sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Porquê o Hospital Regional de Garanhuns leva o nome do nosso filho ilustre, o Dominguinhos


Falar de Dominguinhos (José Domingos de Morais) é falar da própria alma da sanfona brasileira. Ele não foi apenas um sucessor de Luiz Gonzaga; ele foi o músico que levou o instrumento para patamares de sofisticação que uniram o sertão ao jazz.

Aqui está um resumo da trajetória desse mestre:

O Início: De Garanhuns para o Mundo

Nascido em 1941 em Garanhuns, Pernambuco, Dominguinhos começou cedo. Aos seis anos, já tocava pandeiro no grupo "Os Três Pingos de Ouro", formado com seus irmãos.

A grande virada aconteceu em 1950, quando Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, o ouviu tocar. Encantado com o talento do menino, Gonzaga o convidou a ir para o Rio de Janeiro e lhe deu sua primeira sanfona de 80 baixos.


O Herdeiro do Rei

No Rio, ele se tornou o "afilhado" artístico de Gonzaga. Foi o Rei do Baião quem o apelidou de Dominguinhos (antes era conhecido como Neném do Acordeon).

Embora tenha bebido da fonte do forró tradicional, Dominguinhos desenvolveu um estilo próprio, incorporando elementos de:

 * Choro

 * Jazz

 * Bossa Nova

Isso o tornou um instrumentista absurdamente versátil, respeitado tanto pelos sanfoneiros de feira quanto pelos grandes maestros.

Parcerias e Sucessos Imortais

Dominguinhos não era só um virtuoso na sanfona; era um compositor de mão cheia, dono de uma voz doce e melancólica. Suas parcerias mais famosas foram com Anastácia (sua esposa por anos e coautora de centenas de músicas) e Gilberto Gil.

Alguns de seus maiores clássicos incluem:

 * "Eu Só Quero um Xodó": Um hino da música brasileira, regravado por dezenas de artistas.

 * "De Volta Pro Aconchego": Imortalizada na voz de Elba Ramalho.

 * "Gostoso Demais": Outra canção que define o "sentimento" do Nordeste.

 * "Lamento Sertanejo": Uma melodia profunda que reflete a solidão do migrante.

O Legado


Dominguinhos faleceu em 2013, deixando um vazio enorme na música popular brasileira. Ele recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Grammy Latino, mas seu maior troféu foi a humildade e a capacidade de fazer a sanfona "chorar" e "sorrir" com a mesma facilidade.

"A sanfona é o meu pulmão. Se eu parar de tocar, eu paro de respirar." — Dominguinhos

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