segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Os sinais de alerta para Lula em 2026

 

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Por Edmar Lyra

Os números das pesquisas presidenciais registradas e divulgadas em janeiro de 2026 revelam um padrão que merece atenção: embora Lula lidere a maioria dos cenários individualmente, ele perde na soma dos adversários em quase todos os levantamentos, especialmente quando a oposição aparece fragmentada em vários nomes do campo conservador. Levantamentos da Quaest e da 100% Cidades/Futura  mostram Lula oscilando entre 35% e 38%, enquanto a soma dos demais candidatos frequentemente ultrapassa a marca de 50%. Trata-se de um dado estrutural, que vai além da liderança isolada e aponta para um eleitorado potencialmente convergente no segundo turno.

A leitura desse cenário ganha ainda mais densidade quando comparada à eleição de 2022, frequentemente citada como precedente. Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com 48,4% dos votos válidos, contra 43,2% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, venceu por 50,9% a 49,1%, numa das eleições mais apertadas da história recente. O dado mais relevante, porém, está na evolução entre os turnos: Bolsonaro foi o candidato que mais cresceu em número absoluto de votos, incorporando cerca de 7 milhões, enquanto Lula cresceu pouco mais de 3 milhões. Ou seja, mesmo derrotado, foi Bolsonaro quem melhor capturou o eleitorado remanescente.

Um ponto central ajuda a explicar por que as simulações de segundo turno se mostraram pouco eficientes em 2022. À época, parte expressiva das candidaturas fora do eixo principal vinha do campo da centro-esquerda e da esquerda, como Ciro Gomes e Simone Tebet. Ainda assim, a transferência desses votos para Lula foi limitada, contrariando a expectativa de migração automática. As pesquisas de segundo turno projetavam uma vantagem confortável que não se confirmou nas urnas. A experiência mostrou que afinidade ideológica não garante transferência plena de votos — especialmente em ambientes de forte polarização e rejeição cruzada.

O cenário atual traz uma diferença crucial: os candidatos que hoje fragmentam o eleitorado não pertencem ao campo da centro-esquerda, mas sim a diferentes vertentes da direita e do conservadorismo, o que amplia a possibilidade de migração desses votos para um nome como Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Nesse contexto, o que inicialmente parecia uma eleição líquida, previsível e controlada para Lula começa a assumir contornos imponderáveis. A história recente recomenda cautela: pesquisas captam o momento, mas não substituem o comportamento real do eleitor quando a escolha se reduz a dois nomes — e, no Brasil, essa dinâmica tem se mostrado tudo menos linear.

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