Da Coluna do Magno Martins

Nos Estados, as eleições para governador dificilmente ficarão desatreladas da corrida presidencial. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, por exemplo, o presidente Lula (PT) já fez uma jogada silenciosa para viabilizar Geraldo Alckmin (PSB) ou Fernando Haddad (PT) como alternativas a governador quando convenceu Guilherme Boulos (Psol), que queria ser candidato a governador, a virar ministro. Menos um para criar problemas.
Em Pernambuco, não será diferente. A rearrumação do quadro para governador está nas mãos do presidente do PSD, o partido de Raquel Lyra, Gilberto Kassab. Se Alckmin entrar na disputa para o Governo de São Paulo, a vaga de vice na chapa de Lula pode ser ocupada pelo PSD, o que levaria o PT a abrir dois palanques em Pernambuco para Lula.
Como previu o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, a força e a influência de Lula em seu Estado de origem seriam disputadas pelos rivais Raquel e João. Bom para Lula, ruim para Raquel e João. João não ficaria bem na fita por não ter a exclusividade de Lula num cenário em que sua reeleição venha a ser favas contadas.
Já Raquel também sairia no prejuízo, porque, diferentemente da eleição passada, quando não assumiu nem Lula nem Bolsonaro, estreitaria o seu palanque optando por Lula. Perderia os votos da direita e, principalmente, dos bolsonaristas. Mas este é o preço a ser pago para ambos os lados do casamento forçado e obrigatório dos vínculos das eleições presidenciais com as estaduais.
Pernambuco não é uma ilha e será tratado por Lula e os arquitetos do seu projeto de reeleição dessa forma, queira ou não João ou Raquel. As cartas já estão postas na mesa de um jogo que só irá clarear em meados de julho, prazo para as convenções partidárias que homologarão os candidatos a presidente e governador.
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