílio emergencial de R$ 600,00 por parte do governo, outros já estão utilizando o dinheiro e para fins ilícitos, como por exemplo, a compra de entorpecentes.

Na madrugada do sábado, um homem de 24 anos foi preso pela Polícia Militar com dois tabletes de maconha, em Itaipava no Rio de Janeiro. Ele estava em uma moto acompanhado de um adolescente. Ao ser detido, o suspeito disse que havia comprado a droga em Pedro do Rio depois de sair de uma festa. Na ocasião contou que utilizou o dinheiro do benefício concedido pelo Governo Federal, para comprar a erva.

O homem foi autuado por posse e uso de drogas, e responderá ainda pelo crime de corrupção de menores, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Após Moro sair, crise no governo pressiona Guedes

O diálogo foi trocado quando os dois ministros, agora desafetos, se encontraram para o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira

Reuters
Considerado nos bastidores a "bola da vez" da fritura no governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, entrou em atrito com colegas na Esplanada e expôs sua contrariedade com o plano econômico anunciado na semana passada para o período pós-pandemia do coronavírus. Em conversa ríspida com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no Palácio do Planalto, acusou o ex-auxiliar de atrapalhar a atuação do Banco Central na crise e na política de juros.

O diálogo foi trocado quando os dois ministros, agora desafetos, se encontraram para o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira, depois da demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A desavença envolvendo o outro "superministro" do governo coloca mais lenha na fogueira da crise política que o presidente enfrenta.

Depois de Luiz Henrique Mandetta, demitido da Saúde, e de Moro, Guedes entrou no processo de "fritura" deflagrado por uma ala do governo por insistir no discurso de manutenção da sua política de ajuste fiscal. O presidente, como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, está disposto a dar um "cavalo de pau" no seu governo e aposta no Plano Pró-Brasil, baseado em obras e investimentos com dinheiro público, para recuperar o País na fase pós-pandemia. Essa mudança de rumo envolve ainda a aproximação com parlamentares do Centrão, bloco informal do Congresso que não gosta de Guedes e defende o aumento dos gastos públicos.

Nos bastidores, a área econômica vê uma articulação de Marinho com parlamentares para colocar em Guedes o carimbo de insensível com os pobres. O ministro da Economia tem rebatido as críticas ao dizer a interlocutores que partiu dele próprio a ideia de criação do auxílio emergencial aos trabalhadores informais, combinando com presidente para subir o valor e chegar aos R$ 600.

As especulações no mercado sobre uma possível saída de Guedes aumentaram após as demissões de Mandetta e de Moro terem sido motivadas pela interferência do presidente nas duas pastas. A pergunta que agora se faz no meio político é se Guedes vai aceitar uma ingerência de Bolsonaro em suas ações. Os dois ex-colegas de Esplanada não aceitaram.

Apesar da pressão, o ministro tem dito a interlocutores que não há nenhuma intenção de deixar o cargo, mas também não pretende mudar sua política econômica de aumento dos investimentos via iniciativa privada.

Contraponto

Auxiliares diretos de Bolsonaro reclamam da "visão fiscalista" do Ministério da Economia e da falta de um contraponto econômico dentro do governo, como havia antes da criação do superministério sob a alçada de Guedes.

Após tomar as rédeas da negociação com o Congresso na reforma da Previdência, no ano passado, quando ainda assessorava Guedes, Marinho ganhou a confiança de Bolsonaro. Alçado a ministro, passou a fazer parte de um núcleo de conselheiros mais próximos do presidente.


No encontro de sexta-feira no Planalto, Marinho tentou uma conversa com Guedes, sem sucesso. Segundo apurou o Estado, o ministro da Economia disse ao ex-auxiliar que só conversa com ele no "fórum que ele escolheu", ou seja, em reuniões ministeriais. "Não tenho nada para conversar com você", avisou o ministro. Marinho não foi para o embate.

O ministro da Economia chegou a citar que chamaria o presidente do BC, Roberto Campos Neto, também presente no pronunciamento de Bolsonaro, para mostrar o "estrago" que o Plano Pró-Brasil, anunciado sem a equipe econômica, fez no mercado e no valor das empresas brasileiras, trazendo incertezas para o futuro da economia. No dia do lançamento do plano, o dólar subiu, os juros a longo prazo abriram em alta e a Bolsa caiu.

Guedes e sua equipe batizaram, internamente, o plano Pró-Brasil de "PAC do Marinho", numa referência ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de obras públicas dos governos do PT.

