sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

O tempo atua contra a terceira via no Brasil

 

Créditos: Miguel Schincariol/AFP e Pedro Ladeira/Folhapress

Por Edmar Lyra

A terceira via sempre teve dificuldades de ganhar competitividade em eleições presidenciais, com pouquíssimas vezes que os chamados outsiders acabaram surpreendendo, a exemplo de Fernando Collor em 1989 e Jair Bolsonaro em 2018. Apesar de Collor e Bolsonaro terem surpreendido a lógica política e eleitoral vigente em suas respectivas épocas, é um tremendo desafio para a terceira via quebrar a polarização.

Nas eleições deste ano as pesquisas já começam a cristalizar o cenário de polarização entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula, segundo e primeiros colocados, respectivamente.  O terceiro colocado, Sergio Moro, já mostrou que não emplacará uma candidatura competitiva a ponto de quebrar o Fla x Flu de Lula e Bolsonaro já percebido nas ruas e nas redes sociais Brasil afora.

A grande quantidade de postulantes ao Palácio do Planalto acaba prejudicando qualquer perspectiva de que um nome possa surpreender, o próprio Moro, mais competitivo dentre os demais, tem apenas 1/3 das intenções de voto do presidente Jair Bolsonaro, enquanto os demais, Ciro Gomes, João Doria, Simone Tebet e Rodrigo Pacheco estão patinando com apenas um dígito ou sequer pontuam, eles somados com Moro não chegam aos números de Bolsonaro, que tende a ir a um eventual segundo turno com Lula.

Já é chegada a hora da terceira via fazer uma autorreflexão e começar a afunilar seus nomes, para talvez ter algum indício de competitividade, a junção de três nomes em torno de um único projeto poderá ser a única oportunidade de garantir algum sopro de vitalidade na terceira via, sem ela não será surpresa a consolidação de Lula e Bolsonaro com a maioria absoluta dos votos no primeiro turno.

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