Por Edmar Lyra
Os números divulgados pelo Instituto Paraná Pesquisas nesta quinta-feira (29) ajudam a iluminar o cenário ainda nebuloso da sucessão presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança em todos os cenários de primeiro turno testados, mas a leitura política dos dados vai muito além da simples constatação de que o petista começa a corrida na frente. A pesquisa revela, na verdade, um quadro de forte polarização, espaço relevante para a oposição e um eleitorado dividido quanto à possibilidade de reeleição.
No primeiro turno, Lula se mantém competitivo mesmo diante de nomes associados ao bolsonarismo e à direita tradicional. Contra o senador Flávio Bolsonaro, o presidente abre uma vantagem fora da margem de erro, com quase 40% das intenções de voto. Já no cenário em que o adversário é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Lula amplia levemente esse percentual, ultrapassando os 40%. O dado central aqui não é apenas a liderança, mas a resiliência eleitoral do presidente após um mandato marcado por dificuldades econômicas, tensões políticas e cobranças crescentes por resultados mais perceptíveis no cotidiano da população.
Por outro lado, a fragmentação da oposição no primeiro turno segue evidente. Governadores como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Junior pontuam, mas ainda aparecem distantes de um patamar competitivo nacionalmente. Isso reforça a percepção de que, em 2026, a direita precisará novamente se organizar em torno de um nome viável para chegar ao segundo turno com força real de disputa. Nesse contexto, Tarcísio surge como o principal ativo eleitoral fora do núcleo familiar de Jair Bolsonaro, com desempenho superior ao de Flávio Bolsonaro e potencial de crescimento.
É no segundo turno, porém, que a pesquisa acende o sinal amarelo para o Planalto. Todos os cenários testados indicam empates técnicos. Seja contra Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ou Ratinho Junior, Lula vence numericamente, mas dentro da margem de erro. Em outras palavras, o presidente começa o segundo turno sem margem de conforto, dependendo fortemente da capacidade de mobilização da base, da melhora dos indicadores econômicos e, sobretudo, da narrativa que conseguirá sustentar até lá.
O dado mais sensível politicamente talvez seja a avaliação sobre a reeleição. A maioria dos entrevistados afirma que Lula não merece um novo mandato. Ainda que a diferença não seja esmagadora, o número expõe um desgaste que não pode ser ignorado. Ele sinaliza que a eleição de 2026 tende a ser menos um plebiscito favorável ao governo e mais uma disputa aberta, em que a rejeição terá peso semelhante — ou até maior — do que a aprovação.
Em síntese, a Paraná Pesquisas mostra um Lula competitivo, mas vulnerável. A liderança no primeiro turno garante protagonismo, mas os empates no segundo turno e a resistência à reeleição indicam que 2026 será uma eleição dura, polarizada e altamente dependente dos próximos movimentos do governo e da oposição. O jogo está aberto — e, ao contrário de eleições anteriores, ninguém entra em campo com vitória assegurada.

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