O ministro afirmou a auxiliares que Marinho foi o articulador do programa e foi chamando "um a um" os ministros para comprarem a ideia e emplacar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) "fura teto de gastos", a regra fiscal que o impede o crescimento das despesas acima da inflação. A interlocutores, o Marinho negou que Guedes tenha falado na sua frente sobre BC e nega o rompimento.

A expectativa em parte do governo é de que haverá uma convergência de ideias em torno da necessidade dos investimentos públicos para a retomada econômica após a crise, o que está sendo feito no mundo todo devido ao aumento da aversão ao risco. O maior exemplo, na avaliação dos defensores desse quadro, é decisão da Boeing de desistir de comprar a Embraer.

Respostas

O Ministério do Desenvolvimento Regional disse que não há indisposição entre Rogério Marinho e Paulo Guedes. O Ministério da Economia não comentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Moro terá que se defender no STF em caso que pode beneficiar Lula


Moro é acusado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter atuado de forma parcial nas causas contra o petista

Reuters
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fora do governo, será no STF (Supremo Tribunal Federal) que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro terá de enfrentar uma das principais batalhas em defesa de sua biografia.

Moro aguarda o julgamento pela corte superior de um processo em que é acusado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter atuado de forma parcial nas causas contra o petista, quando era o juiz federal da Lava Jato em Curitiba.

Na turma julgadora do STF está o ministro Gilmar Medes, um dos principais críticos do trabalho de Moro na condução da investigação do caso de corrupção em torno da Petrobras.

Esse julgamento no Supremo também trará à tona as mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e divulgadas pelo site e por outros órgãos de imprensa que expuseram a proximidade entre o então juiz federal e os procuradores da Lava Jato.

Na última sexta-feira (24), Moro decidiu sair do ministério após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter exonerado o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado ao cargo pelo agora ex-ministro do governo.

Em pronunciamento, Moro acusou Bolsonaro de querer ter acesso a informações confidenciais de inteligência da PF e criticou a insistência do presidente para a troca do comando do órgão.

Bolsonaro, em resposta, disse que Moro pediu para que a troca do comando da PF ocorresse em novembro, depois de o ex-juiz ser indicado a uma vaga no STF. O ex-ministro negou essa acusação.

A troca de acusações entre Bolsonaro e Moro deverá agora ser alvo de investigação pelo Supremo, após pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras.Há ali acusações sobre uma série de crimes, como as circunstâncias em que o presidente tentou interferir na Polícia Federal, como também a oportunidade para entender por que Moro silenciou por tanto tempo diante dos abusos de Bolsonaro.

E é justamente no STF que o ex-juiz da Lava Jato sofreu suas principais derrotas em 2019. A decisão da corte de que réus que não são delatores devem se manifestar por último, antes do julgamento das ações, levou à anulação de sentenças da operação que não observaram essa ordem.

O revés mais significativo no tribunal superior ocorreu em 2019 no julgamento em que a corte modificou o entendimento de que os condenados criminalmente em segunda instância já poderiam ser presos, o que sempre foi mencionado por Moro como um dos pilares da Lava Jato e do combate à corrupção.

Com isso, alvos da operação que estavam na cadeia por terem sido condenados em segundo grau foram colocados em liberdade.É o caso, por exemplo, do ex-presidente Lula, que ficou 580 dias preso em Curitiba, após condenação pela 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Eleitoral da 4ª Região). Em novembro do ano passado Lula foi solto, graças a essa decisão do Supremo.

O pedido de soltura (habeas corpus, na linguagem técnica) em que Moro é acusado de parcialidade está justamente no âmbito do processo que levou Lula para a cadeia.

Nessa ação da Lava Jato, o ex-presidente foi acusado de receber como propina da empreiteira OAS a promessa de um apartamento tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo.O petista foi condenado, em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão. No dia 7 de abril de 2018, ele foi preso.

O pedido de Lula que trata da parcialidade de Moro foi protocolado pela defesa do petista no STF no início de novembro de 2018, depois que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o requerimento de libertação feito pela defesa do ex-presidente.

Após a manifestação das instâncias inferiores pelas quais o caso passou, a 13ª Vara Federal de Curitiba, o TRF-4 e o STJ, e da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, todos pela manutenção da prisão, o processo foi para julgamento no dia 4 de dezembro de 2018.

Na sessão, no entanto, Gilmar Mendes pediu vista (mais tempo para analisar o caso), e o processo foi retirado da pauta.Cerca de seis meses depois, o habeas corpus foi calibrado pela defesa de Lula com base nas mensagens obtidas pelo Intercept, que colocaram em dúvida a imparcialidade do agora ex-ministro da Justiça no julgamento dos processos da operação.

