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| Fernando Coelho na posse de Dilma(PT), e com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) |
Por Carlos Madeiro, Do UOL – Alvo da PF hoje, a família Bezerra Coelho tem uma longa trajetória de protagonismo em Petrolina, maior cidade do interior de Pernambuco. Nos últimos anos, tornou-se o grupo político mais poderoso do sertão do estado.
Além do domínio local, desde a década passada a família passou a se destacar por uma flexibilidade ideológica que a levou da esquerda a papéis de liderança no governo de Jair Bolsonaro (PL).
O patriarca, Fernando Bezerra Coelho (MDB), é o principal exemplo dessa trajetória. Foi ministro no governo de Dilma Rousseff (PT), mas apoiou o impeachment e, em seguida, tornou-se líder no Senado dos governos de Michel Temer (MDB) e de Bolsonaro.
Fernando Bezerra Coelho, Fernando Filho, Michel Temer e Miguel Coelho (Da esq. p/ dir.)Do PSB ao bolsonarismo
Fernando Bezerra Coelho ganhou destaque no primeiro mandato do então governador de Pernambuco Eduardo Campos (2007-2010). Após atuar como secretário de Desenvolvimento Econômico, foi indicado por Campos para assumir o Ministério da Integração Nacional de Dilma, em janeiro de 2011.
No cargo, comandou obras como a transposição do rio São Francisco até outubro de 2013, período em que o PSB já articulava o rompimento com o governo Dilma para lançar Campos à Presidência.
Ainda ministro, Fernando defendia uma tentativa de aliança entre os dois partidos para a eleição de 2014, mas deixou o governo para apoiar a candidatura de Campos, que morreria em acidente aéreo naquele ano, durante a campanha presidencial.
Em 2016, apoiou o impeachment de Dilma e, no Senado, tornou-se um dos principais articuladores políticos de Temer, de quem foi líder do governo. Teve papel relevante na tramitação de pautas como a reforma trabalhista, aprovada em 2017.
Líder com Temer e Bolsonaro
Além da liderança no Senado, a família ampliou sua influência no Executivo federal. Fernando Coelho Filho —hoje deputado federal pelo União Brasil e também alvo da operação — foi ministro de Minas e Energia entre maio de 2016 e abril de 2018, quando deixou o cargo para disputar a eleição à Câmara.
No mesmo período, a família consolidou seu domínio local ao eleger Miguel Coelho (União) prefeito de Petrolina, em 2016. Ele foi reeleito em 2020 e renunciou no ano seguinte para disputar o governo de Pernambuco, ficando em terceiro lugar.
A guinada mais à direita ocorreu durante a gestão Bolsonaro. Fernando Bezerra foi líder do governo no Senado entre 2019 e 2021 e se tornou um articulador estratégico, especialmente entre parlamentares do Nordeste —região onde o governo tinha pouca base.
Foi nesse período que, em 2020, ele destinou R$ 175 milhões para obras de infraestrutura na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), em Petrolina, por meio de emendas de relator —o chamado orçamento secreto.
Esses repasses estão entre os alvos da investigação atual, que apura possível direcionamento de licitações vencidas pela companhia e suspeita de que parte dos valores desviados teria sido utilizada para pagamento de propina.
Planos para 2026
Desde que deixou o Senado, em fevereiro de 2023, Fernando Bezerra tem se dedicado a articulações políticas e ao fortalecimento do grupo familiar.
Para 2026, a estratégia envolve dois nomes: Fernando Coelho Filho buscando a reeleição à Câmara e Miguel Coelho disputando uma vaga no Senado.
Miguel, presidente estadual do União Brasil, ainda não indicou em qual palanque estará (se é que estará): o da governadora Raquel Lyra (PSD) ou o do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que devem polarizar a disputa estadual.
No entanto, pelas críticas que tem feito à gestão estadual e pelas conversas em andamento com o grupo de Campos, a avaliação política é de que seja mais provável uma composição com o PSB.

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