quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

QUATRO CRIMINOSOS ROUBAM CAMINHÃO E ABANDONAM MOTORISTA APÓS ASSALTO EM GARANHUNS

Do Portal Agreste Violento

Vítima foi rendida durante falsa entrega na terça-feira, 24/2; veículo e celular foram levados


Quatro homens armados anunciaram um assalto e roubaram um caminhão na tarde de terça-feira, 24/2, por volta das 13h, no Sítio Riacho da Espera, nas proximidades da Cohab III, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.

De acordo com a polícia, a vítima havia sido solicitada para realizar uma entrega e, durante o trajeto em direção ao distrito de São Pedro, foi surpreendida pelo suspeito que estava no veículo e, com apoio de outros comparsas, anunciou o assalto utilizando um revólver.

Segundo o relato, dois criminosos permaneceram dentro do caminhão com a vítima, enquanto outros dois seguiam em um veículo Gol de cor escura, dando suporte à ação. Os suspeitos demonstraram conhecer bem a região.


Além do caminhão azul, ano 2003, placa MVG-9128, os assaltantes também roubaram o aparelho celular da vítima. Após o crime, o motorista foi abandonado no município de Angelim e, posteriormente, recebeu apoio de policiais militares, sendo encaminhado à delegacia para registro da ocorrência.

A Polícia Civil investiga o caso para identificar e localizar os envolvidos.

Com pauta trancada e emendas ameaçadas, Alepe já sente os efeitos da falta de votação de projetos do Governo

As emendas parlamentares deste ano podem ter seus pagamentos atrasados se as pendências não ficarem resolvidas na próxima semana

Por TEREZINHA NUNES

Reunião da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de Pernambuco - Divulgação

A Assembleia Legislativa de Pernambuco, que vem postergando desde o final do ano passado a votação de projetos enviados à casa pela governadora Raquel Lyra, incluindo a Lei Orçamentária Anual (LOA), o que pode afetar o funcionamento de programas governamentais a partir do mês de março, como advertiu esta terça-feira o secretário de planejamento do estado, Fabrí?cio Marques, começa a sentir, dentro da casa, os efeitos de sua própria decisão. Apesar do plenário estar funcionando para debates, a pauta da Alepe está trancada, impedindo a votação de projetos dos parlamentares do Governo e da Oposição e as emendas parlamentares deste ano podem ter seus pagamentos atrasados se as pendências não ficarem resolvidas na próxima semana.

Chamado pela comissão de finanças para uma audiência pública sobre a LOA, o secretário de planejamento expôs para os deputados todos os entraves que estão sendo criados na máquina pública pelo adiamento das votações em plenário – está tudo paralisado nas comissões de Justiça e Finanças – e jogou uma ducha de água fria nos parlamentares de oposição que dominam as comissões da casa, esclarecendo que o Governo pagou no ano passado mais de R$ 300 milhões de emendas parlamentares mas que este ano, além de ser ano eleitoral, o que prejudica liberações a partir do mês de julho, já em março não será possível remanejar emendas ,como fazem os deputados tradicionalmente nesse período, se a LOA não estiver em vigor com o texto original do Poder Executivo.

O trancamento da pauta da Alepe se deu porque venceram todos os prazos para votação dos projetos do Executivo – há um apenas do Tribunal de Justiça – tais como a LOA e um empréstimo para redução do pagamento de juros da dívida pública. O regimento da casa estabelece o prazo de 45 dias para votação de projetos de urgência, como é o caso, e determina que a partir daí a pauta fica trancada até que esses projetos sejam votados em plenário. Como isto não aconteceu a pauta deixa de incluir projetos de lei ordinária. Só estão sendo encaminhadas proposições que nada mais são do que solicitações feitas pelos deputados a órgãos governamentais.

Audiência frustrada

A Alepe não votou nenhum projeto do Executivo antes do carnaval e havia a expectativa de que esta semana isso ocorreria, mas tanto a comissão de justiça quanto a de finanças fizeram reuniões só para distribuição de projetos dos próprios deputados. Os do Governo ficaram na gaveta. O presidente da comissão de finanças, Antonio Coelho, anunciou a semana passada uma audiência pública para esta terça-feira para discutir a LOA e havia expectativa de que isso ocorresse mas a audiência se transformou numa explanação do secretário de planejamento antes da qual Antonio Coelho esclareceu que a matéria em análise só será votada depois que o plenário apreciar os vetos da governadora à LOA.

Clima eleitoral

Após a comunicação do presidente da comissão de finanças de que não iria colocar em votação e nem discutir a LOA, deputados da base do Governo reclamaram dos colegas oposicionistas. O deputado Antonio Moraes disse que o regimento da Alepe não está sendo e que a oposição está adotando a prática da corda de caranguejo, impedindo que o Estado se desenvolva. Lembrou mais uma vez que este é o momento de Pernambuco ganhar infraestrutura para sobreviver após a reforma tributária: “os demais estados nordestinos estão unidos nesse propósito mas aqui se coloca obstáculo por interesse puramente eleitoral”.