Em síntese, no contato com os procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre o ex-presidente Lula, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Segundo o Código de Processo Penal, "o juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes" se "tiver aconselhado qualquer das partes". Afirma ainda que sentenças proferidas por juízes suspeitos podem ser anuladas.Já o Código de Ética da Magistratura afirma que "o magistrado imparcial" é aquele que mantém "ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito".

Os advogados de Lula então usaram o conteúdo dos diálogos para recorrer ao STF e reforçar o requerimento de concessão de uma medida liminar para que o ex-presidente fosse solto antes mesmo da decisão sobre o mérito do pedido de soltura.

A corte examinou o caso em 25 de junho passado. No início da sessão, o ministro Gilmar Mendes votou pela libertação do ex-presidente, mas sua posição foi derrotada por 3 votos a 2.

O ministro Ricardo Lewandowski acompanhou Gilmar, mas os ministros Edson Fachin, Celso de Mello e Cármen Lúcia votaram contra a soltura imediata de Lula.

Gilmar propôs o adiamento do julgamento do habeas corpus, e o processo voltou a sair de pauta. A assessoria do STF informou que não há previsão de quando o ministro devolverá o processo para julgamento.

Esse julgamento é aguardado como forte expectativa por Lula. Isso porque hoje, apesar de solto, Lula segue condenado, enquadrado na Lei da Ficha Limpa e impedido de disputar eleições.

Se Moro vier a ser considerado parcial pelo STF, a sentença de Lula no caso tríplex poderia ser anulada na mesma decisão.

Além do caso tríplex, Lula foi condenado em segunda instância a 17 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem no caso do sítio de Atibaia (SP).

A defesa de Lula também considera possível a anulação dessa sentença no caso do sítio, já que Moro participou de seus trâmites iniciais, apesar de não ter sido responsável pela condenação, pois já havia saído da Lava Jato.

O ex-presidente ainda é réu em outros processos na Justiça Federal em São Paulo, Curitiba e Brasília.

Com exceção de um dos casos, relativo à Odebrecht no Paraná, as demais ações não têm perspectiva de serem sentenciadas em breve.

O advogado Cristiano Zanin, que defende o ex-presidente Lula, diz que "o habeas corpus que busca o reconhecimento da suspeição do então juiz Moro foi protocolado no final de 2018 no STF e me parece que o tema já está bastante amadurecido para ser julgado".

A reportagem procurou Moro por meio da assessoria de imprensa do ex-ministro, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Em manifestações anteriores, o ex-juiz disse não reconhecer a autenticidade das mensagens obtidas pelo Intercept, mas que, se forem verdadeiras, não demonstram quaisquer ilegalidades.

Moro também sempre reitera que atuou com imparcialidade nos processos da operação e todas suas decisões foram fundamentadas e posteriormente examinadas pelas cortes superiores.

Rosângela Moro: 'Deixar governo era única atitude eticamente aceitável'

"Eu não poderia esperar outra atitude do meu marido", disse a esposa do ex-ministro Sérgio Moro

Reprodução / Instagram
Em sua conta de Instagram, Rosângela Moro, mulher do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, se manifestou, pela primeira vez, neste domingo, 26, sobre a saída do ex-juiz da Lava Jato do governo Jair Bolsonaro. "Eu não poderia esperar outra atitude do meu marido; deixar o governo era a única eticamente aceitável".

Defensora do isolamento social durante a crise do novo coronavírus, ela voltou a defender os cuidados contra a pandemia e reclamou, assim como o ex-ministro, de ser alvo de fake news. Eu lamento que, em meio a uma gigante pandemia, o foco tenha sido desvirtuado, porque acredito que a vida precisa estar acima de tudo. Sou cidadã e, ao mesmo tempo, esposa de uma pessoa que lutou fortemente contra a corrupção sob a máxima: a lei é para todos, em defesa do estado de direito".

"Usem máscaras e se protejam. Não podemos sair iguais dessa pandemia. Precisamos nos transformar em pessoas melhores", disse Rosângela, que já chegou a postar mensagem de apoio ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, antes de ele deixar a pasta - a mensagem foi apagada por ela minutos depois.

"A Lava Jato é uma conquista da sociedade brasileira. Também somos uma família que sempre, com muita fé em Deus, defendeu valores de ética e verdade. Nunca ofendi qualquer autoridade do País, mesmo quando discordava. Nunca insultei ou ofendi qualquer condenado quando meu marido era juiz. Atos têm consequências e cada um responde pelos seus", diz Rosângela.

