quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Gilson Machado troca o PL após desgaste com Anderson Ferreira

 

Foto: Divulgação

Por Edmar Lyra

A saída de Gilson Machado Neto do Partido Liberal está longe de ser um movimento isolado ou repentino. Ela é o desfecho de uma relação política marcada por ruídos, disputas internas e convivência difícil com a direção estadual da legenda. Nos bastidores, a relação entre Gilson e o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, sempre foi descrita como conturbada — e, ao longo do tempo, tornou-se insustentável.

Ex-ministro do Turismo e um dos quadros mais identificados com o bolsonarismo em Pernambuco, Gilson deixa o PL alegando falta de legenda para disputar o Senado. A justificativa é formal, mas o pano de fundo é político. Desde o pós-2022, havia um desalinhamento claro entre o projeto pessoal de Gilson e a estratégia conduzida por Anderson Ferreira no comando do partido. A disputa por espaço, protagonismo e definição de candidaturas majoritárias foi se acumulando até culminar na decisão de saída.

A carta divulgada por Gilson tem tom calculado. Não há ataque direto ao PL nem à sua direção estadual, mas há uma linha explícita separando o bolsonarismo nacional da condução local do partido. Ao afirmar que segue sendo o nome defendido por Jair Bolsonaro para o Senado, mas não o escolhido pela direção estadual, Gilson expõe a fissura interna sem precisar nominá-la. Ainda assim, nos bastidores, é consenso que a convivência difícil com Anderson Ferreira foi determinante para o rompimento.

Gilson faz questão de preservar sua identidade política. “Troco de partido, mas não de lado”, escreve, reforçando lealdade a Jair Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro. A estratégia é clara: sair do PL sem sair do bolsonarismo, mantendo o capital simbólico e eleitoral construído nos últimos anos. Não por acaso, ele relembra os mais de 1,3 milhão de votos obtidos em 2022 e o segundo lugar repetido em 2024, números usados como credencial para seguir competitivo.

Com a saída consumada, o destino político já começa a se desenhar. Gilson Machado é esperado no Podemos, partido que vê na sua filiação uma oportunidade de ampliar musculatura eleitoral em Pernambuco. Diferentemente do projeto anterior, a tendência agora é que ele dispute uma vaga na Câmara dos Deputados, caminho considerado mais viável dentro da nova correlação de forças partidárias.

O movimento reorganiza o campo conservador no estado e expõe um PL que, apesar de abrigar o bolsonarismo, enfrenta dificuldades para acomodar suas principais lideranças. Gilson deixa o partido, mas leva consigo discurso, base e voto — e entra em 2026 como peça ativa, agora em outro tabuleiro.

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