Por Edmar Lyra
O Carnaval de 2026 entra para a história de Pernambuco não apenas pelo brilho dos palcos e pela força cultural que ecoou do Litoral ao Sertão, mas pelos números que o acompanham. Sob a liderança da governadora Raquel Lyra, o Estado registrou o período momesco mais seguro desde 2004. Foram 57 homicídios em todo o território durante os dias oficiais da festa — o menor índice em 22 anos. Em comparação com 2025, os dados apontam quedas relevantes: roubos de celulares recuaram 51%, assaltos diminuíram 40,1%, furtos caíram 16,8% e os homicídios tiveram redução de 5%. Não se trata de retórica, mas de estatística.
Segurança pública é tema sensível e costuma ser campo minado para governos. Por isso, quando os indicadores cedem, é preciso reconhecer que há método por trás do resultado. A combinação de planejamento operacional, integração entre forças policiais e monitoramento reforçado nos polos de folia revela que o Estado adotou uma estratégia baseada em inteligência e presença ostensiva. A redução expressiva dos crimes patrimoniais, especialmente o roubo de celulares, sugere foco em delitos que mais afetam a sensação de segurança da população.
Mas o impacto não foi apenas nas delegacias. O Carnaval também confirmou sua vocação econômica. Dados preliminares indicam mais de 2,8 milhões de visitantes, ocupação hoteleira média de 98% e cerca de R$ 3 bilhões circulando na economia pernambucana. Segurança e turismo caminham juntos: quanto maior a confiança, maior a disposição para viajar, consumir e investir. A equação é direta — tranquilidade gera fluxo, e fluxo gera renda. Em um Estado que depende fortemente do setor de serviços, a engrenagem funcionou com eficiência.
O desafio agora é transformar o êxito pontual em política permanente. Carnaval é vitrine, mas governar exige regularidade. A consolidação de uma política de segurança consistente, aliada à valorização cultural e à articulação com municípios, pode estabelecer um novo padrão de gestão. Se os números de 2026 forem o início de uma curva sustentável de queda na criminalidade, Pernambuco não terá apenas feito um grande Carnaval. Terá dado um passo estrutural rumo a um ambiente mais seguro e economicamente vibrante — com reflexos que ultrapassam a Quarta-Feira de Cinzas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário