Com Humberto Costa sob pressão e insatisfeito, articulações avançam e possibilidade de vice petista na chapa de Raquel Lyra acende alerta no grupo de João Campos.
Blog Zé do Povo
Foto/ZEDOPOVO.com.brA política de Pernambuco vive dias de intensa movimentação e articulações de bastidores que podem mudar completamente o rumo das eleições estaduais. O Partido dos Trabalhadores (PT), que até então caminhava alinhado ao projeto do prefeito do Recife, começa a recalcular a rota diante de um cenário de insatisfação interna e perda de espaço.
O nome do senador Humberto Costa surge como peça-chave nesse tabuleiro. Com seu mandato sendo tratado como ameaçado dentro das articulações, o parlamentar não teria recebido bem as recentes decisões políticas de João Campos e, segundo pessoas próximas, estaria incomodado com o rumo das negociações. O presidente estadual do partido, Carlos Veras, afirmou que a definição da estratégia eleitoral só acontecerá no próximo dia 28, evitando antecipar posições. Nos bastidores, porém, o clima é de intensas conversas e articulações a todo vapor.
Uma das possibilidades mais comentadas é a formação de uma chapa ao Senado dentro da base da governadora Raquel Lyra, envolvendo Humberto Costa e Eduardo da Fonte. No entanto, essa composição enfrenta dificuldades, principalmente por conta da posição já adotada por Raquel com relação a Miguel Coelho.
Outro ponto que movimenta o cenário é a possibilidade, considerada estratégica, de o PT indicar o nome para vice na chapa de Raquel. Caso isso se concretize, o impacto político seria imediato: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia ser retirado do palanque de João Campos no estado, alterando o equilíbrio de forças em Pernambuco. Com isso, a vice-governadora Priscila Krause voltaria a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco, com o acordo firmado de assumir a presidência da Casa na próxima legislatura.
Internamente, a ala mais conservadora do PT vê com preocupação o movimento de isolamento do partido por parte de João Campos. Há uma avaliação crescente de que o prefeito do Recife vem, gradativamente, reduzindo o protagonismo do PT no estado, algo que já havia gerado desgaste desde a eleição municipal, quando o partido pleiteava a vaga de vice e acabou preterido.
João Campos (PSB) tem defendido que a construção de sua candidatura ao Governo de Pernambuco esteja alinhada a um projeto nacional. Essa postura é vista pela ala mais conservadora do Partido dos Trabalhadores como mais uma tentativa do prefeito do Recife de reduzir a importância do PT no cenário estadual.
Nos bastidores, a informação que circula (ainda não confirmada oficialmente) é de que Raquel Lyra deve se reunir, nas próximas horas, com nomes de peso como Humberto Costa, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho para uma conversa decisiva.
A chamada “prosa de gente grande” pode definir os rumos de uma eleição que promete ser uma das mais disputadas da história recente do estado. O fato é que, até o início de abril, o cenário segue aberto e a política pernambucana continua em ebulição.
O Partido dos Trabalhadores sabe, João Campos sabe, todos sabem: a governadora Raquel Lyra é aprovada por 61% dos pernambucanos. E, historicamente, não há registros em Pernambuco de um governante com esse nível de aprovação que tenha perdido uma eleição. Diante disso, Raquel desponta como favorita e, consequentemente, quem estiver ao seu lado também entra na disputa com forte vantagem política.
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