GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Marinho complementa Moro


Por José Nêumanne Pinto*
O empresário carioca Paulo Marinho, que emprestou sua casa para a gravação de programas da campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, contou a Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que o primogênito do chefão, Flávio, respondeu à questão feita pela Nação sobre motivos pelos quais o capitão é obcecado pela superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio. O filhote dito 01 contou-lhe que três assessores dele ouviram de um delegado bolsonarista da PF que a Operação Furna da Onça foi deflagrada depois do segundo turno da eleição para não prejudicar o então candidato do PSL à Presidência. Marinho contou aos jornalistas que apresentou “elementos” (provas) em dois depoimentos à PF. Não havia dúvida de que Moro não mentiu ao acusar e, ao fingir defender-se, o próprio presidente comprovou tudo. Mas a entrada desse personagem novo acabou por dar toda a razão ao ex-ministro da Justiça e tornar as tentativas de responder do senador mera galhofa.
O corpo mole da Procuradoria-Geral da República (PGR) transforma o dublê de advogado Augusto Aras em “puxa-saco presidencial” de uma republiqueta de bananas (egressas do Vale do Ribeira, onde JB nasceu) se continuar se negando a oferecer denúncia sobre o chefe do Poder Executivo, apesar de todas as evidências. À saída do segundo depoimento, um dos inquiridores do empresário deu mais uma razão a essa hipótese ao declarar aos repórteres que o Ministério Público Federal não poderia investigar a denúncia de O Antagonista de que contas bancárias do acusador foram devassadas “informalmente” pelo Coaf, hoje órgão do Banco Central, sob comando do PR. Afinal, a devassa teria sido “informal”. O sub-relapso é Eduardo Benones, fiel à linha do relapso-mor.
Pelo que já se sabe do caso, é possível que sejam instalados com urgência, no Senado, processos de impeachment do presidente, do senador das milícias e do “puxa-saco presidencial”. Para os dois primeiros, a Câmara terá de autorizar, com dois terços dos votos. Para comprar o terço de votos necessários para os dois primeiros escaparem de punição o principal denunciado desembolsa no momento R$ 86 bilhões de orçamentos de FNDE, Banco do Nordeste, Codevasf e Dnocs. A famiglia Bolsonaro nunca teve dificuldade para usar dinheiro público em proveito próprio. No rastro da denúncia de Marinho foi publicado que um dos assessores de Flávio que conversaram com o vazador bolsonarista da PF, o advogado Victor Granado Alves, recebeu R$ 500 mil do PSL, cujo diretório no Rio era presidido pelo primeiro filhote, na base de R$ 40 mil por mês, subtraídos do Fundo Partidário, para honrar honorários privados do clã. Como o partido não está sob controle da famiglia, não será impossível comprovar esse dano ao erário.
* Jornalista, poeta e escritor

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