Por Edmar Lyra
A possível filiação de Marília Arraes ao PDT reconfigura o tabuleiro político pernambucano e introduz uma variável de peso na disputa pelo Senado em 2026. A movimentação, articulada pelo presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, indica que o partido trabalha com dois cenários: integrar a chapa do prefeito do Recife, João Campos, ou, em caso de inviabilidade, abrir diálogo com a governadora Raquel Lyra. Em ambos os casos, o objetivo central é assegurar a candidatura de Marília ao Senado dentro de uma composição competitiva da Frente Popular ou de um arranjo alternativo que garanta musculatura eleitoral.
Segundo Lupi, a prioridade do PDT é compor a provável chapa majoritária encabeçada por João Campos, consolidando um palanque robusto no campo progressista. Nesse desenho, Marília disputaria o Senado numa dobradinha com Humberto Costa, reforçando a aliança entre pedetistas, socialistas e petistas. A engenharia política, no entanto, não é simples. Outros nomes também orbitam a construção da chapa, como Silvio Costa Filho e Miguel Coelho, o que amplia a disputa interna por espaços e exige acomodação cuidadosa para evitar fissuras. A eventual ida de Marília ao PDT, nesse contexto, funcionaria como elemento de coesão, desde que haja garantia clara de espaço na majoritária.
O plano B exposto por Lupi revela pragmatismo e disposição para negociações amplas. Caso a composição com João Campos não assegure a vaga ao Senado, o PDT admite apoiar a reeleição de Raquel Lyra, hoje filiada ao PSD, como forma de viabilizar o projeto de Marília. Não se trata da hipótese preferencial, mas tampouco é descartada. A sinalização pública do dirigente pedetista aumenta o poder de barganha do partido e coloca pressão sobre os atores da Frente Popular para definirem, com antecedência, o desenho eleitoral. Ao mesmo tempo, indica que Marília não pretende entrar numa disputa sem garantias mínimas de competitividade e estrutura partidária.
A eventual migração de Marília Arraes para o PDT, portanto, transcende uma simples troca de legenda. É movimento estratégico que pode redefinir alianças, tensionar negociações e antecipar o debate sobre o Senado em Pernambuco. Com recall eleitoral consolidado e trajetória própria no campo progressista, Marília torna-se peça-chave num xadrez que envolve interesses estaduais e nacionais. Se confirmada, sua filiação ao PDT exigirá das lideranças locais habilidade para equilibrar projetos pessoais e coalizões partidárias. O jogo está aberto — e a disputa por uma vaga no Senado promete ser um dos capítulos centrais da sucessão estadual.

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