Percentual de remanejamento

O projeto do Governo discutido ontem se propõe a derrubar um dispositivo incluído na LOA pela comissão de finanças que limita a 10% do Orçamento os recursos que a governadora pode remanejar durante o ano – até o ano passado o percentual era de 20% – e foi neste ponto que o deputado Antonio Coelho se baseou para antecipar que não aprovará na comissão a ampliação do percentual. O secretário Fabrício Marques esclareceu que o percentual de 20% é comum a todos os estados da Federação e sem isso o governador fica sem condições de remanejar recursos de uma área para outra ou mesmo de socorrer municípios que enfrentam secas ou enchentes. No final, ele saiu convencido de que terá que aguardar o plenário onde o Governo tem maioria para vencer a queda de braço.

Mensagens reveladas pela PF mostram Fernando Bezerra Coelho ordenando obras sem projetos e articulando com ministro indicação na Codevasf


Diálogos foram obtidos no celular do ex-senador e estão detalhados na decisão de Flávio Dino dentro da Operação Vassalos, deflagrada na última quarta

Por Rodrigo Fernandes

O ex-senador Fernando Bezerra Coelho - Divulgação

Mensagens extraídas do celular do ex-senador Fernando Bezerra Coelho revelam o comando direto que ele exercia sobre contratos públicos em Petrolina e sobre a indicação de cargos na 3ª Superintendência Regional da Codevasf, inclusive com interlocução direta com o então ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, no governo de Jair Bolsonaro.

Os diálogos, obtidos em parte no celular do ex-senador, apreendido durante a Operação Desintegração, estão detalhados na decisão assinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 30 de janeiro de 2026, que autorizou as buscas e apreensões cumpridas pela Polícia Federal na última quarta-feira (25), dentro da Operação Vassalos.

"Pernambuco é do Senhor, Senador"

Em julho de 2019, Fernando Bezerra Coelho travou uma conversa com o general Luiz Eduardo Ramos sobre a manutenção de Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva na chefia da 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina, cargo para o qual o próprio senador o havia indicado em 2016.

Segundo a decisão do ministro Dino, o ex-senador afirmou ao general se tratar de sua cidade e de sua indicação, sinalizando que a nomeação de outra pessoa representaria uma "completa desmoralização para quem hoje é líder do governo".

O general, então, o tranquilizou: "Pernambuco é do Senhor, Senador".

O interesse de Fernando Bezerra na manutenção de Aurivalter no cargo tinha razões práticas, segundo a Polícia Federal: os investigadores apontam que ele seria o "braço longo" do núcleo político dentro da estatal. Mensagens analisadas pela corporação mostram que ele recebia determinações dos Coelho e enviava prestações de contas quase semanais ao ex-senador e ao deputado Fernando Filho, em um padrão que se repetia por meses consecutivos.

Os relatórios de análise do celular de Fernando Bezerra Coelho evidenciam, segundo a PF, "a ascendência de Fernando Bezerra Coelho e de Fernando Filho sobre Aurivalter, passando-lhe determinações e indicando prioridades a serem cumpridas".

O ex-superintendente também solicitava a intermediação dos políticos junto à presidência e a outros órgãos centrais da Codevasf para resolver pendências da gestão regional, o que, para a PF, demonstrava que ele "atuaria como longa manus do núcleo político da organização criminosa naquele órgão". Aurivalter permaneceu no cargo de julho de 2016 até maio de 2023.
"Não vamos deixar de iniciar as ruas por não ter projeto"

Outro diálogo do ex-senador envolve Frederico Melo Machado, então secretário municipal de Infraestrutura de Petrolina. Em conversa também extraída do celular do ex-parlamentar, ele demonstra não apenas ciência das contratações da Liga Engenharia — empresa que está no centro a Operação Vassalos e cujos sócios são parentes da família Coelho —, mas participação ativa na condução das obras, inclusive determinando sua execução sem que os requisitos legais estivessem cumpridos.

Em um dos trechos destacados pela Polícia Federal, o ex-senador ordena ao secretário a ampliação do escopo das obras além do que havia sido tecnicamente previsto: "Manda fazer projeto para mais 10MM de recapeamento! Total 70MM!".

Em outro diálogo, diante de uma pendência burocrática que ameaçava atrasar o início dos serviços, Fernando Bezerra foi categórico: "Não vamos deixar de iniciar as ruas em paralelo por motivo de não ter projeto. Deixe comigo que resolvo na segunda com Aurivalter e Adriana".

A ausência de projeto básico era justamente uma das irregularidades centrais apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nos contratos da Liga Engenharia com a Codevasf.

Para a Polícia Federal, a mensagem corrobora a tese de que "o interesse dos envolvidos é no direcionamento dos recursos públicos da forma mais proveitosa para eles, e as formalidades necessárias a dar aparência de legalidade aos atos somente são atendidas e superadas na medida em que se tornam um empecilho ao andamento do esquema criminoso".

Mensagens sobre emendas e recursos

A decisão do ministro Dino também cita mensagens encontradas no celular de Fernando Bezerra Coelho com o então ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto, nas quais este último demonstrava preocupação com o volume de recursos sendo direcionados à Codevasf.

