quarta-feira, 26 de abril de 2017

Entre ausência, nota, vídeo e gestos


Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista
O movimento do governador Paulo Câmara de assinar nota, discordando do fechamento de questão do PSB em relação à Reforma da Previdência, causou surpresa a socialistas por um detalhe: nomes ligados ao chefe do executivo estadual, a exemplo de Milton Coelho e Dora Pires, votaram a favor de fechar questão. Os próprios socialistas se revelavam confusos nas coxias ontem. Se o texto assinado por Paulo concentra-se na Previdência, um vídeo, que leva a assinatura do Planalto, passou a ser divulgado, ontem, e apresenta o governador defendendo também a Reforma Trabalhista. "O Brasil, hoje, é um País com pouca produtividade e, ao mesmo tempo, com alta carga, custo do trabalhador. Isso precisa ser revisto. O Brasil precisa ser um País produtivo e ter um custo cada vez menor para o trabalhador, que ele possa ganhar bem, mas que não onere tanto a carga de quem emprega. Então, isso precisa ser discutido e acho que o momento é esse", argumenta Câmara no VT. Até então, o PSB caminhava a passos largos para uma aliança com o PSDB em 2018. Os tucanos, por sua vez, estão no governo Temer e, eventual rompimento do PSB com o Planalto, deixaria socialistas e tucanos em lados opostos. A posição da executiva do PSB deixou no ar a hipótese de aceno ao PT. 

Eduardo Campos, quando rompeu com Dilma Rousseff, o fez em setembro de 2013, a um ano da eleição. Se a executiva nacional do PSB nutre, hoje, intenção semelhante, estaria agindo com antecedência maior. Mas, a despeito da executiva nacional, o governador de Pernambuco segue, fazendo acenos ao presidente da República. Sua ausência na reunião da executiva nacional, na segunda, no entanto, acabou confundindo também o Planalto, segundo interlocutores de Temer.

Aviso prévio
Foi ainda na reunião com os ministros, na segunda, que Michel Temer avisou que não viria mais a Pernambuco, assinar decreto devolvendo a autonomia de Suape. O encontro acabou entre 18h e 19h, antes que o PSB encerrasse a reunião da executiva.

Sem recados > Ontem, Michel Temer telefonou para Raul Henry, informando que adiaria a visita a Pernambuco.

Alfinete > Lucas Ramos aproveitou o fechamento de questão para provocar Fernando Bezerra: "Esperamos que os parlamentares cumpram e demonstrem obediência partidária".

Previsão 1 > Conselheiro jurídico do Instituto Via Iuris de Direito do Trabalho, Adauto Duarte, que está em Brasília para acompanhar votação da Reforma Trabalhista, aposta que a representação dos trabalhadores em empresas com mais de 200 empregados, sem a participação do sindicato, e o fim da contribuição sindical devem ser os alvos de modificações.

Previsão 2 > Adauto realça que estimular concorrência entre uma comissão de trabalhadores e o sindicato é gerar um conflito político. E que o enfraquecimento do sindicato "não pode ser uma vantagem para o empresário". "Não é que não se deva discutir o fim da contribuição, mas isso não está relacionado à geração de emprego. Por que não negociar daqui a meses?", sugere.

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