terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Com Raquel Lyra, Pernambuco registra o menor índice de mortes violentas em 22 anos

 

Foto: Yacy Ribeiro

Por Edmar Lyra

Os dados divulgados pelo Governo de Pernambuco ao fim de 2025 não são apenas estatísticas frias: eles carregam peso político, simbólico e estratégico. Ao alcançar a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) por 100 mil habitantes dos últimos 22 anos — 32,7, o menor índice desde 2004 — o Estado reposiciona o debate sobre segurança pública e entrega à governadora Raquel Lyra um dos ativos mais valiosos de qualquer gestão: resultados mensuráveis em uma das áreas mais sensíveis para a população.

A queda de 9,5% em relação a 2024, que representa 330 vidas preservadas, ocorre em um contexto historicamente desafiador. Pernambuco já figurou entre os estados mais violentos do país, atingindo seu pico em 2017, quando a taxa chegou a alarmantes 57,1 mortes por 100 mil habitantes. A comparação histórica deixa claro que o resultado atual não é trivial. Trata-se de uma inflexão relevante em uma curva que, por anos, teimou em subir.

Do ponto de vista político, o dado fortalece o discurso do Palácio do Campo das Princesas de que o Programa Juntos pela Segurança não é apenas uma marca de governo, mas uma política pública estruturada. O investimento anunciado de R$ 2,3 bilhões em inteligência, tecnologia, integração das forças policiais e reforço do efetivo cria uma narrativa clara: há planejamento, continuidade e foco em resultados. Em tempos de cobrança por eficiência do gasto público, números como esses funcionam como escudo e como vitrine.

A governadora Raquel Lyra tem explorado corretamente esse capital. Ao associar a redução da violência à preservação de vidas e à promoção da paz social, o governo desloca o debate da retórica punitivista para uma abordagem de gestão. É um movimento político calculado, sobretudo em um Estado onde a segurança pública historicamente pesa nas avaliações de governo e influencia diretamente o humor do eleitorado.

Outro elemento central dessa virada está na atuação integrada das forças de segurança. As operações interestaduais — como a Divisa Integrada, a Vale do São Francisco Seguro e a Nordeste Integrado — revelam uma compreensão mais ampla do fenômeno da violência, que não respeita fronteiras administrativas. O crime organizado opera em rede, e o Estado passou a responder da mesma forma. Esse tipo de articulação fortalece a inteligência policial e amplia o controle territorial, impactando diretamente na apreensão de armas e na prisão de lideranças criminosas.

Os números relacionados à retirada de armas de circulação reforçam essa leitura. Desde 2023, mais de 18 mil armas de fogo foram apreendidas em Pernambuco. Trata-se de um indicador-chave, já que a redução da violência letal passa, necessariamente, pelo controle do acesso a armamentos ilegais. É uma política silenciosa, pouco visível no cotidiano, mas altamente eficaz nos resultados de médio prazo.

No eixo do efetivo, o maior reforço dos últimos anos — com mais de sete mil novos profissionais previstos até 2026 — aponta para um governo que aposta na presença do Estado como fator de dissuasão e prevenção. Com mais de três mil profissionais já formados e outros em formação, a ampliação do policiamento ostensivo e qualificado tende a consolidar os avanços registrados em 2025.

Politicamente, o desafio agora é transformar esse resultado em política de Estado, e não apenas de governo. Manter a curva descendente da violência exigirá continuidade, disciplina fiscal e resistência às pressões por soluções fáceis ou meramente discursivas. Ainda assim, o fato é inequívoco: ao encerrar 2025 com o menor índice de mortes violentas em mais de duas décadas, Pernambuco muda de patamar no debate sobre segurança pública — e Raquel Lyra colhe, com números, um dos maiores trunfos de sua gestão.

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