quarta-feira, 25 de março de 2026

O acordo tácito entre Humberto Costa e Raquel Lyra para derrotar João Campos



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A movimentação do senador Humberto Costa revela uma estratégia clara de sobrevivência e ampliação de espaço dentro de um cenário político cada vez mais pressionado por acordos nacionais. A tendência é que Humberto não tenha margem para fugir de uma composição majoritária ao Senado ao lado de João Campos, já que esse alinhamento ultrapassa Pernambuco: João, hoje na presidência nacional do PSB, participa das definições ao lado da cúpula do PT, o que reduz qualquer margem para construções isoladas.

Ainda assim, o senador tenta operar em dois campos. A aproximação com prefeitos aliados de Raquel Lyra, movimento que passa por nomes como Rodrigo Pinheiro, em Caruaru, e Padre Joselito, em Gravatá, aponta para uma tentativa de ampliar sua influência para além de um único palanque. Trata-se de uma construção calculada: manter diálogo com a base governista estadual, sem romper com o PSB.

A presença de Marília Arraes em uma chapa ao lado de João impacta diretamente o desenho eleitoral. Ela tende a concentrar votos da esquerda, enquanto, em uma eleição de duas vagas ao Senado, o segundo voto pode migrar com mais força para candidaturas de centro em um ambiente polarizado, Humberto corre o risco de ficar comprimido entre os polos.

Para seguir competitivo após 16 anos no senado, ele precisa manter parte do voto da esquerda, ao mesmo tempo em que tenta ampliar seu alcance para além do seu campo histórico.

O movimento aponta para uma convergência silenciosa com a governadora. Ao liberar uma base de prefeitos para Humberto, Raquel Lyra viabiliza um segundo palanque lulista, fragmenta o voto da esquerda e evita sua concentração em torno de João Campos. Nesse arranjo, Humberto ao mesmo tempo em que garante sua competitividade, contribui para o equilíbrio do jogo, seja estimulando esse segundo palanque, seja reduzindo a intensidade do apoio a João.

Com esse acordo tácito, Raquel tende a ficar com os votos de centro-direita e com uma parcela da esquerda organizada que segue o senador, além de setores do PT que já orbitam sua base. Em contrapartida, Humberto passa a absorver parte dos votos ligados à Raquel, inclusive aqueles mobilizados pelas máquinas públicas municipais.

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