terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Raquel Lyra melhora segurança pública de Pernambuco

 

Foto: Hesíodo Góes

Por Edmar Lyra

Os números divulgados pelo Governo de Pernambuco sobre a segurança pública em janeiro de 2026 não são apenas estatísticas frias: eles carregam forte significado político. O menor número de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) para um mês de janeiro em 23 anos — 252 homicídios — consolida uma tendência que a gestão Raquel Lyra faz questão de apresentar como resultado direto do programa Juntos Pela Segurança. A redução de 12,8% em relação a janeiro de 2025, somada à queda expressiva nos crimes patrimoniais, reposiciona o debate sobre segurança no estado e oferece um ativo político raro: resultados mensuráveis em uma área historicamente sensível.

O discurso oficial sustenta que o avanço não é episódico, mas fruto de uma estratégia estruturada. O investimento superior a R$ 2 bilhões, a recomposição do efetivo policial e a modernização de equipamentos são apresentados como pilares de uma política de Estado, e não de ações pontuais. Politicamente, isso importa. Governos costumam ser cobrados não apenas por anunciar planos, mas por demonstrar capacidade de execução. Ao entrar no quarto ano do Juntos Pela Segurança com indicadores em queda, a gestão estadual tenta consolidar a narrativa de continuidade administrativa e eficiência técnica, algo que costuma pesar tanto junto ao eleitorado quanto nos bastidores institucionais.

Outro dado relevante, do ponto de vista político-territorial, é a capilaridade dos resultados. Das 26 Áreas Integradas de Segurança, 15 registraram queda nos homicídios e quatro ficaram estáveis. Embora sete áreas ainda apresentem aumento — um ponto que naturalmente será explorado por críticos —, a predominância de resultados positivos reforça a ideia de política pública abrangente. O mesmo se observa nos Crimes Violentos contra o Patrimônio: queda de 44,1%, com redução em 22 AISs. Para prefeitos, lideranças locais e parlamentares, esse tipo de dado fortalece alianças e reduz o custo político de defender a estratégia do governo.

Há ainda um componente simbólico importante. A redução de 12,5% nos homicídios contra mulheres e o melhor desempenho em roubos e furtos de veículos desde 2022 ampliam o alcance da agenda de segurança para além do enfrentamento direto ao crime organizado. Isso dialoga com pautas sociais e urbanas, reforçando a percepção de presença do Estado no cotidiano. Em política, sensação de segurança vale quase tanto quanto a segurança em si. Se os dados se mantiverem ao longo do ano, Pernambuco pode transformar estatísticas criminais em capital político duradouro — algo que poucos governos conseguem fazer de forma consistente.

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