quarta-feira, 4 de março de 2026

Avaliação negativa pressiona Lula e fortalece Flávio Bolsonaro no segundo turn

 

Foto: Reprodução

Por Edmar Lyra

A nova pesquisa do Real Time Big Data revela um dado que altera o eixo da disputa presidencial: o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é avaliado negativamente por 46% dos brasileiros, enquanto apenas 26% o classificam como positivo. Outros 27% consideram a gestão regular. Quando questionados sobre aprovação, 51% desaprovam o governo e 44% aprovam. O retrato expõe um cenário de desgaste relevante no meio do mandato e ajuda a explicar por que, apesar da liderança no primeiro turno, Lula enfrenta um horizonte mais apertado numa eventual segunda rodada.

No primeiro turno, o presidente mantém vantagem: 39% das intenções de voto contra 32% do senador Flávio Bolsonaro. A fragmentação do campo conservador favorece o petista, já que nomes como Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com índices menores e dispersos. Essa pulverização impede que a oposição concentre forças numa alternativa única capaz de ameaçar a dianteira lulista na largada.

O quadro muda de dimensão quando o levantamento simula o segundo turno. Num confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, há empate técnico: 42% a 41%. A diferença mínima, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, indica que o senador herda com eficiência o eleitorado crítico ao governo. A taxa de desaprovação de 51% funciona como combustível político para a candidatura oposicionista. Flávio consolida o voto ideológico do bolsonarismo e amplia sua competitividade ao atrair segmentos que hoje se distribuem entre outras candidaturas de direita no primeiro turno.

A combinação entre avaliação negativa elevada e empate técnico no segundo turno acende sinal de alerta no Planalto. A liderança inicial de Lula está sustentada por um núcleo fiel e por uma base que ainda o aprova, mas a rejeição alta cria um teto competitivo num embate polarizado. Para a oposição, a mensagem é estratégica: a unificação em torno de um nome com densidade eleitoral pode transformar a eleição num duelo voto a voto. Se os índices de avaliação não reagirem, a vantagem do primeiro turno pode se revelar frágil diante da força agregadora que Flávio demonstra no cenário final.

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