terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Tendo maioria na Câmara, João Fujão escapa de início da tramitação de pedido de impeachment

Em uma sessão com galerias lotadas e clima acirrado na Câmara Municipal do Recife, os vereadores rejeitaram o pedido de admissibilidade de tramitação do pedido de impeachment do prefeito João Campos

Diario de Pernambuco


Plenário da Câmara Municipal do Recife (Marina Torres/DP Foto)

Em uma sessão com galerias lotadas e clima acirrado na Câmara Municipal do Recife, os vereadores rejeitaram o pedido de admissibilidade de tramitação do pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB), nesta terça-feira (3).

O placar da votação foi de 25 votos contrários ao pedido, feito pelo vereador Eduardo Moura (Novo), e nove favoráveis. Houve uma abstenção.

O pedido foi feito após a repercussão envolvendo a nomeação do 63º colocado em um concurso com cargo na vaga para pessoa com deficiência (PCD).

Moura apresentou seus argumentos de que João Campos cometeu crime de responsabilidade e de improbidade, ao nomear um procurador na cota de pessoa com deficiência. Ele apresentou o relatório com 480 páginas para que fosse aberto o processo de investigação.

O líder do Governo, Samuel Salazar (MDB), defendeu o prefeito, afirmando que João Campos tinha base legal na sua decisão, e que o pedido de impeachment “é completamente vazio”.

Clima

Na plateia do plenário, apoiadores do prefeito João Campos exibiram faixas e gritaram palavras de ordem durante a fala do vereador da oposição, Eduardo Moura. Frases como "é o melhor prefeito do Brasil" também foram proferidas.

Com o início da votação, a vereadora do PSOL Jô Cavalcanti, que integra a base governista na Casa, decidiu se abster. Da galeria, apoiadores do prefeito condenaram a posição da parlamentar: "É covardia demais. Tá arregando" gritaram.

Do lado de fora do plenário, dezenas de opositores ao governo de João Campos também estiveram presentes, protestando a favor do impeachment do prefeito. Algumas faixas também eram mostradas, pedindo pela aprovação da admissibilidade da tramitação do impeachment: “Investigar sim, impunidade não” era uma delas.

Após a admissibilidade ser negada, vereadores da oposição ainda tentaram falar e ressaltar a injustiça da decisão. Apoiadores do prefeito que ainda estavam na plateia vaiavam os parlamentares.

Repercussão

Eleitor de João Campos, Geraldo Araújo esteve na Câmara nesta terça e afirmou que “foi palco eleitoral” e que o pedido era “ilegal”.

Da oposição, Cleto Correia afirmou que disse que foi para a Câmara em “busca de investigação”. “Quem não deve, não precisa temer”, declarou.

Depois da votação

Com o encerramento da discussão do impeachment e a saída dos apoiadores do prefeito no plenário, o clima ficou tenso no lado de fora da Câmara Municipal do Recife, onde a oposição a João Campos estava protestando.

A equipe do Diario flagrou o momento em que um homem deu um chute em outro, de posição política contrária. A Guarda Municipal foi obrigada a intervir. Os envolvidos foram afastados e levados para longe da porta de entrada do plenário. A Polícia Militar e o GTO também estiveram no local para conter a multidão.

Mesmo depois dessa confusão, foi possível acompanhar bate-boca entre os grupos que demonstravam posições contrárias.

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