Por Bastidores da Notícia - O cenário político de Pernambuco amanheceu sob forte tensão neste 31 de janeiro. O desarquivamento do inquérito da Operação Barriga de Aluguel pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) reacendeu alertas máximos nos bastidores do PSB e, sobretudo, no núcleo duro da gestão do prefeito do Recife, João Campos.
A decisão unânime da 2ª Câmara Criminal do TJPE, tomada no dia 30, deu novo fôlego às investigações ao validar as provas reunidas pelo GAECO sobre um suposto esquema de desvios que pode chegar à cifra de R$ 200 milhões. Mais do que um revés jurídico, o movimento do Tribunal foi interpretado politicamente como um divisor de águas, colocando novamente a gestão municipal sob escrutínio intenso.
O ponto que mais alimenta o clima de apreensão é a cronologia dos fatos. O arquivamento relâmpago do processo, decidido em apenas três horas pelo juiz Rildo Vieira, seguido da nomeação de seu filho, Lucas Vieira, para um cargo estratégico na Procuradoria do Município, em edição extra do Diário Oficial durante o recesso natalino, passou a ser visto como um “nexo indiciário”. Para juristas, essa sequência ultrapassa a esfera administrativa e pode abrir espaço para apuração de possível obstrução da Justiça.
Embora a hipótese de prisão preventiva seja considerada remota neste momento, especialistas avaliam que o Ministério Público ganhou base suficiente para avançar nas investigações, inclusive com medidas mais duras, como buscas e apreensões. Politicamente, o caso fragiliza o discurso de normalidade da gestão e impõe ao PSB um período de defensiva, em que cada passo será acompanhado de perto.
Em síntese, o desarquivamento não apenas reabre um inquérito, mas recoloca no centro do debate público a relação entre poder político, Judiciário e Ministério Público, ampliando a pressão sobre a Prefeitura do Recife e projetando incertezas sobre os próximos capítulos desse embate institucional.

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