PT de Pernambuco tenta fugir da irrelevância em 2027

Foto: Américo Rodrigo
Setores do chamado PT “raiz” enxergam no ocaso político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma oportunidade para resgatar protagonismo nos estados da federação, sobretudo em Pernambuco — terra natal do atual chefe do Executivo.
Entre quadros históricos da legenda, a avaliação é que o partido precisa voltar a ocupar o espaço político que, na última década, foi transferido ao PSB de Arraes. Deputados veteranos, como João Paulo, têm defendido — ainda que de forma discreta — a necessidade de resgatar o protagonismo dos petistas considerados autênticos.
Na leitura desse grupo, o ponto de inflexão ocorreu quando Eduardo Campos consolidou a hegemonia socialista na política pernambucana. Foi ele quem desbancou o PT da prefeitura do Recife, primeiro com Geraldo Júlio e, posteriormente, abrindo caminho para a ascensão de João Campos.
Dentro dessa lógica, petistas entusiastas de uma reorganização da esquerda defendem que a senadora Teresa Leitão lance candidatura ao governo do estado sob o argumento da necessidade de três palanques para Lula em Pernambuco. Na prática, porém, a estratégia teria um objetivo político mais amplo: impedir que João Campos concentre a liderança do campo progressista no estado.
Esse movimento ocorre em um momento delicado para o PSB. Nos corredores palacianos e nas redações, fala-se abertamente na possibilidade de uma saída simultânea de nomes relevantes do entorno socialista — como Silvio Costa Filho, Marília Arraes e Miguel Coelho — em direção ao campo governista liderado pela atual governadora Raquel Lyra. Seria uma resposta coletiva ao "desatino" de preterir aliados em benefício do PP. Nesse desenho, inclusive, Sílvio Costa Filho e Marília Arraes disputarão o Senado na chapa majoritária encabeçada por Raquel.
Tereza Leitão poderá substituir João Campos
Para os setores mais tradicionais do PT, a lógica é direta: a energia da militância e capital político de Lula em seu principal reduto precisam ser canalizados para fortalecer o partido. O objetivo central seria garantir a reeleição do senador Humberto Costa e ampliar as bancadas petistas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
Os mais eufóricos acreditam que João Campos desiste da disputa e o PT fica sozinho no ringue contra Raquel.
A preocupação desse grupo é que uma chapa liderada por João Campos produza três efeitos considerados potencialmente devastadores para o partido. O primeiro seria a derrota de Humberto Costa na disputa pelo Senado, diante da limitada capilaridade do prefeito recifense no interior do estado. O segundo seria uma votação reduzida para os candidatos petistas à Câmara Federal, que poderia resultar na eleição de apenas um ou dois parlamentares. O terceiro — considerado o mais grave — seria a transferência definitiva do protagonismo político do campo progressista pernambucano para o bisneto de Miguel Arraes.
Para esses dirigentes, uma conjuntura desse tipo teria consequências de longo prazo. Sem a presença eleitoral de Lula em futuras disputas nacionais, recuperar espaço político em Pernambuco poderia se tornar tarefa extremamente difícil - talvez inglória, cristalizando irrelevância a partir de 2027.
Nesse cenário, ganha força a leitura de que a última disputa com Lula nos palanques pernambucanos poderá ser simbolicamente representada por um confronto entre Raquel Lyra e Teresa Leitão, com Humberto Costa no ringue petista.
Se esse arranjo se confirmar, os próximos anos tenderão a consolidar uma disputa tripla em Pernambuco. De um lado, a atual governadora e seu robusto grupo; de outro, João Campos e o Partido dos Trabalhadores brigando pelo controle da esquerda.
Nesse intervalo estratégico, ocorrerá ainda a disputa pela prefeitura do Recife. É nesse momento que o PT pretende voltar de forma mais direta às competições municipais, reconstruindo sua militância e ampliando sua presença institucional. O objetivo não seria apenas disputar o comando da capital, mas também eleger vereadores, reconstruir narrativas políticas e reocupar espaço dentro do campo progressista pernambucano.
Um fato salta aos olhos: Lula ascendeu e inicia sua retirada da vida pública sem que nunca o PT tenha governado Pernambuco.
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