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Givaldo
Calado de Freitas
Gosto
muito de São Paulo. Vez em quando levo meu netinho, Guilherme, conosco - eu e
Emília. Disse-o desta vez: “Vou a São Paulo me encontrar com sua avó. Quer ir
comigo?”. No que ele me responde: “Quero vovô. Também gosto muito de São
Paulo!”. “Então fale com seus pais”, disse-o.
Durante
esses nossos dias a dia em São Paulo, estas linhas levarão o título de “Gosto
de Sampa.” Nossa estada será no Maksoud, que sempre nos acolheu muito bem nesta
cidade.
Emília,
já em São Paulo, em nosso aguardo, já que aqui chegara desde sexta-feira (25),
procedente de Paris, aproveitando as férias de nossas filhas, Germana e
Giovanna, que moram nos EUA. Cheguei a perguntar: “Por que só as três?”. E ela
me respondeu: “Viagem só de mãe e filhas”. Fiquei na minha. Mas com uma
pontinha de ciúme. Fazer o quê?!
Nosso
desembarque, ontem, (31) - meu e de Gui - se deu por volta das 13 horas, no
aeroporto de Congonhas, de onde partimos direto para o Maksoud. Lá, Emília já
nos aguardava. De lá, saímos para almoçar, e só viemos a fazer Check In por volta das 16 horas. E por
lá ficamos. E por lá jantamos. No “150”, restaurante do hotel. Muito bom!
Só
agora, quase 10 horas da manhã deste 1º.09.2017, abrimos os olhos. Abrimos? Eu,
pelo menos, ainda na dúvida: abrir ou não abrir?
Gui,
de "falador ligado", dizendo dos hábitos de seu professor de mandarim:
“Ele toma café da manhã, pelo menos uma vez por mês, em um hotel chique da
cidade”. Tive vontade de pedir a Gui para perguntar ao seu professor se ele já
tomara café da manhã no Palace. Balbuciei, todavia: “falador ligado”. “Que é
isso vovô?”, perguntou-me.
“É
um eufemismo, Gui. Cá pra nós. Às vezes sou meio eufêmico. Ou seja: substituo
expressões por outras mais suaves. Como não gosto de usar a expressão ‘sujeito
tagarela’, ‘sujeito matraqueador’... suavizo essas expressões e digo ‘sujeito
falador’. Aí quando o sujeito está naquele estado, lá venho eu e digo: ele está
com o ‘falador ligado’.”
Silêncio,
todavia, diante das gostosuras das camas. Que pareciam, nelas, nos segurar. No
mínimo, por terem gostado de nossas presenças.
Emília,
“ligando o falador", começa dizendo da nova concepção de aluguéis em São
Paulo: “Um espaço, um vão..., alugado para tantos exporem seus produtos,
disse-me Aparecida”. Com quem Emília esteve por esses dias. Ela que mora em São
Paulo. "Vou falar com Dinho sobre o assunto". E por aí, ia, ia. Sem parar. Com o seu
“falador” disparado.
Eu,
dizendo a mim mesmo: não se dorme nessa cidade. Nem no Maksoud. Templo sagrado
de Sinatra. Sim, de Frank Sinatra. Quando de suas incursões pelo Brasil. Que
horror! Que horror! Não se dorme...
De
repente: “Minha gente! Vamos embora! Se não vamos perder o café da manhã”. A
ordem, não precisa dizer. Sabe-se de sua autoria.
Verdade,
digo eu, que, ainda sonolento, ouvi Emília, perguntar, ato contínuo: “E a
programação de hoje?”. Digo-a: “É com Gui. Passou horas montando. Certamente
fazendo pesquisas, entrevistas... para saber do bom em São Paulo. Não vamos
contrariá-lo. Vamos cumprir seu programa. E, integralmente. Neto é neto. E avós
são para isso mesmo”.
Descemos
para o café. Uma beleza! Tudo! A começar pelo encanto, educação e atitude
receptiva do controle do “Restaurante 150”. Lá dentro, os garçons muito servis
e diligentes. Sobre as mesas, um anúncio: “Não hesite em solicitar a um garçom
o que desejar”. “Mas que lindo!”, disse. Claro que a mim mesmo. Coisa de quem
sabe das coisas nesse ramo difícil que é a hotelaria. Salve a paixão! O
hoteleiro tem que ser sempre, sobretudo, um apaixonado pela arte de bem
receber. E bem servir. Vou levar essa mensagem ao Palace. “Será que tenho que
pagar algum direito autoral?”, pergunto a mim mesmo.
Penso
em Emília: aqui ela está feita. Olho pra Gui e digo: “‘Tá’ sabendo, não é Gui?
Aqui, no Maksoud, temos que comer muito, sobretudo no café da manhã”. “Vovó,
ontem comprei sorvetes. Botei na geladeira e ele derreteu todo!”. “Gui, a
geladeira da Unidade não tem congelador”, disse-o Emília.
“Emília,
teste o anúncio e peça ao garçom para colocar os sorvetes de Gui no congelador”.
Ela falou com o garçom, e os sorvetes de Gui vão voltar a serem sorvetes.
“Vamos,
vovô. Vamos sair. Vamos!”. “Vamos, Gui. Mas vamos, todos, primeiro, ao Hospital
Santa Catarina. Sua avó vai fazer um exame lá. Depois, a gente sai à execução
da nossa agenda”, disse-o. “Nossa não, vovô. Minha!”. De certo, Gui. De certo!
Coisa de neto para vovô.
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Figura pública. Empresário.
* Crônica redigida em 1º.09.2017


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