quinta-feira, 19 de março de 2026

Canibais de Garanhuns: Jorge Beltrão está cego e defesa pede prisão domiciliar

Justiça aguarda novo parecer do MPPE para decidir se acata pedido dos advogados do condenado pelas mortes de três vítimas em Pernambuco

Por Raphael Guerra

Jorge Beltrão, Isabel Cristina e Bruna Oliveira Silva foram condenados por assassinatos de mulheres em Olinda e Garanhuns - HÉLIA SCHEPPA/ACERVO JC IMAGEM

A defesa de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos, condenado pelas mortes de três mulheres e conhecido mundialmente como um dos "Canibais de Garanhuns", entrou com pedido na Justiça de Pernambuco para que ele cumpra o restante da pena em prisão domiciliar. Os advogados alegam que, além de estar cego, o detento possui outros problemas de saúde.

Atualmente, Jorge cumpre pena no Presídio Policial Penal Leonardo Lago (PLL), no Complexo do Curado, Zona Oeste do Recife. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) afirmou, nesta quarta-feira (18), que um laudo médico juntado aos autos apontou que o detento se encontra estável e recebe acompanhamento clínico, psiquiátrico e psicológico na unidade.

Apesar disso, em parecer, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) declarou que é necessário esclarecer se o presídio "possui condições materiais, estruturais e de pessoal para garantir atendimento integral e digno ao custodiado".

O juiz da Vara de Execução Penal da Capital, Evandro de Melo Cabral, aguarda novo parecer do MPPE, com base nas informações fornecidas pelo sistema prisional, para decidir se acata o pedido da defesa e determina a prisão domiciliar de Jorge Beltrão.

A coluna Segurança procurou a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), mas a assessoria não se pronunciou sobre o caso.

RELEMBRE O CASO DOS CANIBAIS DE GARANHUNS

Em abril de 2012, Jorge, Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva ficaram conhecidos como os "Canibais de Garanhuns".

Eles foram presos no município de Garanhuns, Agreste de Pernambuco, após confessarem os assassinatos de mulheres que estavam desaparecidas na região.

Os restos mortais estavam enterrados na casa onde o trio morava com uma criança de 5 anos - filha de uma das vítimas.

Na delegacia, Isabel deu o depoimento mais surpreendente. Confessou que, além do canibalismo, o trio fazia empadas com os restos mortais das vítimas. Os salgados eram vendidos pelas ruas de Garanhuns, segundo ela. Forminhas foram encontradas na residência.

Desenhos macabros e um livro com textos confusos e perturbadores feitos por Jorge, também foram achados e investigados pela polícia.

Eles chegaram a falar em até oito mulheres vítimas do "Cartel", uma suposta seita criada para diminuir a população do planeta - sob o argumento que aquelas mulheres atraídas pelo trio com a promessa de emprego deveriam ser mortas porque eram mães solteiras e não tinham condições de criar os seus filhos.

Depois que as vítimas eram assassinadas e esquartejadas, partes dos corpos serviam de alimento para trio.

As vítimas dos Canibais de Garanhuns

Jéssica Camila da Silva Pereira tinha 17 anos quando foi vista pelos canibais, em 2008. Ela estava com a filha nos braços andando pelas ruas do bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Recebeu uma proposta de emprego como doméstica e aceitou. Na época, Jorge, Bruna e Isabel viviam numa casa no bairro de Rio Doce, em Olinda, também no Grande Recife. Meses depois, Jéssica foi morta.

Somente com a prisão dos canibais, em 2012, a polícia investigou o desaparecimento da adolescente e descobriu que restos mortais estavam escondidos em paredes da casa. Exames de DNA comprovaram a identidade da vítima. Em depoimento à polícia, o trio contou que comeu a carne humana da adolescente e ainda deu para a criança - na época com idade entre 2 e 3 anos.

As outras vítimas foram Alexandra Falcão da Silva e Giselly Helena, cujos corpos foram encontrados enterrados na residência do trio em Garanhuns. As duas também haviam sido atraídas com propostas de empregos de babás, já que Isabel e Jorge se apresentavam como verdadeiros pais da criança.

Depois de meses de investigações, a polícia só conseguiu confirmar três assassinatos praticados pelo trio.

Vítimas dos canibais de Garanhuns - web - ARTES JC

CONDENAÇÕES

Os Canibais de Garanhuns foram condenados por todos os crimes. O trio segue cumprindo as penas em regime fechado. Isabel e Bruna estão na Colônia Penal Feminina de Buíque.

No júri popular relacionado à morte de Jéssica, em 2014, Jorge foi condenado a 21 anos e seis meses de prisão e um ano e seis meses de detenção. Isabel e Bruna receberam as mesmas penas: 19 anos de prisão e um ano de detenção.

O MPPE recorreu em segunda instância e, em 2019, houve aumento das penas. Jorge recebeu 27 anos de prisão e um ano e meio de detenção. Isabel e Bruna passaram para 24 anos de prisão e um de detenção.

Mas, em dezembro de 2021, o recurso da defesa foi aceito pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reduziu novamente as penas dos Canibais de Garanhuns, graças à exclusão de algumas qualificadoras. Jorge passou para 18 anos e quatro meses de prisão e um ano de detenção. As duas mulheres ficaram com 17 anos e 8 meses de reclusão e um ano de detenção.

Em relação às mortes das vítimas em Garanhuns, Jorge recebeu a pena de 71 anos de prisão. Isabel pegou 68 anos. E Bruna foi condenada a 71 anos e dez meses de prisão. A defesa recorreu da sentença, mas a 2ª Câmara Criminal do TJPE manteve as condenações.

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