quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Careca do INSS mandou entregar encomenda do INSS em imóvel alugado por Lulinha




Lobista envia encomenda para apartamento ligado a Lulinha

Do Metrópoles – Novas mensagens em posse da Polícia Federal (PF) revelam que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, mandou entregar uma encomenda em um apartamento alugado pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Em 6 de outubro de 2024, o Careca do INSS enviou, para um de seus funcionários, o print de uma conversa com o endereço do prédio residencial em Moema, São Paulo, solicitando que fosse entregue um “medicamento” no local. Em seguida, o lobista acrescenta que a entrega deve ter o nome de Renata Moreira, esposa de Lulinha, como destinatária. A coluna teve acesso às mensagens.

O apartamento onde foi realizada a entrega pertence, no papel, ao empresário Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha, segundo documentos obtidos pela coluna em cartórios de São Paulo. O prédio fica na rua Juriti, em Moema, bairro da elite paulistana, na região centro-sul.

Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atuou em outros casos na defesa de Lulinha, disse que o filho do presidente Lula não tem conhecimento da encomenda. “Ele [Lulinha] desconhece, até porque ele próprio não é o destinatário”, frisou. O advogado voltou a negar qualquer relação de proximidade entre o Careca do INSS e Lulinha. Segundo Marco Aurélio de Carvalho, “existe um esforço pirotécnico em tentar envolvê-lo” nos fatos das investigações da fraude do INSS. Procurada, a defesa do Careca do INSS não se manifestou. A reportagem não conseguiu contato com Jonas Leite Suassuna Filho. O espaço segue aberto.
Lulinha e Renata Moreira moravam em Moema, bairro da elite paulistana, antes de deixarem o Brasil

PF investiga se Lulinha é sócio oculto do Careca do INSS

A Polícia Federal investiga envolvimento de Lulinha com o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores da farra dos descontos indevidos nas aposentadorias e pensões pagas pela Previdência. A suspeita é que o filho do presidente Lula seja sócio oculto do lobista. A informação foi divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

As citações aparecem em três núcleos de dados, obtidos a partir da quebra de sigilo de investigados ligados ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso desde setembro sob suspeita de comandar esquema milionário de fraudes previdenciárias.

A corporação comunicou o Supremo Tribunal Federal (STF) que, durante a análise de materiais apreendidos na investigação da fraude do INSS, surgiram referências ao nome de Lulinha.

Diante desse fato, o advogado Marco Aurélio afirmou à coluna que Fábio Luís está completamente tranquilo. “Ele afirma, de forma categórica, que não tem relação direta ou indireta, que não há absolutamente nada que tenha a ver com o INSS. Exatamente por isso que ele não constituiu advogado”, declarou.

Marco Aurélio de Carvalho negou que Lulinha e o Careca do INSS sejam sócios. “Não é sócio do Camilo, nunca foi. Não tem negócios com Camilo”, afirmou. “Não tem, nunca teve”, reiterou.
As menções a Lulinha pelo Careca do INSS

As investigações da PF mostraram proximidade entre o Careca do INSS, que é empresário, com o Lulinha. Os dois, inclusive, chegaram a viajar juntos para Portugal em novembro de 2024, conforme revelou a colunista Andreza Matais, a partir de documentos em posse da PF.

Segundo documentos da Polícia Federal, Antonio Antunes mandou R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e de Renata Moreira. Em uma dessas transferências, o Careca do INSS explicou que o dinheiro era para “o filho do rapaz”, possivelmente se referindo a Lulinha.

Conforme revelou a coluna, em agosto, Roberta Luchsinger fez lobby no Ministério da Saúde junto ao Careca do INSS. Os dois estiveram juntos na pasta no mesmo dia. Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão.

O presidente Lula defendeu que todas as pessoas envolvidas na fraude do INSS sejam investigadas. “Muitas das coisas estão em segredo de Estado. Já li notícias e tenho dito para ministros e à CPI que é importante ter seriedade, que se possa investigar todas as pessoas envolvidas. Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado”, declarou o petista em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto em dezembro do ano passado, no dia que a PF deflagrou nova fase da Sem Desconto.
A história do apartamento onde mora Lulinha

O apartamento de Lulinha em um dos bairros mais valorizados de São Paulo já figurou nas páginas policiais, sobretudo em investigações da Polícia Federal no curso da Lava Jato. O ex-sócio dele também. Jonas Suassuna era dono de parte do sítio de Atibaia (SP) usado por Lula e pela ex-esposa dele Marisa Leticia, morta em 2017.

O apartamento em Moema chegou a ser apontado pela Lava Jato como um dos principais indícios de que Suassuna usou dinheiro de contratos com a operadora Oi para beneficiar Lulinha, que mora no imóvel desde 2013, conforme reportagem da Folha de S. Paulo.

Suassuna comprou o apartamento ainda em 2009. O imóvel, que tem piscina, três suítes e terraço gourmet, ocupa sozinho o 23º andar de uma das torres do condomínio Hemisphere.

O apartamento, conforme escritura do imóvel, tem 524 m², sendo 335,6 m² de área privativa; e 189 m² de área comum com direito a quatro vagas de garagem e auxílio de manobrista. O contrato de locação ainda segue ativo, informou Marco Aurélio Carvalho após consultar o próprio Lulinha.

A relação de locador e locatário entre Lulinha e Suassuna é antiga. Conforme mostrou a colunista Andreza Matais, durante anos, Lulinha morou em um apartamento de luxo nos Jardins, em São Paulo. Em 2012, quando o caso veio a público, o aluguel mensal do local era de cerca de R$ 12 mil.

Quem pagava a conta era uma empresa de Suassuna com contratos com vários governos, entre eles o federal. Naquela época, Lulinha e o empresário eram sócios na Gamecorp, empresa de conteúdo eletrônico.

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