Mais cedo, Moro também reclamou, em seu Twitter, de ser alvo de notícias falsas nas redes e no WhatsApp. Rosângela também reagiu. "Viveremos tempos difíceis, certamente, com a propagação de ofensas e inverdades, sejam por parte de robôs ou de pessoas que discordam dos nossos valores. Mas sigo confiante de que fazer a coisa certa é sempre o caminho necessário".

'E daí?', diz Bolsonaro sobre indicação de amigo de filho para PF

O presidente também disse que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro mentiu ao afirmar que houve tentativa de interferência política na atuação da PF

DR
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro defendeu neste domingo (26) para o comando da Polícia Federal o nome de Alexandre Ramagem, que é amigo de seu filho Carlos Bolsonaro. "E daí?", respondeu, após ser questionado em uma rede social sobre a proximidade familiar com o escolhido. 

O presidente também disse que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro mentiu ao afirmar que houve tentativa de interferência política na atuação da PF.

Após a demissão de Maurício Valeixo da direção-geral da PF e a consequente saída de Sergio Moro do governo, Bolsonaro escolheu o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, para chefiar a polícia.

O nome foi defendido pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Em foto postada em redes sociais, Ramagem aparece em uma festa ao lado do filho do presidente, que é alvo de apuração da PF.

No Facebook, Bolsonaro foi questionado por uma mulher sobre o fato de Ramagem ser amigo de seus filhos.

"E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?", disse.

Outro usuário da rede social postou na página de Bolsonaro reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste sábado (25) que revelou que a Polícia Federal identificou Carlos como um dos articuladores de um esquema criminoso de fake news.

Dentro da Polícia Federal, não há dúvidas de que Bolsonaro quis exonerar Valeixo, homem da confiança de Moro, porque tinha ciência de que a corporação havia chegado a seu filho.

Em resposta ao usuário, o presidente criticou o jornal. "Acreditando na Folha de S.Paulo. Só quando criminalizarem a liberdade de expressão você vai aprender", escreveu na rede social.Os comentários do presidente foram feitos em uma postagem na qual ele diz que não trocou nenhum superintendente da PF e que as indicações foram feitas pelo próprio ministro Moro ou pelo diretor-geral.

"Lamentavelmente o ex-ministro mentiu sobre interferência na Polícia Federal", disse Bolsonaro.

O inquérito que agora envolve Carlos foi aberto em março do ano passado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, com o objetivo de apurar o uso de notícias falsas para ameaçar e caluniar ministros do tribunal.

O filho do presidente é investigado sob a suspeita de ser um dos líderes de grupo que monta notícias falsas e age para intimidar e ameaçar autoridades públicas na internet. A Polícia Federal também investiga a participação de seu irmão Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal.

A partir de depoimentos e indícios já coletados, a PF agora busca um conjunto de provas que sustente um indiciamento ao fim da investigação.Procurado pela Folha por escrito e por telefone, o chefe de gabinete de Carlos não respondeu aos contatos.

Após a publicação da reportagem, Carlos compartilhou na noite deste sábado o texto em uma rede social acompanhado da seguinte mensagem: "Esquema criminoso de... NOTÍCIAS FALSAS O nome em si já é uma piada completa! Corrupção, tráfico, lavagem, licitações? Não! E notaram que nunca falam que notícias seriam essas? É muito mais fácil apontar manipulação feita pela grande mídia. Matéria lixo!".

O vereador acrescentou: "Não é necessário esquema de notícia pra falar o que penso sobre Drácula, amante, botafogo, nervosinho, aproveitadores, sabotadores, ou sobre quem quer que seja! Há quem faça isso, e são aqueles que mais acusam. Sabemos quem é amiguinho dos jornalistas que direcionam ataques!".

Carlos e Ramagem ficaram ainda mais próximos nos primeiros meses do governo, quando o delegado que cuidou da segurança de Jair Bolsonaro na campanha de 2018 teve cargo de assessor especial no Palácio do Planalto. Carlos é apontado como o mentor do chamado "gabinete do ódio", instalado no Planalto para detratar adversários políticos.

Segundo aliados de Moro, ao mesmo tempo em que a PF avançava sobre o inquérito das fake news, Bolsonaro aumentava a pressão para trocar Valeixo.A exoneração de Valeixo do cargo de diretor-geral da corporação levou Moro a pedir demissão. Ele acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na polícia.