sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Sem Lula no palanque, Campos avalia se vale mesmo deixar prefeitura em abril


Por que o apoio de Lula pode não ser o diferencial esperado por João

Por Igor Maciel, do JC – Quem vai ficar com Lula? A pergunta parece título de filme, mas resume com precisão o clima que começa a dominar a pré-campanha em Pernambuco.

No estado onde todos disputam a foto ao lado do presidente, o apoio que deveria ser diferencial virou um ativo inflacionado, quase banalizado. Todo mundo quer. E justamente por isso todo mundo o terá, ao menos em imagem. Porque está sendo discutida a possibilidade de o presidente não vir ao estado no primeiro turno da eleição.

Se isso vier a ser confirmado, o baque é grande para os socialistas.
Polarização

A política local se organizou cedo em torno de dois polos claros. De um lado, João Campos (PSB), prefeito do Recife e presidente nacional do partido socialista. Do outro, a governadora Raquel Lyra, no PSD, sentada na cadeira e com a força da máquina estadual. Essa disputa já move bastidores, alianças e estratégias para 2026, muito antes do calendário oficial começar.

O detalhe é que a briga acontece dentro do mesmo campo político nacional. O PSB de João ocupa a vice-presidência da República com Geraldo Alckmin. O PSD de Raquel integra a base do governo e ela mantém relação administrativa próxima com Brasília. A governadora faz agendas frequentes com ministros e com o próprio presidente. Na prática, nenhum dos dois é adversário de Lula. Ambos são aliados.

Raquel Lyra atrai ministros de Lula e desafia exclusividade do PSB

Trunfo

Para João, o apoio explícito do presidente seria o grande diferencial competitivo, o trunfo.

Enfrentar uma governadora candidata à reeleição nunca é simples. Há a caneta, os programas, as obras, a visibilidade institucional. Sem um reforço nacional forte, a disputa fica desigual. O problema é que esse reforço pode não vir.

Se Lula subir em todos os palanques, o efeito se anula. Se gravar apenas vídeos, o impacto é limitado.

Nos bastidores, a sinalização já é de que Lula não deve vir a Pernambuco no primeiro turno. Os rumores seriam de que representantes do PT já estariam, inclusive, avisando aos responsáveis pelos palanques locais, que o presidente não desembarca por aqui no primeiro turno.

A decisão não seria ideológica, não tem viés de preferência partidária ou coisa do tipo. Trata-se de matemática mesmo. O presidente precisa concentrar energia onde corre risco real. Ceará, Bahia, Minas, São Paulo, Sul do país. Estados onde pode perder ou ganhar por pouco.

Pernambuco, ao contrário, já é terreno favorável e deve entregar uma das maiores vitórias lulistas em 2026. Qualquer vencedor local tende a apoiá-lo.

Não há motivo para comprar briga doméstica. Olhando pela perspectiva do líder petista, no caso de a ausência ser confirmada, ele viria fazer o que por aqui?

Dilema

O efeito colateral recairia sobre João Campos. Sem o selo exclusivo de Lula, ele perde seu principal argumento eleitoral. Terá de enfrentar a força da máquina estadual apenas com capital próprio. Isso ajuda a explicar a cautela recente de aliados e as dúvidas que começam a surgir sobre a desincompatibilização dele em abril.

Sair da prefeitura para uma disputa sem o trunfo do apoio presidencial e com adversários começando a vasculhar obras, contratos e ações da prefeitura do Recife, não seria um “risco desnecessário” para alguém com uma carreira política com tanto potencial nacional?

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