quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SEM URNA ELETRÔNICA E SEM OS VOTOS DOS NORDESTINOS, LULA E JANJA FORAM ESCORRAÇADOS DA MARQUÊS DE SAPUCAÍ NO CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO E A ESCOLA ACADÊMICOS DE NITERÓI FOI REBAIXADA QUANDO TEVE O PIOR DESEMPENHO DA HISTÓRIA DO CARNAVAL CARIOCA*


Por Altamir Pinheiro,

O pecado capital cometido pela desastrada escola de samba ACADÊMICOS DE NITERÓI foi a falta de harmonia e ausência dos enredos em suas principais ALAS. Visto que, não houve alas se referindo ao mensalão, petrolão, sítio de Atibaia, triplex do Guarujá e muito menos a lava jato. Sequer tiveram a ideia de colocar um artista global para interpretar o prefeito  defunto de Santo André, Celso Daniel. 

Outro erro crasso foi a escolha do título do samba enredo que se chamou :  Lula, o operário do Bra…

[09:58, 2/19/2026] Marcos: Conta-se que muito depois de Midas descobrir que ouro demais vira tragédia, surgiu algo bem mais moderno: Salicar, o homem que transformava tudo em fracasso — mas com ótima assessoria de imagem.

Salicar não tinha exércitos, tinha discursos.

Não tinha império, tinha imbecis como seus fiéis seguidores.

Vestia-se como rei, falava como visionário, posava como salvador. Mas por dentro era apenas um vigarista com hálito fétido de promessa vencida.

Dizia-se na cidade que onde a boca de Salicar encostava, algo ruía.

Ele beijava o ministro — a economia tropeçava.

Beijava a testa de um aliado — o aliado acabava investigado.

Beijava contratos — as cláusulas começavam a feder e gerar problemas.

Beijava amantes — elas envelheciam décadas em poucos dias.

Mas o curioso é que ele nunca assumia culpa.

Quando o telhado caía, ele culpava a chuva.

Quando a ponte ruía, culpava o rio.

Quando sua escola de samba era rebaixada, culpava a oposição.

Jamais a própria boca. 

Jamais o fato de beijar bandeiras.

Salicar vendia uma imagem cuidadosamente polida: Fotos sorrindo; frases estúpidas; ideias antiquadas disfarçadas em papel dourado; mentiras e mais mentiras.

Era o rei do verniz.

Mas quem chegava perto demais percebia que o seu trono era de feito de compensado barato e que sua coroa era de latão.

A cidade demorou a perceber que não era uma maldição divina. Era apenas incompetência com boa oratória para ouvidos vulgares.

Certo dia, convencido de sua própria grandeza (ou ao menos da própria propaganda), decidiu inaugurar uma estátua em sua homenagem.

Mandou fazê-la maior que a igreja da cidade. Não por fé — por comparação.

No discurso, falou sobre legado, visão, sacrifício. Principalmente o sacrifício dos outros, evidente, já que ele nunca movia uma palha por alguém que não fosse ele mesmo.

A multidão assistia com aquela expressão típica de quem já foi enganado antes, mas está curiosa para ver como será desta vez.

Então veio o momento coreografado.

Ele se aproximou da estátua — que o retratava mais alto, mais forte e curiosamente mais honesto do que jamais fora — e beijou-a apaixonadamente na boca.

Houve um silêncio respeitoso. Depois um estalo, e então não foi a estátua inteira que caiu, mas apenas a cabeça. Desprendeu-se limpa, quase elegante — como se até o bronze tivesse decidido pedir exoneração.

A cabeçola colossal pairou por um segundo no ar, hesitante, talvez reconsiderando a associação… e então despencou.

Com uma precisão que a carreira de Salicar jamais conheceu atingiu-o fatalmente.

Silêncio.

A multidão não gritou.

Riu.

Não uma gargalhada escancarada — seria vulgar demais. Foi aquele riso curto, seco, quase civilizado. O tipo de riso que não pede desculpas depois. O tipo que diz:

“Ah… então é assim que grandes líderes finalmente perdem a cabeça pelo povo.”

Naquele instante, algo ficou claro.

O poder da boca de Salicar nunca foi destruir coisas, mas convencer pessoas razoáveis a fingirem que ele não as destruía.

E quando pararam de fingir — não por coragem, mas por cansaço — o feitiço evaporou como toda encenação barata: sob luz suficiente.

Salicar nunca foi um rei.

Nunca foi uma ameaça sobrenatural.

Era apenas um mentiroso com boa iluminação, slogans recicláveis e um séquito treinado para aplaudir até desabamento estrutural.

Nada além disso.

E a estátua?

Bem, nobres leitores, ela permanece até hoje na praça, porém sem cabeça.

E curiosamente, desde então, tornou-se a representação mais honesta e mais perfeita que já fizeram de Salicar.

A Toca do Lobo

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