segunda-feira, 23 de março de 2026

Pernambuco não é de esquerda o voto e de Lula e o PT perde três em cada quatro disputas pelo senado


Do Blog do Luiz Neto - A leitura sobre Pernambuco como reduto consolidado da esquerda não se sustenta quando confrontada com os números das eleições para o Senado. O histórico revela um comportamento essencialmente personalista do eleitorado.

Desde 1994, o estado realizou oito eleições para o Senado, alternando entre uma e duas vagas, somando 12 cadeiras disputadas. Desse total, o PT venceu apenas três vezes com Humberto Costa em 2010 e 2018 e Teresa Leitão em 2022.

No sentido oposto, partidos de centro-direita conquistaram 9 das 12 vagas em disputa, 75%, com nomes como Carlos Wilson (PSDB), Roberto Freire (PPS), Sérgio Guerra (PSDB), Marco Maciel (PFL/DEM) e Jarbas Vasconcelos (PMDB/MDB), além de Fernando Bezerra Coelho (PSB, à época derrotou o deputado João Paulo no auge de sua popularidade).

O dado ganha ainda mais relevância quando se considera que, nesse mesmo período, Lula foi protagonista em praticamente todas as eleições. Ainda assim, seu partido não conseguiu converter essa força em domínio eleitoral em Pernambuco, o último grande espaço da sigla foi com o próprio João Paulo a frente da prefeitura do Recife em 2001. Hoje de 184 cidades, o PT controla 5 cidades, Serra Talhada, Águas Belas, Iati, Angelim e Granito 2,7%.

Os números mostram um padrão claro. Quando há apenas uma vaga, o voto se concentra e tende a produzir vitórias mais amplas. Quando são duas, o eleitor fragmenta sua escolha, reduz os percentuais e amplia o espaço para diferentes forças políticas. Em ambos os cenários, o fator decisivo não é a ideologia pura, é a liderança.

Essa trajetória desmonta a tese de voto casado e automático nos "candidatos" de Lula. Não há evidência de que o eleitor simplesmente replique de forma mecânica o palanque nacional.

Na prática, o presidente Lula terá o voto dele, Marília terá o voto dela, Humberto Costa terá o voto dele. E cada candidatura ao Senado precisará construir o seu próprio caminho junto ao eleitor.

O voto em Pernambuco não é destino é disputa não é ideológico é personalista e mesmo sob forte influência de Lula o eleitor pernambucano mantém a autonomia de escolher caso a caso quem deve representá-lo. 

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