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| Da esq. para dir. Humberto Costa, Miguel Coelho, Marília Arraes e Silvio Costa Filho |
Por Luiz Roberto Marinho – A 75 dias do prazo de desincompatibilização para as eleições de outubro, em 3 de abril, aumentam as dissidências, as pressões e as chantagens veladas sobre o prefeito João Campos (PSB) para definir sua chapa ao governo, a mais concorrida nas duas vagas ao Senado, contrariamente aos possíveis candidatos na chapa da rival Raquel Lyra (PSD).
Em entrevista na semana passada, o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, do Republicanos, um dos postulantes mais agressivos pela vaga, declarou que, em despacho com Lula, o presidente lhe assegurou que apoia seu nome junto com o do senador Humberto Costa (PT) e que João Campos tem pleno conhecimento desse apoio.
“Ele disse que em Pernambuco estará ao meu lado e ao lado do senador Humberto Costa”, declarou Sílvio Costa Filho ao JC, referindo-se ao presidente da República, num gesto implícito de pressão sobre João Campos.
Outro candidato, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), carregado pelo prefeito em algumas inaugurações de obras no Recife, surpreendeu os aliados de Campos com declarações em que não batia o martelo na chapa do prefeito, dava a entender nas entrelinhas que a Federação União Brasil poderia optar por Raquel Lyra e ainda criticou as gestões do PSB na saúde.
“Quem enxergar nosso potencial, nossa intensidade, a gente vai estar junto dessa pessoa”, declarou ele ao Blog Cenário. “A posição da Federação União Progressista será decisiva nas eleições de 2026”, pontuou, numa atitude que cheira a chantagem.
“Coloco meu nome à disposição não só do União Brasil, não só da Federação União Progressista, mas de todo o espectro político em que a gente milita”, completou Miguel Coelho, abrindo uma possível janela para a chapa da governadora.

Pressões e disputas marcam definição da chapa de João Campos
As declarações surpreendentes de Miguel Coelho – que poderá, contudo, ser aquinhoado com a vice de Campos – mereceram críticas contundentes, neste fim-de-semana, sem menção ao nome dele, da ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade).
Ela é também candidata ao Senado na chapa do primo, considerada a de menores chances, pela sua fraca estrutura partidária, mas ainda assim com pontos pelo recall da sua disputa ao governo com Raquel Lyra em 2022.
“Quem está para somar tem de ter maturidade e consciência política de contribuir de verdade, de não criar problema. Todos temos que colocar a vaidade e o ego no bolso, disparou Marília em andança pelo Sertão. E completou: “O Senado exige fidelidade e coerência”, numa clara alusão ao ex-prefeito de Petrolina.
Único praticamente certo na chapa de João Campos, o senador Humberto Costa (PT), que busca a recondução, tem sido o mais elegante. Disse ao Blog do Silvinho, no domingo (18), que a disputa entre Campos e Raquel será acirrada e que a governadora tem melhorado o desempenho administrativo.
Reconheceu que a relação entre o PT e o PSB tem tido altos e baixos, mas apresenta a grande vantagem, para ter o apoio de Lula, da longevidade. Não descarta a possibilidade do presidente da República ter dois palanques em Pernambuco, mas assinalou ser uma decisão pessoal dele.
“A governadora Raquel Lyra tem feito algumas sinalizações de que pode apoiar o presidente Lula, mas ainda não se manifestou de forma definitiva. É possível que possa acompanhar o voto em Lula, até porque o governo federal tem feito investimentos gigantescos no estado em parceria com a governadora. Naturalmente, nós do PT vamos defender que o apoio do presidente seja para aquele palanque onde esteja o partido”, pontuou Humberto Costa.
Disse, ainda, acreditar ter boas chances de se reeleger senador na chapa de João Campos, creditando sua crença ao trabalho realizado no Senado. “Na hora em que as pessoas forem avaliar os nomes, temos a condição de ser um dos escolhidos”, sublinhou.
Por Raquel Lyra parece se inclinar, sem sinais escancarados, como opera Sílvio Costa Filho em relação a Campos, o ativo deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que presidirá em Pernambuco a Federação União Progressista, tem cargos no governo e hierarquicamente estará um degrau acima de Miguel Coelho na junção dos dois partidos.
Até agora, contudo, Dudu da Fonte continua em cima do muro sobre a quem escolherá na corrida ao Senado e deve disputar vaga, se optar pela governadora, com o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira, e talvez o senador Fernando Dueire (MDB).
Às voltas com embates judiciais no partido em Pernambuco, Dueire tem a grande desvantagem de nunca ter tido votos, pois assumiu a vaga como suplente de Jarbas Vasconcelos, com a renúncia dele pelo mal de Alzheimer. Um terceiro nome cogitado é do ex-senador Armando Monteiro, do Podemos.

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