Por Edmar Lyra
A assinatura do contrato de dragagem do Porto do Recife, nesta sexta-feira, expõe mais do que um investimento robusto de R$ 100 milhões em infraestrutura: revela um alinhamento político-institucional raro entre o governo federal e o Palácio do Campo das Princesas. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, homem de confiança do presidente Lula no Nordeste, e a governadora Raquel Lyra, de campo político distinto, dividiram o palco para carimbar uma obra aguardada há mais de uma década. O gesto, simbólico e pragmático, reforça a leitura de que agendas estruturantes têm conseguido atravessar barreiras partidárias quando o tema é desenvolvimento econômico.
Do ponto de vista estratégico, a dragagem recoloca o Porto do Recife em outro patamar logístico. A ampliação do calado, do canal de acesso e da bacia de manobra permitirá a operação de navios maiores, reduzindo custos e aumentando a competitividade do terminal. Na prática, Pernambuco volta a disputar protagonismo na navegação de cabotagem e no comércio exterior nordestino, além de fortalecer o segmento de cruzeiros, um ativo importante para a economia urbana da capital. Politicamente, trata-se de uma obra com efeitos concretos, algo que governos gostam de mostrar — e colher dividendos.
Para Silvio Costa Filho, o projeto consolida sua marca à frente do ministério e reforça sua atuação como articulador de investimentos federais no estado. Ao destacar que o empreendimento integra a estratégia do governo Lula para crescimento econômico e geração de emprego, o ministro associa o porto à narrativa de retomada do desenvolvimento nacional. Não é pouca coisa em um cenário pré-eleitoral cada vez mais antecipado, onde obras físicas costumam pesar mais do que discursos abstratos.
Já para Raquel Lyra, a parceria com o Planalto funciona como uma resposta direta às críticas de isolamento político que rondaram o início de sua gestão. Ao dividir méritos e discursos com um ministro do governo Lula, a governadora sinaliza pragmatismo e capacidade de diálogo, atributos essenciais para destravar projetos estruturantes. A dragagem do Porto do Recife, com recursos garantidos até 2026 e conclusão prevista para 2027, passa a ser não apenas uma obra de engenharia, mas um ativo político relevante na construção do discurso de resultados que Pernambuco, há tempos, espera ver sair do papel.

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