Canuto alertou o senador sobre a necessidade de estabelecer limites, afirmando que, "caso contrário, as concessões serão cada vez maiores, chegando ao ponto, inclusive, de desvirtuar completamente a imagem do nosso governo".

A Polícia Federal conclui que "a preocupação do ex-ministro do Desenvolvimento Regional se transformou em realidade", com "fortes indicativos de que transferências de valores milionários para a Codevasf, em verdade, tinham por objetivo favorecer não apenas o município de Petrolina", mas também "empresas pertencentes a pessoas próximas aos políticos".

O monitoramento das emendas era feito de perto pelo assessor parlamentar de Fernando Filho, Joel Brito Rocha. Em uma das mensagens citadas na decisão, ele encaminhou ao então vice-prefeito Simão Durando uma "lista consolidada de recursos 2017 de FF e FBC", na qual constavam R$ 10,6 milhões para Petrolina, do total de R$ 55,2 milhões em recursos extraorçamentários, além de R$ 5,4 milhões para o município em emendas parlamentares, do total de R$ 20,2 milhões.
Influência sobre a Codevasf também após Aurivalter

Com a saída de Aurivalter da 3ª Superintendência em maio de 2023, a influência dos Coelho sobre a Codevasf teria migrado para dois outros servidores, segundo a Polícia Federal.

Guilherme Almeida Gonçalves de Oliveira, ex-chefe de Gabinete da Presidência da Codevasf entre 2015 e 2021, reportava diretamente ao senador sobre a descentralização de recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional para a estatal. As mensagens analisadas pela PF, especialmente as de 2019, mostram que ele informava Fernando Bezerra sobre repasses da direção nacional às superintendências regionais e atuava como intermediador dos interesses dos Coelho junto à cúpula da empresa.

Já Marcelo Andrade Moreira Pinto, que assumiu a presidência da Codevasf em setembro de 2019, teria se colocado "à disposição" de Fernando Bezerra ao tomar posse. Em abril de 2024, ele assinou diretamente um contrato com a Liga Engenharia pela 15ª Superintendência Regional, em Recife, fugindo da hierarquia administrativa normal.

O documento foi co-assinado por Henrique de Assis Coutinho Bernardes, diretor de Desenvolvimento e Infraestrutura da Codevasf, ex-assessor parlamentar de Fernando Bezerra indicado por ele ao cargo. Marcelo deixou a presidência da estatal em junho de 2025. Henrique ainda ocupa o cargo.

O que diz Fernando Bezerra Coelho

A defesa do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, representada pelo advogado André Callegari, afirmou não ter obtido acesso integral aos autos, mas, em análise preliminar da decisão, sustentou que todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados.

A nota também ressaltou a manifestação da PGR contrária às medidas da Polícia Federal e o arquivamento anterior de parte dos fatos no STF, os mesmos pontos destacados pelos filhos do ex-senador.

"A defesa confia que os órgãos beneficiados observaram rigorosamente as melhores práticas de governança e execução dos recursos recebidos. Por meio da decisão, destacamos que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). A defesa destaca ainda que, segundo consta na decisão do ministro Flávio Dino, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela Polícia Federal. Todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados", afirma o comunicado.

Operação Vassalos

As investigações da Operação Vassalos miram suspeitas envolvendo a destinação de emendas parlamentares e a contratação de empresas ligadas ao grupo político da família Coelho em obras financiadas com recursos federais em Petrolina, no sertão de Pernambuco, incluindo Fernando Bezerra Coelho e os filhos, o deputado federal Fernando Filho e o ex-prefeito da cidade, Miguel Coelho.

As apurações, acolhidas pelo ministro do STF Flávio Dino, têm como foco a atuação na prefeitura de Petrolina e na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal federal responsável por investimentos em obras na região, envolvendo especialmente a Liga Engenharia Ltda, empresa cujos sócios têm parentesco com a família.

Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão pelo STF nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Porto de Suape estabelece cooperação técnica com gigantes portuários da Malásia

Missão Suape-Brasil-ASEAN chega ao país do Sudeste Asiático e assina memorandos de entendimento com os terminais Westports e a Northport.

Por Fernando Castiho


Os acordos com a Westports Malaysia e com a Northport, do grupo MMC Port Holdings, - DIVULGAÇÃO

O Complexo de Suape deu início à segunda semana da missão comercial no Sudeste Asiático com resultados estratégicos para Pernambuco. Em Port Klang, o maior porto da Malásia e um dos maiores do mundo, foram assinados dois memorandos de entendimento (MoU) com gigantes do setor.

Os acordos com a Westports Malaysia e com a Northport, do grupo MMC Port Holdings, abrem caminho para a criação de novas linhas marítimas de longo curso, ampliação das conexões logísticas e prospecção de novos investimentos, consolidando o complexo portuário pernambucano como porta de entrada do Brasil para mercados globais.

A Westports Malaysia é o décimo terminal de contêineres do mundo e um dos hubs marítimos mais importantes do Sudeste Asiático. Já o Northport é um dos maiores terminais multiuso da Malásia e integra o principal grupo portuário da próspera nação asiática.

