terça-feira, 24 de março de 2026

Ratinho Jr. desiste de disputar Planalto para cuidar da sucessão no Paraná

 

Foto: Divulgação

Ror Edmar Lyra

A desistência de Ratinho Junior (PSD) da corrida presidencial, anunciada nesta segunda-feira (23), demonstra a complexidade do xadrez político brasileiro, onde decisões estratégicas frequentemente priorizam a manutenção de poder regional sobre ambições nacionais. Governador do Paraná e líder nas intenções de voto dentro do seu partido, Ratinho recuou diante da pressão de adversários, principalmente do grupo de Flávio Bolsonaro (PL), que indicou o senador Sergio Moro (União-PR) como pré-candidato ao governo paranaense. A leitura política foi clara: insistir na disputa presidencial colocaria em risco a sucessão estadual e poderia abrir espaço para que nomes fora do seu grupo assumissem o controle do estado, incluindo o próprio Moro ou Rafael Greca, que recentemente migrou para o MDB.

A decisão revela a lógica pragmática de Ratinho Junior. Sem a possibilidade de reeleição no Paraná, o governador precisaria garantir que seu grupo político permanecesse no poder, mantendo o controle da máquina estadual. A eleição presidencial, com cenário nacional incerto e polarizado, representava um risco elevado: qualquer investimento na disputa de 2026 poderia se transformar em perda do feudo paranaense. Ao optar por recuar, Ratinho demonstrou que, em política, preservar o território conhecido muitas vezes supera a tentação do protagonismo nacional. Em termos práticos, essa escolha fortalece a coesão do PSD no Paraná e mantém o controle de um estado estratégico para futuras negociações políticas.

No plano nacional, a saída de Ratinho Junior tem implicações significativas. Ele era um dos poucos nomes da centro-direita capazes de oferecer uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro, com potencial de furar a bolha do ex-presidente. Sua desistência deixa um vazio para eleitores que buscavam uma opção moderada, mais conectada à gestão estadual e menos alinhada aos extremos. Além disso, fortalece o PL e o campo bolsonarista no Paraná, consolidando um cenário em que a sucessão estadual se torna mais previsível para aliados de Flávio Bolsonaro, enquanto os opositores do bolsonarismo perdem uma ponte de competitividade na região.

A leitura final é que a política brasileira continua a ser um jogo de cálculos, onde as ambições pessoais e nacionais precisam ser equilibradas com a manutenção de estruturas de poder locais. Ratinho Junior optou por consolidar sua base no Paraná em vez de arriscar uma candidatura presidencial incerta, mostrando que a sobrevivência política nem sempre se traduz em visibilidade nacional. Para os eleitores da centro-direita que esperavam um contraponto à polarização, a desistência é frustrante, mas para o PSD paranaense, é uma jogada que reforça controle e previsibilidade. A lição é clara: no tabuleiro político do Brasil, manter o quintal às vezes é mais estratégico do que mirar o Planalto.

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