sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O recado de Humberto Costa

 

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Por Edmar Lyra

O xadrez político de Pernambuco começa a ganhar contornos mais definidos a partir das declarações do senador Humberto Costa, uma das principais lideranças do PT no estado. Ao afastar a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subir no palanque da governadora Raquel Lyra (PSD), o petista indicou que, no momento eleitoral, a prioridade do partido tende a ser o apoio a João Campos. A posição, no entanto, não representa um rompimento com o governo estadual, mas sim a reafirmação de uma escolha estratégica baseada em alianças históricas e na correlação de forças locais.

A fala de Humberto ocorre em meio à disputa já instalada entre Raquel Lyra e o prefeito do Recife, ambos aliados do Planalto em alguma medida. A governadora tem feito gestos claros ao governo federal, buscando se credenciar como parceira institucional e política de Lula em Pernambuco. João Campos, por sua vez, mantém diálogo direto com o PT e com o presidente, amparado por uma relação construída ao longo de décadas entre o lulismo e o PSB. Nesse contexto, a sinalização do senador funciona mais como um balizador do campo petista do que como uma declaração de exclusão definitiva.

O peso histórico do grupo socialista ajuda a explicar essa inclinação. O campo político hoje liderado por João Campos exerceu influência direta sobre o estado por quase quatro décadas, somando 16 anos consecutivos de governos de Eduardo Campos e Paulo Câmara e outros oito anos, em períodos alternados, sob Miguel Arraes. Essa longa permanência no poder criou uma base política capilarizada, com forte presença institucional e eleitoral, o que torna o PSB um aliado estratégico difícil de ser preterido pelo PT sem custos relevantes.

Ainda assim, a tese de dois palanques segue viva. Apesar de marchar com João Campos, o PT não descarta manter uma relação cordial e funcional com a governadora Raquel Lyra, separando a disputa estadual da construção nacional. A afirmação de Humberto Costa de que o PSD deverá apoiar “majoritariamente” a reeleição de Lula no Nordeste reforça essa leitura. O recado é pragmático: em Pernambuco, a aliança prioritária tende a ser com o PSB; no plano federal, a convergência com o PSD permanece no horizonte, preservando pontes e evitando rupturas desnecessárias.

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