sexta-feira, 27 de março de 2026

Miguel Coelho entra oficialmente no governo Raquel Lyra

 

Foto: Ricardo Dantas Barreto

Por Edmar Lyra

A governadora Raquel Lyra deu um passo político calculado nesta quinta-feira (26) ao formalizar a entrada do União Brasil em sua base de governo. A nomeação de três auxiliares ligados ao grupo do ex-prefeito Miguel Coelho não apenas amplia a sustentação administrativa, como também sinaliza uma estratégia clara de recomposição e fortalecimento para os próximos embates eleitorais. O movimento ocorre no mesmo dia da homologação da federação entre União Brasil e Partido Progressistas, criando uma sobreposição simbólica e prática: ao mesmo tempo em que une forças no plano nacional, redesenha espaços de poder dentro do governo estadual.

As escolhas para os cargos não foram triviais. Danielle Jar Souto assume a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, enquanto Wagner Augusto de Godoy e Thiago Ângelus Conceição Brandão passam a comandar, respectivamente, o Porto do Recife e o Lafepe — posições estratégicas e com forte impacto político e administrativo. O detalhe mais relevante está na substituição de quadros anteriormente ligados ao Progressistas, o que indica uma reorganização interna delicada. Não se trata apenas de abrir espaço para o novo aliado, mas de recalibrar forças dentro de uma federação que, embora formalmente unificada, ainda carrega disputas e lideranças autônomas em Pernambuco.

No discurso, Raquel Lyra adotou o tom esperado de conciliação e pragmatismo. Ao destacar Miguel Coelho como uma das maiores lideranças políticas do estado e afirmar que o grupo “chega para somar”, a governadora reforça a narrativa de construção coletiva e foco na gestão. Mais do que palavras protocolares, a fala revela uma tentativa de virar a página de divergências passadas e consolidar uma base mais robusta, mirando estabilidade administrativa e capacidade de entrega. Ao enfatizar crescimento em áreas como educação, saúde e infraestrutura, Raquel busca ancorar a aliança não apenas na política, mas em resultados concretos, elemento central para sustentar sua governabilidade.

Por sua vez, Miguel Coelho foi além da formalidade e tratou de garantir publicamente a lealdade do União Brasil, ao mesmo tempo em que sinalizou maturidade política ao abordar as tensões dentro da federação. Ao mencionar a necessidade de “acalmar o cenário” e apostar no diálogo, especialmente em relação ao deputado Eduardo da Fonte, o dirigente reconhece que a construção dessa nova maioria passa por ajustes finos e concessões. No fim, o movimento desta quinta não encerra disputas — apenas inaugura uma nova fase em que alianças serão constantemente testadas. A governadora amplia sua base, mas também assume o desafio de equilibrar interesses em um tabuleiro político mais complexo e competitivo.

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