Por Edmar Lyra
Nos corredores de Brasília, cresce a percepção de que a situação do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal entrou numa zona de turbulência difícil de contornar. Indicado por Lula em outro momento histórico do PT, Toffoli hoje aparece enroscado no caso Banco Master, um episódio que, mais do que jurídico, ganhou contornos políticos. A sucessão de questionamentos, o desgaste público e o silêncio constrangedor de antigos aliados fazem com que sua permanência no STF passe a ser vista como um problema sistêmico — não apenas para a Corte, mas para o próprio governo.
O Palácio do Planalto, longe de tratar o tema como um tabu, já abriga defensores da tese de afastamento de Toffoli. O argumento, repetido em tom reservado, é pragmático: se a queda ocorrer ainda neste ano, Lula teria a oportunidade de indicar mais um ministro ao Supremo, algo raro e valioso em qualquer mandato, especialmente em ano eleitoral. O presidente, experiente nas engrenagens institucionais, sabe que indicações ao STF são instrumentos de poder de longo prazo, capazes de moldar o ambiente político muito além de um ciclo de governo.
Esse cálculo se conecta diretamente à disputa silenciosa em torno da sucessão na presidência do Supremo. Lula já decidiu que indicará Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso, decisão tomada a contragosto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que trabalha abertamente pelo nome de Rodrigo Pacheco. A resistência de Alcolumbre não é apenas pessoal, mas institucional: o Senado deseja recuperar protagonismo num jogo em que, nos últimos anos, tem sido frequentemente atropelado pelo STF.
É nesse tabuleiro que a eventual queda de Toffoli surge como um “presente” inesperado para Lula. Com duas indicações em jogo, o presidente poderia pacificar o Senado ao aceitar Pacheco como ministro, ao mesmo tempo em que garantiria dois nomes profundamente alinhados e politicamente devedores ao Planalto. O resultado seria um STF ainda mais permeável à influência presidencial e um Congresso momentaneamente apaziguado. No cálculo frio do poder, não é exagero afirmar que, para Lula, o desgaste de Toffoli deixou de ser um problema e passou a ser uma oportunidade estratégica.

Nenhum comentário:
Postar um comentário