quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PSB fica na bronca com Miguel Coelho

 

Foto: Divulgação

Por Edmar Lyra

A relação entre as famílias Coelho e Campos sempre foi marcada por aproximações estratégicas e rupturas calculadas. O ciclo político inaugurado com a vitória de Eduardo Campos em 2006 teve em Fernando Bezerra Coelho um de seus principais arquitetos. Prefeito de Petrolina à época, Fernando foi peça-chave na construção do projeto socialista e, já em 2007, ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, além de indicar Geraldo Júlio para o Planejamento e Gestão, dando início a uma engrenagem que moldaria o PSB por mais de uma década.

Em 2011, Eduardo levou Fernando para o Ministério da Integração Nacional e reposicionou Geraldo Júlio no comando do Desenvolvimento Econômico. Na eleição de 2012, Fernando chegou a ensaiar candidatura à Prefeitura do Recife, transferindo inclusive o título eleitoral, mas acabou preterido pela escolha de Geraldo, que venceu no primeiro turno. Dois anos depois, na sucessão estadual, Eduardo voltou a surpreender ao optar por Paulo Câmara, deixando de fora tanto João Lyra Neto quanto Fernando Bezerra Coelho. A decisão abriu fissuras duradouras e marcou um período de relações instáveis entre o PSB e o grupo de Petrolina — ainda que Miguel Coelho tenha iniciado sua trajetória eleitoral pelo partido, elegendo-se deputado estadual em 2014 e prefeito em 2016.

O rompimento mais explícito veio em 2022. Ao tentar viabilizar um projeto estadual, Miguel disparou críticas duras ao governo Paulo Câmara e, na transição para o segundo turno, declarou apoio a Raquel Lyra sem qualquer negociação política prévia. Fora do novo governo, reaproximou-se do PSB sob a liderança de João Campos, indicando Antônio Coelho para a Secretaria de Turismo do Recife e, posteriormente, emplacando outros aliados em áreas estratégicas da gestão municipal. Em 2025, caminhou ao lado do prefeito durante quase todo o ano, alimentando a expectativa de que integraria a chapa majoritária como candidato ao Senado.

O clima azedou de vez quando Miguel passou a cobrar publicamente a vaga ao Senado, afirmando que estaria com quem lhe garantisse o espaço. No PSB, o gesto foi interpretado como um ultimato. Aliados de João Campos lembram que a reeleição de Simão Durando, em 2024, contou com a retirada do deputado federal Lucas Ramos, do PSB, da disputa pela Prefeitura de Petrolina — movimento que, na avaliação interna, reduziu drasticamente o risco de segundo turno. Agora, diante da possibilidade de nova aproximação com o palanque de Raquel Lyra, o partido diz ter sido surpreendido por mais uma metamorfose do clã de Petrolina, num enredo político recorrente que volta a gerar incômodo e desconfiança.

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