SUDESTE ASIATICO

O diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, firmou os dois memorandos em nome do porto pernambucano, formalizando as parcerias estratégicas. Pela Westports, o documento foi assinado pelo CEO, Vijaya Kumar, e, pela MMC Ports, pelo CEO, Dato’ Azman Shah Mohd Yusof.

“Os memorandos vão além de um ato protocolar. Os documentos estabelecem um canal formal e permanente de comunicação entre Suape e Port Klang, fortalecendo a interligação entre os dois complexos portuários”, afirma Armando Bisneto.

“No caso da Westports, o terminal sinalizou a possibilidade de viabilizar linhas marítimas de longo curso entre os dois portos, além de futuros investimentos estratégicos que podem representar avanço significativo para Suape e para Pernambuco”, celebra.

Em 2025, a Westports Malaysia movimentou cerca de 12 milhões de TEUs (unidade equivalente a contêiner de 20 pés), refletindo a importância do porto como centro logístico regional, com projeto de expansão para chegar a 28 milhões de TEUs. Além disso, operou 12,8 milhões de toneladas de carga convencional, superando seus próprios recordes anteriores.

Já a Northport registrou, no ano passado, a movimentação de 3,8 milhões de TEUs, um aumento de 3,8 % em relação a 2024. No segmento de carga convencional, a Northport bateu recordes, com mais de 12,9 milhões de toneladas em 2025, superando o desempenho do ano anterior.

Acordo de cooperação com Suape e porto do Sudeste Asiático. - DIVULGAÇÃO

PORT KLANG

Localizado no estratégico Estreito de Malaca, a 38 quilômetros de Kuala Lumpur (capital da Malásia), Port Klang impressiona pelos números. Em um país com cerca de 35 milhões de habitantes, em 2025 o volume total combinado de contêineres movimentados pelos terminais — incluindo Westports e Northport — cresceu para 15,8 milhões de TEUs.

Suape participa da missão como convidado do Instituto Ásia Pacífico, com apoio institucional da Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN, do Congresso Nacional e do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Também integram a missão o diretor jurídico de Suape, João Paiva; o assessor especial da presidência da estatal, Alexandre Cardoso; e o secretário da Frente Parlamentar Mista Brasil–ASEAN, Alex Kawano.

SINGAPURA

Antes de chegar à Malásia, a comitiva esteve em Singapura, participando de agendas com executivos da Shopee e do DBS Bank, além de visitas à Portek International e ao PSA International, importantes operadores globais do setor portuário.

O terceiro e último país da programação é a Indonésia, onde haverá agenda institucional no Secretariado-Geral da ASEAN, com sede na capital, Jacarta, e reunião com diretores da Indonésia Investment Authority (INA). O retorno ao Brasil está marcado para o sábado (28).

Pernambuco registrou menor índice em roubos a coletivos para janeiro da série histórica


Pernambuco iniciou 2026 com o menor número de roubos a coletivos já registrado para o mês de janeiro em toda a série histórica. Foram contabilizadas 13 ocorrências no período, consolidando o melhor desempenho para o mês desde o início do acompanhamento do indicador. O resultado representa uma redução de 72% em relação a janeiro de 2025, que contabilizou 47 casos.

A análise anual também evidencia a consolidação dessa tendência. O ano de 2025 encerrou com 358 ocorrências de roubo a coletivos em todo o Estado, configurando o melhor resultado anual da série histórica. Para efeito comparativo, somente em 2016 foram contabilizados 1.264 registros, seguido de 1.407 ocorrências ao longo dos 12 meses de 2017, os maiores números da contagem.

De acordo com o tenente-coronel Eliel Tomaz, os índices positivos decorrem diretamente da atuação contínua das 12 Unidades Operacionais da Diretoria Integrada Metropolitana (DIM), por meio da Força-Tarefa Coletivos (FT Coletivos), além do trabalho reforçado de toda a equipe policial. “Esse desempenho é resultado de um trabalho fundamentado na análise de dados estatísticos, na integração operacional, na Diretoria Integrada Especializada (DIRESP) e no comprometimento da tropa composta por Oficiais e Praças da DIM, que produzem efeitos concretos na segurança da população pernambucana”, destacou.

A diretora adjunta da DIM da Polícia Civil de Pernambuco, delegada Kelly Luna, ressalta que o melhor janeiro da série histórica é resultado de meses de atuação integrada entre as operativas de segurança a partir da FT Coletivos. “Nas reuniões da força-tarefa, são identificados os pontos com maior incidência de assaltos, permitindo o direcionamento das investigações. A partir desse mapeamento, a Polícia Civil realiza análise de imagens encaminhadas pelas empresas de ônibus, coleta depoimentos de vítimas, testemunhas e motoristas, e desenvolve diligências que possibilitam a identificação dos autores. Com a consolidação das provas, a Corporação representa ao Poder Judiciário pela prisão dos envolvidos”, relata.

De volta ao Brasil, Flávio visita Bolsonaro e tenta reorganizar o PL

 

Foto: Luis Novaes

Pré-candidato ao Planalto tem trabalhado para consolidar chapas nos estados. Ele também tenta aparar arestas entre aliados

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mergulhou, nos últimos dias, em uma intensa rodada de negociações políticas. O objetivo é pavimentar o caminho de sua campanha ao Planalto nas eleições deste ano, construindo e consolidando candidaturas estratégicas nos estados.

