Por Edmar Lyra
O almoço com a imprensa promovido nesta sexta-feira (14) pelo presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Armando Monteiro Bisneto, revelou mais do que números e anúncios: expôs a convicção de que o porto vive um momento estratégico e, ao mesmo tempo, decisivo para o futuro econômico de Pernambuco. Bisneto, que tem adotado um estilo assertivo e de forte presença institucional, não economizou nas palavras ao projetar o papel de Suape nos próximos anos. “Suape vai contribuir muito para o desenvolvimento de Pernambuco”, afirmou, delineando o que considera ser o novo ciclo de expansão do equipamento.
Com números robustos e metas ambiciosas, Bisneto reforçou a visão de que o porto está a caminho de assumir uma posição de destaque nacional. Ele foi categórico: “Suape será o grande porto do Norte e Nordeste. Todo o escoamento da Bahia para cima será por Suape.” O presidente lembrou ainda que, embora Santos siga sendo o maior porto do país, Suape já ocupa a 6ª posição entre os portos públicos em movimentação de cargas e, segundo ele, tem potencial para alcançar o 4º lugar no futuro próximo. As declarações mostram que há confiança — e planejamento — por trás do discurso e sinalizam uma disputa clara pela liderança logística na região.
Entre os anúncios que reforçam essa escalada competitiva, Bisneto destacou a expansão do Tecon Suape, movimento que deve ampliar a capacidade de contêineres e atrair novas rotas internacionais. Outro ponto relevante é a criação da ZPE (Zona de Processamento de Exportação) no Cabo de Santo Agostinho, considerada um divisor de águas para consolidar Suape como polo industrial exportador. A ZPE, pela sua natureza jurídica e fiscal, tende a atrair indústrias, gerar empregos e estimular cadeias produtivas de maior valor agregado.
Ele também chamou atenção para os investimentos em energias renováveis — área que desponta como um dos novos pilares de Suape — e para o processo de privatização do centro de distribuição de automóveis, um ativo estratégico para empresas do setor automotivo. Esses movimentos dialogam com a agenda nacional de transição energética e modernização da infraestrutura portuária, aproximando Suape de padrões internacionais de eficiência e sustentabilidade.
O conjunto das iniciativas e o tom adotado por Armando Monteiro Bisneto deixam claro que a gestão está determinada a reposicionar o porto num patamar superior. A fala firme e a agenda de investimentos revelam não apenas um projeto econômico, mas um cálculo político: se Suape voltar a ser o motor do crescimento de Pernambuco, como Bisneto pretende, a influência do complexo — e de sua presidência — tende a crescer no mesmo ritmo. Em ano pré-eleitoral e com o estado em busca de reequilibrar suas forças produtivas, Suape pode novamente se tornar o centro do debate sobre desenvolvimento e competitividade. A aposta está lançada.

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