domingo, 15 de fevereiro de 2026

Flávio Bolsonaro avança, Lula encolhe e 2026 já nasce sob o fantasma de 2022

 

Foto: Divulgação

Por Edmar Lyra

O desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de fevereiro de 2026 alterou o eixo da sucessão presidencial e produziu um fato político relevante: o bolsonarismo segue competitivo mesmo sem o ex-presidente encabeçando a disputa. Em diferentes levantamentos nacionais, Flávio aparece numericamente à frente ou em empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. O dado ganha peso quando comparado ao mesmo período do ciclo eleitoral anterior. Em fevereiro de 2022, Lula liderava com folga, enquanto Jair Bolsonaro oscilava vários pontos atrás. Agora, o cenário é de equilíbrio precoce e pressão redobrada sobre o Planalto.

A comparação histórica é inevitável. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno com 48% dos votos válidos, contra 43% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, venceu por 50,9% a 49,1%, na eleição presidencial mais apertada desde a redemocratização. Mesmo partindo de uma dianteira consistente nas pesquisas ao longo daquele ano, o petista enfrentou uma reta final dramática e um país profundamente dividido. O recado das urnas foi claro: a vantagem inicial não se traduziu em folga eleitoral. Foi uma vitória mínima, sustentada por uma coalizão ampla e por forte rejeição ao adversário.

Em 2026, porém, Lula não demonstra a mesma gordura política no ponto de largada. Se há quatro anos ele aparecia acima dos 40% com regularidade, agora oscila em patamar mais comprimido e diante de um adversário que nasce competitivo. Flávio Bolsonaro apresenta desempenho inicial superior ao que o pai registrava em fevereiro de 2022, o que indica não apenas manutenção, mas possível reorganização estratégica do campo conservador. A transferência de capital político mostra-se mais consistente do que muitos previam, sugerindo que o bolsonarismo permanece estruturado e mobilizado.

O efeito imediato é a configuração de uma disputa novamente polarizada, com risco real de repetição do cenário de 2022 — ou até de um embate ainda mais apertado. Lula começa o ciclo eleitoral sob maior vulnerabilidade relativa, sem a vantagem confortável que teve no passado recente. Já Flávio consolida-se como herdeiro viável de um eleitorado fiel e numeroso. Se o histórico ensina que liderança em pesquisa não garante tranquilidade nas urnas, o retrato atual aponta para uma corrida longa, dura e definida nos detalhes, como foi a última — talvez ainda mais.

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