Aliados afirmam que o senador tem se dedicado a concluir o desenho dos candidatos do PL nas disputas locais. Flávio quer entrar no mês de março com participações em eventos para anunciar pré-candidaturas.

Com aval direto de Jair Bolsonaro (PL), o filho do ex-presidente tem atuado para resolver “pendengas” da sigla em diversas regiões. Entre essa terça (24/2) e quarta-feira (25/2), o senador anunciou o desfecho de dois dos principais imbróglios da legenda: Rio de Janeiro e Santa Catarina.

No Rio, Flávio venceu a “queda de braço” com o governador Cláudio Castro (PL) e emplacou um aliado como candidato ao Palácio Guanabara, o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas (PL). Coube também ao filho de Bolsonaro comunicar que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, não teria espaço dentro da sigla para disputar a reeleição.

Em Santa Catarina, sob orientação do pai, Flávio Bolsonaro anunciou uma chapa inteiramente do PL na disputa ao Senado: Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro, seu irmão. A decisão atropelou os planos do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e confirmou a influência de Flávio nas tratativas sobre candidaturas ao Legislativo.

Retorno ao Brasil e visita ao pai
A intensificação das agendas ocorre após uma sequência de viagens internacionais de Flávio. A mais recente, durante o Carnaval, levou o senador aos Estados Unidos para discursar na organização conservadora PragerU. Antes, em janeiro, ele já havia passado por roteiros no Oriente Médio e na Europa.

Nesta quarta-feira, Flávio visitou o pai na Papudinha, local em que Jair Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Pouco depois, pela tarde, ele reuniu deputados e senadores do partido para cobrar “união” da sigla em torno de sua candidatura. Parlamentares avaliaram o encontro como uma espécie de agenda de “alinhamento”.

O senador também apresentou, no encontro, um rápido panorama de chapas já definidas pelo PL nos estados e sinalizou que aprofundaria as decisões nas próximas semanas.

Segundo relatos de presentes ouvidos pelo Metrópoles, o senador pontuou que a construção de alianças pode desagradar correligionários, mas pediu colaboração, ressaltando que o projeto nacional deve estar acima de interesses individuais.

Anotações reveladoras
Um documento obtido pelo Metrópoles que reúne anotações de Flávio sobre os palanques nos estados confirma o envolvimento do senador na construção das candidaturas. Em uma série de escritos feitos à mão, o pré-candidato ao Planalto aponta que precisa conversar com aliados ou que negociações ainda estão em andamento.

Em uma das passagens, por exemplo, Flávio Bolsonaro trata da chapa à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O registro questiona o nome do candidato a vice de Tarcísio, sugerindo que há incômodo com o atual número dois do governo paulista, Felício Ramuth (PSD).

Flávio deve se reunir com o governador de SP nesta sexta-feira (27/2) para tratar, entre outras coisas, da construção de seu palanque no maior colégio eleitoral do país.

Viagens pelo país
Valdemar Costa Neto afirmou, nesta quarta, que, além das negociações das chapas, o senador também deve começar a rodar o país nas próximas semanas. “Agora. [Ele] vai ter que começar agora”, disse.

Segundo parlamentares, Flávio Bolsonaro indicou que deve definir uma agenda de viagens em conjunto com lideranças estaduais da sigla. Ele sinalizou que deve estar na Paraíba, no próximo dia 22 de março, para o lançamento da pré-candidatura de Efraim Filho ao governo estadual.

Também deve ir ao Rio Grande do Sul no dia 28 do próximo mês. Há expectativa de que o senador compareça a um ato na avenida Paulista, convocado para o próximo dia 1º.

As informações são do portal Metrópoles.

ANÁLISE: RAQUEL CRESCE 11 PONTOS, JOÃO CAMPOS CAI 9 E DIFERENÇA DIMINUI

 

Por Guia Ita-PE - A governadora Raquel Lyra registrou crescimento de 11 pontos percentuais, saindo de 24% em pesquisa anterior do Instituto Paraná Pesquisas para 35% no levantamento mais recente do DataTrends. No mesmo comparativo, o prefeito do Recife, João Campos, recuou de 57% para 48%, reduzindo a diferença entre os dois.

A pesquisa DataTrends, realizada entre 23 e 24 de fevereiro com 1.200 eleitores, mostra João Campos com 48%, Raquel Lyra com 35%, Eduardo Moura com 5%, e Alfredo Gomes e Ivan Moraes com 1% cada. Brancos e nulos somam 8%, e 2% estão indecisos.

Em eventual segundo turno, João aparece com 51%, enquanto Raquel tem 40%. O levantamento também aponta 60% de aprovação da gestão da governadora, com 37% de desaprovação, reforçando o avanço político evidenciado na comparação entre os levantamentos de institutos diferentes.

