Por Edmar Lyra
A agenda de ontem em Brasília foi tudo, menos protocolar. Em horários distintos, o prefeito do Recife, João Campos, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, estiveram com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Na mesa, 2026. João defende a construção de um único palanque em Pernambuco para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a aliança histórica entre PT e PSB no plano nacional. Raquel, por sua vez, trabalha para ser reconhecida como o segundo palanque lulista no Estado, oferecendo apoio político sem abdicar de seu projeto de reeleição. A disputa é menos sobre 2026 em Pernambuco e mais sobre quem terá o carimbo de principal fiador de Lula no Estado.
O PSB reagiu prontamente. O presidente estadual da sigla, Sileno Guedes, descartou qualquer possibilidade de repetição do modelo de dois palanques adotado em 2006. Naquela eleição, Lula buscava a reeleição e contava, em Pernambuco, com dois ex-ministros seus na disputa pelo Governo: Humberto Costa e Eduardo Campos, que enfrentavam o candidato apoiado pelo então governador Jarbas Vasconcelos, Mendonça Filho. Para os socialistas, a unidade fortalece o projeto nacional e evita ruídos desnecessários. Afinal, o PSB é aliado histórico do PT, parceiro em sucessivas eleições presidenciais e peça-chave na sustentação política do governo no Congresso.
Mas 2026 não é 2006. Se naquele pleito Lula tinha ampla vantagem sobre Geraldo Alckmin e caminhava para uma reeleição relativamente confortável, o cenário que se desenha agora é de confronto apertado contra Flávio Bolsonaro. A polarização tende a se repetir em níveis semelhantes aos de 2022, o que transforma o Nordeste — e particularmente Pernambuco — em território estratégico. Num embate voto a voto, ampliar a capilaridade política pode ser mais decisivo do que preservar arranjos tradicionais. É aí que entra o pragmatismo.
No Palácio do Planalto, a lógica é matemática: mais palanques competitivos significam mais estruturas mobilizadas, mais prefeitos engajados e maior potencial de transferência de votos. Mesmo reconhecendo o peso histórico do PSB como aliado nacional, o PT sabe que uma disputa apertada exige flexibilidade. Se dois palanques puderem potencializar a votação de Lula em Pernambuco, o pragmatismo pode falar mais alto que a tradição. No fim das contas, a decisão passará menos pelo simbolismo das alianças e mais pela necessidade concreta de vencer uma eleição que promete ser uma das mais desafiadoras da história recente.

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