blogdoluizneto - A disputa pelo Senado em Pernambuco caminha para um cenário onde a lógica dos números pode se sobrepor à força dos nomes. E, nessa equação, o senador Humberto Costa entra em uma zona de risco.
O desenho é simples — e, ao mesmo tempo, implacável.
De um lado, Anderson Ferreira concentra 30% do eleitorado, reunindo o voto mais fiel da direita, especialmente o bolsonarista. Em uma eleição com duas vagas, esse patamar, quando consolidado, praticamente garante uma cadeira.
Ou seja: com 30%, já garantiria uma vaga ao Senado.
Do outro lado, sobra um universo de aproximadamente 70% dos votos válidos — mas com um detalhe crucial: esse eleitorado não estará unificado.
Pelo contrário.
Esse percentual será dividido entre pelo menos três candidaturas. Humberto Costa e Marília Arraes disputando o mesmo campo, com Marília, inclusive, aparecendo à frente nas pesquisas e carregando um forte apelo popular. E, no meio desse cenário, a possibilidade concreta da entrada de Miguel Coelho, que tende a capturar o segundo voto do eleitor de direita e ainda dialogar com setores mais amplos.
Resultado: muitos candidatos fortes disputando o mesmo espaço.
Anderson opera praticamente sozinho em um campo coeso.
A conta, então, passa a ser menos ideológica e mais matemática: 30% concentrados podem valer mais do que 70% fragmentados.
E há um dado que reforça esse cenário: na última eleição, mais de 1 milhão e 300 mil votos bolsonaristas foram dados a Gilson Machado Neto. Esse eleitorado não desapareceu ao contrário, tende a permanecer mobilizado e fiel.
A esquerda em Pernambuco, pode enfrentar um problema decisivo: a divisão.
A entrada competitiva da direita coloca em xeque a permanência de Humberto Costa no Senado. Anderson Ferreira tende a capitalizar esse voto consolidado, enquanto a segunda vaga deve ficar entre Marília Arraes — hoje mais bem posicionada — e Miguel Coelho, caso confirme candidatura.
Nesse cenário, a reeleição de Humberto deixa de ser provável e passa a ser improvável.
Não é apenas uma disputa difícil.
É uma disputa em que, pela lógica atual, ele corre sério risco de ficar fora.

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