Falar de Dominguinhos (José Domingos de Morais) é falar da própria alma da sanfona brasileira. Ele não foi apenas um sucessor de Luiz Gonzaga; ele foi o músico que levou o instrumento para patamares de sofisticação que uniram o sertão ao jazz.
Aqui está um resumo da trajetória desse mestre:
O Início: De Garanhuns para o Mundo
Nascido em 1941 em Garanhuns, Pernambuco, Dominguinhos começou cedo. Aos seis anos, já tocava pandeiro no grupo "Os Três Pingos de Ouro", formado com seus irmãos.
A grande virada aconteceu em 1950, quando Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, o ouviu tocar. Encantado com o talento do menino, Gonzaga o convidou a ir para o Rio de Janeiro e lhe deu sua primeira sanfona de 80 baixos.
O Herdeiro do Rei
No Rio, ele se tornou o "afilhado" artístico de Gonzaga. Foi o Rei do Baião quem o apelidou de Dominguinhos (antes era conhecido como Neném do Acordeon).
Embora tenha bebido da fonte do forró tradicional, Dominguinhos desenvolveu um estilo próprio, incorporando elementos de:
* Choro
* Jazz
* Bossa Nova
Isso o tornou um instrumentista absurdamente versátil, respeitado tanto pelos sanfoneiros de feira quanto pelos grandes maestros.
Parcerias e Sucessos Imortais
Dominguinhos não era só um virtuoso na sanfona; era um compositor de mão cheia, dono de uma voz doce e melancólica. Suas parcerias mais famosas foram com Anastácia (sua esposa por anos e coautora de centenas de músicas) e Gilberto Gil.
Alguns de seus maiores clássicos incluem:
* "Eu Só Quero um Xodó": Um hino da música brasileira, regravado por dezenas de artistas.
* "De Volta Pro Aconchego": Imortalizada na voz de Elba Ramalho.
* "Gostoso Demais": Outra canção que define o "sentimento" do Nordeste.
* "Lamento Sertanejo": Uma melodia profunda que reflete a solidão do migrante.
O Legado
Dominguinhos faleceu em 2013, deixando um vazio enorme na música popular brasileira. Ele recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Grammy Latino, mas seu maior troféu foi a humildade e a capacidade de fazer a sanfona "chorar" e "sorrir" com a mesma facilidade.
"A sanfona é o meu pulmão. Se eu parar de tocar, eu paro de respirar." — Dominguinhos
Nenhum comentário:
Postar um comentário