Raquel Lyra (PSD), André Teixeira Filho e Eduardo da Fonte (esq. p/ dir.)
Por Ricardo Antunes – O clima de desconfiança entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o líder do PP, Eduardo da Fonte, azedou de vez no último encontro que os dois tiveram no Palácio do Campo das Princesas.
Foi na manhã do dia 12 de fevereiro, uma quinta-feira, nas véspera do Carnaval. Os dois já tinham se reunido três dias antes, uma segunda-feira (09).
Raquel Lyra desconfiava que Dudu só queria definir o apoio à sua candidatura quando a janela partidária fosse fechada, em 4 de abril, e cobrava um posicionamento do líder do PP sobre a eleição.
Dudu, por sua vez, não tinha a menor pressa em se comprometer com a reeleição da governadora. Exímio articulador, ele ainda tinha dúvidas se Raquel conseguiria reagir nas pesquisas que, na época, davam ampla vantagem ao então prefeito João Campos (PSB).
Também acreditava que tinha sido muito correto com a gestão e cumprido tudo o que foi combinado com a inquilina do Palácio do Campo das Princesas. “Toda a nossa bancada sempre defendeu o governo e deu apoio a todas as votações, inclusive às mais difíceis”, costumava repetir a quem lhe pressa em fechar com projeto político de Raquel.

Palácio do Campo das Princesas
O clima já era de desconfiança de lado a lado, mas a gota d’água foi quando, na segunda reunião no Palácio, o então secretário de Mobilidade e Infraestrutura e primo de Raquel, André Teixeira Filho, fez uma intervenção, que deixou o deputado profundamente irritado.
“Você tem que definir se está do nosso lado ou do outro”, disse, numa referência a João Campos, com quem o deputado também havia tido um encontro recente. “Eu sou
deputado federal e converso com quem eu quiser”, disparou Dudu da Fonte, que também tem fama de não levar desaforo para casa. A governadora ouviu tudo e manteve se calada.
Depois desse episódio, a relação entre ela e o antigo aliado começou a ruir de vez e sem volta. A governadora deu razão ao seu primo, que, deve ser o coordenador-geral de sua campanha. A partir daí, começou a demitir os aliados do deputado no Lafepe e no Porto do Recife e a se aproximar de Miguel Coelho, que havia sido excluído da chapa de João Campos (PSB).
A demissão de Bruno Rodrigues terminou por antecipar a retirada do apoio da bancada da Federação. E com o deputado já ensaiando uma aproximação com o líder do PL, Anderson Ferreira, candidato a senador.
Uma coisa, no entanto, é certa. Teremos, sim, cenas dos próximos capitulos.

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