sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Empresas do Araripe começam a escoar gipsita e calcário pela Transnordestina

Com esse movimento, as cargas do Araripe que eram destinadas ao ramal Salgueiro-Suape da Transnordestina, agora escoam por outros ramais

Ângela Fernanda Belfort

Transnordestina
Transnordestina/Foto: TLSA

As empresas Siqueira Mineração e a mineradora do grupo Trevo Gesso, ambas da região do Araripe pernambucano, iniciaram os testes com embarque, em Ouricuri, do calcária agrícola e da gipsita bruta nos trens da Ferrovia Transnordestina no trecho entre as cidades de Bela Vista do Piauí, no Piauí, e o terminal de Iguatu, na cidade de nome homônimo, no Ceará. Esta parte da ferrovia já tem 727 km concluídos e pertence ao trecho Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém que tem uma extensão total de 1206 Km.

A expectativa era de que as cargas do Araripe fossem escoadas nos trens da Transnordestina para o Porto de Suape, mas as obras do trecho Salgueiro-Suape estão há mais de 10 anos paralisadas. E o grande parte da ferrovia que vai para o Porto de Pecém deve ser concluída até 2027.

O embarque do calcário foi realizado, na terça-feira (10), pela Siqueira Mineração com destino a Bela Vista do Piauí, no Piauí, e deve chegar a região do Matopiba – formado pelo oeste baiano, o Sul do Piauí e do Maranhão, e Tocantins. O calcário é um subproduto da gipsita e é muito utilizado na área agrícola. “É o primeiro teste pela Transnordestina, um sonho de todos os empresários. Hoje, estamos escoando calcário, mas depois vamos transportar gipsita, gesso agrícola e brita”, disse nas redes sociais o presidente da Siqueira Mineração, o empresário Chico Siqueira.

Já o minério de gipsita bruto para dry wall foi produzido pela Mineradora Boa Esperança e colocado, nos trens, com destino a uma fábrica em Abaiara, cidade da região do cariri cearense próxima à Missão Velha. O embarque foi iniciado nesta quarta-feira (11) e serão transportadas 500 toneladas de gipsita nesta primeira experiência. Para o leitor ter ideia, um caminhão com caçamba dupla transporta 50 toneladas de gipsita.

“A tendência é toda esta gipsita ser escoada por trens. Vai depender do custo. Quando mandamos por rodovia, o caminhão faz um percurso de 160 km. A gente vai avaliar se há viabilidade do transporte desta carga em curta distância “, diz o diretor administrativo do Grupo Trevo Gesso, Demontie Alencar. O grupo tem uma mineradora em Ouricuri, uma fábrica de gesso em Trindade e alguns sócios têm participação societária em outra mineradora. As duas mineradoras têm um potencial de escoar 12 mil a 15 mil toneladas de gipsita por mês, de acordo com Demontie.

O empresário argumenta que o gesso usado como corretivo de solo é o produto que mais poderá ser movimentado, em grandes volumes, pela ferrovia por ser muito usado no setor agrícola. “Tem que acabar também a ferrovia que vai para Suape para ter duas opções de portos, usando os trens”, comenta Demontie.

O presidente do Sindusgesso, Jorbeth Granja, destaca a importância histórica do
momento para o Polo Gesseiro do Araripe.“Hoje vivemos um marco para a nossa região. A Transnordestina começa a se tornar umarealidade concreta para o setor mineral, especialmente para o Polo Gesseiro, que há décadas sonha com uma logística mais eficiente e competitiva”, comenta.

Segundo Jorbeth, o envio de calcário e gipsita por meio do modal ferroviário representa não apenas redução de custos e ganho de competitividade, mas também mais desenvolvimento, geração de emprego e fortalecimento da economia do Araripe. “Este é um passo decisivo para consolidar nossa posição estratégica no cenário nacional e ampliar nossos horizontes de mercado”, afirma.

Nova viagem de transporte da carga da Transnordestina vai ser realizada com 20 vagões carregados com sorgo, grão amplamente utilizado na alimentação animal. Foto: Yasmin Fonseca/MIDR

A gipsita e calcário serão transportados, em fase de testes, em parte dos 727 km concluídos no trecho da Ferrovia Transnordestina que vai ligar o Piauí ao Porto de Pecém, passando por Salgueiro. Foto: Yasmin Fonseca/MIDR
O potencial da gipsita do Araripe

Os testes com as duas empresas são o primeiro passo para que grande parte da produção da gipsita e seus derivados produzidos em Pernambuco sejam escoados para o Porto de Pecém, no Ceará.

A gipsita e seus derivados têm um potencial de movimentar 1 milhão de toneladas por ano, segundo o ex-presidente da concessionária TLSA, Tufi Daher. A TLSA faz as obras do trecho Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém.

Segundo especialistas, a carga de gipsita e derivados dificilmente vai voltar a ser transportada para o Porto de Suape, quando o trecho pernambucano da ferrovia estiver pronto, o que não há previsão para ocorrer. Geralmente, a concessionária do trecho que vai chegar a Pecém vai fechar contratos de longo prazo com as empresas do Araripe.

Em Pernambuco, o polo gesseiro do Araripe está perdendo espaço no mercado nacional devido à falta de um transporte eficiente para escoar a sua produção. O Araripe já foi responsável por 95% da produção de gesso do País e hoje não chega a 70%.

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