Em alusão à Consciência Negra, crianças produzem bonecas ‘abayomi’ utilizando retalhos de tecidos
por CLOVES TEODORICO
Para tranquilizar seus filhos nas viagens a bordo dos navios que faziam o transporte de escravos da África para o Brasil, as mães africanas rasgavam as próprias vestes e criavam pequenas bonecas para simbolizar amuletos de proteção nos pequeninos durante a travessia marítima. Na história, o ato ficou conhecido como Abayomi, que significa ‘Encontro precioso’. Com o objetivo de criar identificação cultural e em alusão ao Dia da Consciência Negra, vivenciada na próxima segunda-feira (20), o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Quilombo promove, até esta sexta-feira (17), uma oficina de criação das bonecas.
Ao todo, 40 crianças, de 6 a 14 anos de idade, e que integram o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), participam da oficina, que iniciou na última terça-feira (14). Na atividade, eles utilizam material 100% natural - retalhos de tecidos diversos, adquiridos nas próprios comunidades quilombolas locais - e soltam a imaginação, usando a criatividade como peça-chave na reprodução das bonecas. As aulas têm a orientação de educadores sociais.
Estão participando da oficina moradores das comunidades Estivas, Castainho e Timbó. De acordo com a coordenadora do Cras Quilombo, Fabíola Vasconcelos, a identificação com a história pôde ser vista de imediato, quando o grupo foi em busca dos tecidos nas residências das comunidades. “Algumas pessoas disseram que conheciam as bonecas, quando conversávamos sobre o que seria a atividade, então isso mostra o quanto é significativo o ato de criar novas peças e repassar isso para as gerações mais novas”, finaliza a servidora.
Fotos: Camila Queiroz - Secom/PMG
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