O estopim_- Não foi presente. Não foi gesto espontâneo. Não foi generosidade de gabinete. O reajuste do piso do magistério em Pernambuco em 2026 só saiu depois de pressão, campanha salarial, paralisação, ato público e cobrança política do Sintepe e da categoria.
A pauta foi protocolada em fevereiro. Um mês depois, o sindicato denunciava que o governo ainda não havia apresentado proposta concreta. Foi preciso a rede estadual parar, ocupar as ruas e expor o atraso para o Palácio do Campo das Princesas fazer o que já era obrigação.
Agora, depois do acordo, aliados da governadora correm para vender a história como se Raquel Lyra tivesse decidido valorizar a educação por iniciativa própria. Não cola. Piso é lei. Carreira é direito. E salário de professor não sai da bondade de governo. Sai de dinheiro público vinculado à educação, com peso do Fundeb e obrigação legal de execução.
A conquista real foi outra: garantir os 5,4% do piso com repercussão em toda a carreira, alcançando professores, analistas, administrativos, ativos, aposentados, efetivos, temporários e apoio escolar. Isso tem nome: luta coletiva.
O problema é que o governo quer posar para a foto da vitória enquanto a rede ainda convive com escolas quentes, estrutura precária, merenda criticada e negociações que só andam quando a pressão cresce. Cumprir a lei depois de resistência não é liderança. É atraso com marketing.
Em ano eleitoral, transformar dever em propaganda é uma aposta na memória curta. Mas a educação pernambucana sabe quem lutou e quem demorou. A vitória de 2026 não nasceu no vídeo oficial. Nasceu da mobilização do Sintepe e da categoria.
Não é detalhe semântico. Quando o governo apaga a mobilização e toma para si o mérito, tenta ensinar à sociedade que direito é favor. E é exatamente essa pedagogia da submissão que precisa ser rejeitada por quem defende escola pública, carreira e respeito. Sem aplauso obrigatório. E ponto.

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