
João Campos deve mobilizar legado e expectativa de futuro, enquanto Raquel Lyra deve ativar memória recente e resultados para evitar retorno do PSB.
Por Igor Maciel do JC
A eleição de 2026 em Pernambuco será decidida, no limite, pela emoção que cada campanha conseguir produzir no eleitor. O voto começa no coração e vai para o cérebro. De lá vai à urna. Esse elemento, a emoção, não é acessório, é o que garante a preferência da maioria na reta final.
A disputa deste ano deve se organizar em torno de duas formas distintas de construir essa emoção. João Campos (PSB) tende a vender esperança, projetando Pernambuco para o futuro a partir de uma narrativa de continuidade e ambição. O “você pode mais” dos coachs por aí (que sabem construir emoção, goste-se deles ou não), deve ser transformado em “Pernambuco pode mais”. Não é um argumento ruim, pelo contrário, funciona muito bem e penetra em qualquer rachadura da gestão Raquel que houver nesse período. Qualquer crise vira porta de entrada para as pessoas pensarem que “a vida poderia estar melhor”. É onde entrará o argumento eleitoral do PSB.
Já a governadora Raquel Lyra (PSD) venderá resultados, apontando para o futuro com base no que já entregou e ativando o “risco de retorno do PSB” ao governo. João tenderá a utilizar o histórico do pai como governador e, em certa medida, a tragédia que interrompeu sua caminhada, mas pode fingir que o governo Paulo Câmara, na época do PSB, nunca existiu. A campanha de Raquel deverá lembrar isso sempre, enquanto demonstra o quanto avançou e ainda pode avançar. É um argumento muito forte também, porque a gestão do PSB alcançou rejeição imensa entre 2015 e 2022. A preocupação de não trocar o certo pelo duvidoso rende muitos votos para quem tenta a reeleição.
Em um cenário de equilíbrio nas pesquisas que é o que já se apresenta, vence quem transformar sua estratégia em sentimento dominante no eleitor.
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