A passagem pelo Hotel Luzeiros , onde ocorreu o lançamento da pré-candidatura de João Campos, deixou uma impressão distante do que se espera de um projeto com pretensão de vitória: faltou envergadura política e sobrou aparência.
Apesar de visualmente cheio, o evento foi realizado em um auditório pequeno, numa área central de trânsito que já é congestionado, combinação que contribuiu para a sensação de público. O que se viu foi uma mobilização concentrada em atores que já rodeiam o prefeito, sem a presença de lideranças nacionais para dar simbolismo ao ato.
A ausência de figuras como Edinho Silva e Carlos Lupi, nomes que, em um cenário de consolidação, reforçariam alianças e sinalizariam robustez política. Nem mesmo Dudu da Fonte, frequentemente citado como possível aliado, compareceu — um vazio que não passou despercebido.
No PT, que historicamente tensiona, a palavra ficou com a senadora Teresa Leitão, representante de uma ala específica da legenda. A ausência de uma posição mais coesa ficou ainda mais evidente diante da declaração do senador Humberto, que já havia indicado que o tema será tratado em reunião no próximo dia 28, reforçando que estão digerindo Marília.
E se a expectativa era de uma chapa lulista,o encontro ficou ainda mais solitário. O ícone não apareceu, Lula, e sua ausência, nesse contexto, falou mais alto do que qualquer discurso.
Outro ponto que ajuda a explicar o que se viu foi o próprio histórico recente do evento. Adiado e remarcado mais de uma vez, o acabou refletindo, na prática, o que viria a ser apresentado: um movimento que expõe a ansiedade e a pressa típicas da juventude do prefeito João. O que antecedeu o ato, de certa forma, antecipou o seu conteúdo.
Sem anúncios de impacto, sem novas adesões e sem demonstrações claras de força nacional, o evento acabou transmitindo mais cálculo de imagem do que densidade política real. Para quem pretende liderar uma disputa majoritária, o recado que fica é claro: se a decisão vier de cima para baixo e a base não comprar a ideia, o custo político pode ser alto — inclusive para o próprio João Campos. Com isso, Lula sinaliza que, em Pernambuco, poderá ter dois palanques.
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