Clã de ex-senador alvo da PF domina Sertão de PE e foi de Dilma a Bolsonaro


Fernando Coelho na posse de Dilma(PT), e com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Por Carlos Madeiro, Do UOL – Alvo da PF hoje, a família Bezerra Coelho tem uma longa trajetória de protagonismo em Petrolina, maior cidade do interior de Pernambuco. Nos últimos anos, tornou-se o grupo político mais poderoso do sertão do estado.

Além do domínio local, desde a década passada a família passou a se destacar por uma flexibilidade ideológica que a levou da esquerda a papéis de liderança no governo de Jair Bolsonaro (PL).

O patriarca, Fernando Bezerra Coelho (MDB), é o principal exemplo dessa trajetória. Foi ministro no governo de Dilma Rousseff (PT), mas apoiou o impeachment e, em seguida, tornou-se líder no Senado dos governos de Michel Temer (MDB) e de Bolsonaro.

Fernando Bezerra Coelho, Fernando Filho, Michel Temer e Miguel Coelho (Da esq. p/ dir.)

Do PSB ao bolsonarismo

Fernando Bezerra Coelho ganhou destaque no primeiro mandato do então governador de Pernambuco Eduardo Campos (2007-2010). Após atuar como secretário de Desenvolvimento Econômico, foi indicado por Campos para assumir o Ministério da Integração Nacional de Dilma, em janeiro de 2011.

No cargo, comandou obras como a transposição do rio São Francisco até outubro de 2013, período em que o PSB já articulava o rompimento com o governo Dilma para lançar Campos à Presidência.

Ainda ministro, Fernando defendia uma tentativa de aliança entre os dois partidos para a eleição de 2014, mas deixou o governo para apoiar a candidatura de Campos, que morreria em acidente aéreo naquele ano, durante a campanha presidencial.

Em 2016, apoiou o impeachment de Dilma e, no Senado, tornou-se um dos principais articuladores políticos de Temer, de quem foi líder do governo. Teve papel relevante na tramitação de pautas como a reforma trabalhista, aprovada em 2017.

Líder com Temer e Bolsonaro

Além da liderança no Senado, a família ampliou sua influência no Executivo federal. Fernando Coelho Filho —hoje deputado federal pelo União Brasil e também alvo da operação — foi ministro de Minas e Energia entre maio de 2016 e abril de 2018, quando deixou o cargo para disputar a eleição à Câmara.

No mesmo período, a família consolidou seu domínio local ao eleger Miguel Coelho (União) prefeito de Petrolina, em 2016. Ele foi reeleito em 2020 e renunciou no ano seguinte para disputar o governo de Pernambuco, ficando em terceiro lugar.

A guinada mais à direita ocorreu durante a gestão Bolsonaro. Fernando Bezerra foi líder do governo no Senado entre 2019 e 2021 e se tornou um articulador estratégico, especialmente entre parlamentares do Nordeste —região onde o governo tinha pouca base.

Foi nesse período que, em 2020, ele destinou R$ 175 milhões para obras de infraestrutura na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), em Petrolina, por meio de emendas de relator —o chamado orçamento secreto.

Esses repasses estão entre os alvos da investigação atual, que apura possível direcionamento de licitações vencidas pela companhia e suspeita de que parte dos valores desviados teria sido utilizada para pagamento de propina.

Planos para 2026

Desde que deixou o Senado, em fevereiro de 2023, Fernando Bezerra tem se dedicado a articulações políticas e ao fortalecimento do grupo familiar.

Para 2026, a estratégia envolve dois nomes: Fernando Coelho Filho buscando a reeleição à Câmara e Miguel Coelho disputando uma vaga no Senado.

Miguel, presidente estadual do União Brasil, ainda não indicou em qual palanque estará (se é que estará): o da governadora Raquel Lyra (PSD) ou o do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que devem polarizar a disputa estadual.

No entanto, pelas críticas que tem feito à gestão estadual e pelas conversas em andamento com o grupo de Campos, a avaliação política é de que seja mais provável uma composição com o PSB.

Outro alvo da Polícia Federal foi o Posto Petrolina. Dono é sogro de Miguel Coelho (UB)



Lara Secchi Coelho, ao lado do pai Gilberto Secchi, e do ex-prefeito Miguel Coelho (UB)

EXCLUSIVO, Por Ricardo Antunes – Um dos alvos da Operação da Polícia Federal foi o dono do posto Petrolina, Gilberto Secchi. Vem a ser sogro de Miguel Coelho (UB) e pai da ex-primeira dama, Lara Teobaldo Secchi Coelho, esposa do ex-prefeito.

Na sua gestão a ordem uma só. Toda frota da prefeitura abastecia no posto que fica localizado na Avenida Ulisses Guimarães, no bairro de Massangano.

A prefeitura de Petrolina, não licita/contrata posto de combustível e a operação, seguia o seguinte padrão. A gestão contrata uma operadora de cartão de abastecimento e essa operadora credencia postos na cidade/estado e cada carro prefeitura tinha um cartão pra fazer abastecimento

DataTrends: João Campos tem 48% e Raquel Lyra 35% na disputa pelo Governo de Pernambuco

 

O instituto DataTrends Pesquisas divulgou seu primeiro levantamento sobre a corrida pelo Governo de Pernambuco em 2026. A pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 24 de fevereiro, com 1.200 eleitores, margem de erro de 2,83 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo 4513/2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), lidera com 48% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece a atual governadora, Raquel Lyra (PSD), com 35%. O vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) soma 5%, enquanto Alfredo Gomes (Rede Sustentabilidade) e Ivan Moraes (PSOL) têm 1% cada. Brancos e nulos representam 8%, e indecisos, 2%.

