Por Luciano Pires - A Lava Jato não acabou por um “erro”. Acabou por processo. Um processo com método, etapas e divisão de tarefas. Quem prestou atenção conhece o roteiro:
1. Mudança do enquadramento moral
A corrupção deixou de ser o problema. O problema passou a ser “o combate à corrupção”. Investigadores viraram suspeitos; investigados, vítimas.
2. Criminalização do método, não do crime
O foco saiu dos fatos e foi para vícios formais: ritos, competências, interpretações retroativas, conversas fora do script.
3. Nulidades seletivas
Teses jurídicas feitas sob medida para certos réus, aplicadas de forma extensiva e para trás. A exceção virou regra.
4. Reescrita do jogo com a bola rolando
Entendimentos consolidados mudaram depois das condenações. O válido virou inválido — só retroativamente.
5. Desmoralização da primeira instância
Ataque sistemático a juízes e procuradores. Narrativas de vaidade, abuso e “protagonismo político”.
6. Esvaziamento da força-tarefa
Cortes de orçamento, desmonte de estruturas, dispersão de equipes, perda de autonomia.
7. Centralização decisória no topo
Decisões sensíveis concentradas em poucos gabinetes, reduzindo previsibilidade e ampliando discricionariedade.
8. Anulações em cascata
Uma decisão virou gatilho para desmontar dezenas de processos, independentemente das provas.
9. Deslegitimação da delação premiada
Mantida no discurso, enfraquecida na prática. Investigações complexas ficaram inviáveis.
10. Pressão institucional contínua
Corregedorias, representações, ameaças veladas. Investigar virou atividade de risco permanente.
11. Silêncio corporativo estratégico
Quem deveria reagir preferiu não comprar a briga. O custo ficou alto demais.
12. Normalização do desmonte
Cada passo vendido como técnico e isolado. O conjunto só aparece para quem junta os pontos.
Não foi implosão, foi por asfixia. Com engenharia, sem improviso e com a mídia cumprindo papel central. Quem viu acontecer uma vez reconhece o roteiro quando ele reaparece. Não é coincidência, é método. Agora, com o Banco Master.
Se você ainda não percebeu, tá na hora de acordar.

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