sábado, 31 de janeiro de 2026

TJPE autoriza retomada de investigação do MP sobre contratos suspeitos na Prefeitura do Recife


A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) determinou a retomada do inquérito que investiga um suposto esquema de irregularidades envolvendo empreiteiras contratadas pela Prefeitura do Recife, durante a atual gestão do prefeito João Campos (PSB).

A decisão reverteu a anulação do processo que havia sido determinada anteriormente pelo juiz Rildo Vieira da Silva, que anulou todos os atos da investigação poucos dias após assumir a Vara de Crimes Contra o Patrimônio Público da Capital. À época, a medida incluiu a invalidação da operação de busca e apreensão “Barriga de Aluguel”, realizada em agosto.

Segundo os autos, as suspeitas envolvem:
• Burla ao processo licitatório
• Duplicidade de pagamentos por um mesmo serviço
• Boletins de medição supostamente falsificados
• Uso de recursos públicos para financiamento de campanhas eleitorais
• Enriquecimento ilícito e lavagem de capitais

As investigações apontam ainda que os indícios poderiam alcançar pessoas do núcleo familiar do prefeito, conforme relatado no inquérito.

O esquema investigado envolve a contratação de empreiteiras para centenas de obras de manutenção predial em mais de 600 equipamentos públicos do Recife, abrangendo seis secretarias municipais da atual administração. Há indícios de que os desvios ultrapassem R$ 200 milhões.

De acordo com as apurações, uma empresa formalmente contratada, a Construtora Sinarco — sem sede ou filial em Pernambuco — teria sido utilizada como intermediária. Na prática, os contratos teriam sido executados por outras empresas do mesmo grupo empresarial, com amplo trânsito na gestão municipal.

Além da retomada do inquérito na Justiça Estadual, o caso também está sob análise da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).

A informação sobre a decisão dos desembargadores foi divulgada inicialmente pela Coluna do Estadão, e reforça o avanço das apurações sobre contratos firmados pela Prefeitura do Recife.

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