Em uma eventual disputa de segundo turno, João Campos chega a 51% das intenções de voto, contra 40% de Raquel Lyra. Brancos e nulos somam 8%, e 1% dos entrevistados se declarou indeciso.

A pesquisa também avaliou a gestão estadual. Raquel Lyra registra 60% de aprovação, enquanto 37% desaprovam sua administração; 3% não souberam ou não responderam.

No quesito rejeição — percentual dos eleitores que afirmam que não votariam de jeito nenhum no candidato — Ivan Moraes lidera com 58%, seguido por Alfredo Gomes, com 46%, e Eduardo Moura, com 45%. A governadora Raquel Lyra aparece com 40% de rejeição, enquanto João Campos tem 36%.

A liderança na intenção de voto versus aprovação elevada

 

Foto: Divulgação

Por Edmar Lyra

Os números indicam, neste momento, uma vantagem quantitativa consistente de João Campos na disputa. Com 48% das intenções de voto no primeiro turno, ele supera individualmente todos os adversários e também a soma deles, que alcança 42%. Considerando apenas os votos válidos, seu percentual ultrapassa a maioria absoluta, o que evidencia uma liderança consolidada dentro do eleitorado que declara preferência por algum candidato. Além disso, no cenário de segundo turno, João mantém vantagem de 51% a 40%, repetindo uma diferença de dois dígitos e demonstrando competitividade tanto na disputa fragmentada quanto no confronto direto.

Raquel Lyra aparece em segundo lugar, com 35% das intenções de voto, mantendo um patamar relevante e distante dos demais concorrentes. O dado mais expressivo a seu favor está na avaliação administrativa: 60% aprovam sua gestão, índice elevado para uma governadora em exercício. Essa aprovação indica base social significativa e potencial de mobilização eleitoral. Ao mesmo tempo, existe uma diferença de 25 pontos entre aprovação (60%) e intenção de voto (35%), o que revela que parte do eleitorado que avalia positivamente o governo ainda não converte essa percepção em apoio eleitoral à sua candidatura.

No quesito rejeição, João Campos registra 36%, enquanto Raquel Lyra aparece com 40%. A diferença é moderada, mas relevante em cenário polarizado. Rejeição mais baixa amplia margem de crescimento e reduz barreiras em um eventual segundo turno. Já os demais candidatos apresentam índices de rejeição elevados e intenção de voto reduzida, o que limita, até o momento, a capacidade de expansão competitiva desses nomes.

O conjunto dos números aponta para três vetores claros: liderança numérica e maioria nos votos válidos para João Campos; aprovação administrativa robusta para Raquel Lyra, ainda parcialmente dissociada da intenção de voto; e um ambiente de disputa concentrado entre os dois principais nomes, com baixa densidade eleitoral das candidaturas alternativas. Trata-se de um cenário estável no momento, com vantagem quantitativa definida, mas com indicadores que mostram potenciais espaços de movimentação ao longo da campanha.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O número em Auschwitz-Birkenau.


Ele tatuou um número na pele dela em Auschwitz-Birkenau.

Ela se tornou o motivo dele sobreviver.

Depois da guerra, ele a procurou todos os dias… até encontrá-la.

Quando Lale Sokolov chegou a Auschwitz-Birkenau em 1942, os guardas da SS arrancaram tudo o que ele tinha.


Seus pertences.

Sua dignidade.

Seu nome.

Rasparam sua cabeça. Deram-lhe roupas de prisioneiro. E tatuaram um número em seu antebraço esquerdo:

32407.

Em Auschwitz, nomes eram perigosos. Nomes significavam que você ainda era humano. Os nazistas queriam números — fileiras de corpos idênticos, descartáveis.

Lale Sokolov se tornou o prisioneiro 32407.

E seu trabalho seria garantir que todos os outros também se tornassem números.

Lale falava várias línguas — alemão, russo, francês, eslovaco. Os guardas perceberam. Chamaram-no de lado e lhe deram uma função que salvaria sua vida… e o assombraria para sempre:

Ele se tornou o Tätowierer — o tatuador do campo.

Todos os dias, Lale ficava diante de uma pequena mesa com agulha e tinta. Novos prisioneiros eram levados até ele — homens, mulheres, crianças.

Ele segurava seus braços… e gravava números em suas peles.

Marcas permanentes de apagamento.

Era um trabalho que o enchia de vergonha.

Mas também o mantinha vivo.

A função lhe dava pequenos privilégios: mais comida, roupas um pouco melhores, liberdade limitada para circular entre setores.

Em Auschwitz, isso significava a diferença entre viver e morrer.

Lale fez uma promessa a si mesmo:

Se esse trabalho me mantém vivo… vou usá-lo para ajudar outros.

Ele contrabandeava pão.

Trocava objetos dos mortos por remédios.

Sussurrava avisos quando podia.

Pequenos atos de resistência em um lugar criado para destruir qualquer resistência.

Mas ele ainda estava sozinho.

Ainda lutando apenas por mais um dia.

Até que, em julho de 1942, uma jovem foi levada até sua mesa.

Seu nome era Gita Furman.

Ela tinha 21 anos. Olhos escuros. Uma força maior que o medo.

Quando Lale segurou seu braço para tatuar o número 34902… seus olhares se encontraram.

E algo impossível aconteceu dentro de Auschwitz.

Ele se apaixonou.

Não aos poucos.

Não com cuidado.

Instantaneamente. Completamente.

Mais tarde, ele diria que soube naquele momento que se casaria com ela — se sobrevivessem.

Se isso fosse possível naquele inferno.

Depois de terminar a tatuagem, Lale fez algo proibido:

Perguntou seu nome.

“Gita”, ela sussurrou.

“Eu sou Lale”, ele respondeu. “E um dia vou me casar com você.”

Ela achou que ele era louco.

Mas não o esqueceu.

A partir daquele dia, sobreviver deixou de ser apenas sobre ele.

Amar alguém em Auschwitz era perigoso.

Proibido.

Dava aos nazistas mais uma forma de te ferir.

Mas também dava um motivo para continuar.

Lale começou a procurá-la. Descobriu em qual barracão ela estava. Decorou horários dos guardas. Aprendeu quem podia ser subornado.

E começou a levar comida para ela.

Pão.

Chocolate.

Remédios quando ela adoeceu.

Cada gesto poderia levá-lo à morte.

Mas ele não parou.

Quando Gita ficou doente com tifo, febril e quase inconsciente, Lale subornou um médico para conseguir tratamento.

Ela sobreviveu.

Eles se encontravam quando podiam — momentos roubados, breves, perigosos.

Conversas sussurradas.

Olhares que diziam tudo.

“Fique viva”, ele dizia.

“Promete que vai ficar viva.”

“Só se você prometer o mesmo”, ela respondia.

Durante três anos, Lale tatuou números nos braços de centenas de milhares de pessoas.

Viu trens chegarem todos os dias.

Famílias inteiras desaparecendo em horas.

Crianças marcadas com números que nunca viveriam para entender.

Ele via a fumaça subir das chaminés.

E sabia o que aquilo significava.

Mas, todas as noites, pensava em Gita.

O número 34902 deixou de ser apagamento.

Virou motivo.

Em janeiro de 1945, com o avanço do exército soviético, os nazistas começaram a evacuar o campo.

Vieram as marchas da morte.

E Lale e Gita foram separados.

Sem despedida.

Sem certeza.

Sem saber se o outro ainda viveria.

Lale conseguiu escapar nos últimos dias do caos.

Estava livre.

Mas não em paz.

Porque não sabia se Gita estava viva.

A guerra terminou.

Milhões morreram.

As chances de encontrar alguém eram quase inexistentes.

Mas Lale não desistiu.

Ele voltou para Bratislava — sua cidade natal.

E passou a ir à estação de trem… todos os dias.

Esperava.

Observava cada rosto.

Dias viraram semanas.

Semanas viraram meses.

Até que, em outubro de 1945, ele viu uma carroça se aproximando.

E, nela… estava Gita.

Viva.

Contra todas as probabilidades.

Ele correu até ela.

Quando se abraçaram, não havia palavras.

Só lágrimas.

Eles se casaram naquele mesmo ano.

“Eu disse que me casaria com você”, ele falou.

Em 1949, emigraram para a Austrália.

Construíram uma nova vida. Tiveram um filho. Tentaram viver normalmente.

Mas Auschwitz nunca os deixou.

Por décadas, Lale quase não falou sobre o que viveu.

A culpa o consumia.

Gita entendia. Nunca o pressionou.

Eles viveram juntos.

Se amaram intensamente.

E carregaram o passado em silêncio.

Gita morreu em 2003.

Lale ficou devastado.

Depois de 58 anos juntos, ele não sabia existir sem ela.

Foi então que, aos 87 anos, decidiu contar sua história para Heather Morris.

Não por fama.

Mas para garantir que o mundo lembrasse dela.

“O número dela era 34902”, ele disse.

“Mas o nome dela era Gita.”

Lale morreu em 2006.

Em 2018, Heather Morris publicou The Tattooist of Auschwitz.

A história se espalhou pelo mundo.

Mas o que torna tudo isso extraordinário não é heroísmo grandioso.

Lale não liderou revoltas.

Não destruiu máquinas.

Não salvou centenas.

Ele apenas amou uma pessoa.

E esse amor manteve os dois humanos em um lugar feito para destruir a humanidade.

Os nazistas tentaram transformá-los em números.

32407.

32408.

Mas eles nunca esqueceram seus nomes.

E quando a guerra acabou…

Lale não procurou por um número.

Ele procurou por Gita.

Porque, em um lugar onde tudo foi feito para apagar a humanidade…

o amor — teimoso, impossível, indestrutível — provou que eles ainda eram humanos.

E isso… foi o suficiente.