domingo, 22 de março de 2026

PE terá 7 projetos de geração e 2 térmicas em Tacaimbó

O 2º LRCAP aprovou a implantação de sete empreendimentos em Pernambuco, sendo seis usinas térmicas e uma expansão da hidrelétrica de Luiz Gonzaga, no São Francisco

Ângela Fernanda Belfort

Pernambuco vai aumentar o consumo de gás com as seis térmicas que vão se implantar no Estado e venceram o LRCAP. Foto: TAG/ Divulgação

Pernambuco vai receber investimentos da ordem de R$ 4,5 bilhões com sete empreendimentos que venceram o 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026. Pela primeira vez, o Agreste de Pernambuco vai receber duas térmicas, a gás natural, na cidade de Tacaimbó, a 168 km do Recife. As demais térmicas estarão no Grande Recife. Os gasodutos da Copergás passam por Tacaimbó.

No entanto, as térmicas vão se instalar em Tacaimbó também por outro motivo. A cidade tem uma subestação da Axia Energia (antiga Chesf) e facilidade para escoar energia numa época em que muitas linhas de transmissão da região já estão “transportando” energia na sua capacidade máxima e há faltas de linhas de transmissão.

As duas térmicas são Tacaimbó I, da multinacional de origem britânica Aggreko, e a Termo Agreste, que é um do grupo pernambucano. A primeira terá uma potência instalada de 97 megawhat (MW) e vai demandar um investimento de R$ 437,7 milhões e a segunda uma potência instalada de 96 MW e serão necessários R$ 495 milhões para implantar o empreendimento.

“O fato dos empreendimentos estarem se instalando no interior corrobora que a estratégia de interiorização do gás foi uma boa iniciativa. Estamos analisando se a implantação destas térmicas vão precisar de algum investimento da Copergás”, comenta o presidente da Copergás, Bruno Costa. O gasoduto já passa em Tacaimbó, mas o volume a ser transportado de gás vai aumentar, quando as duas térmicas entrarem em operação, o que deve ocorrer a partir de 2029.

A Tacaimbó I vai comprar energia do Terminal de Regaseificação (Regás) que vai se instalar no Porto de Suape. “A tendência é este gás ir de caminhão, mas isso ainda não está definido”, diz o presidente da Oncorp, João Mattos. A Oncorp está à frente da implantação do Regás em Suape e também foi uma das vencedora do 2º LRCAP: vai implantar a térmica Frevo, com uma capacidade instalada de 20MW em Suape e um investimento de R$ 103 milhões, segundo informações da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Com previsão de entrada em funcionamento em 2027, o Regás também vai fornecer gás, em média por 15 anos, para 12 projetos de térmicas que venceram o 2º LRCAP que vão se instalar entre o Espírito Santo e o Ceará. Em Pernambuco, todas as térmicas que venceram o leilão são a gás natural e isso vai aumentar o consumo deste tipo de combustível no Estado. Uma parte deste deverá vir das empresas que distribuem o GNL, como o futuro Regás, de Suape, a GNLink, entre outras.

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã

O conflito entre Israel, Estados Unidos e o Irã fez subir o preço do gás no mercado internacional esta semana. “Provavelmente, isso não vai influenciar nestas térmicas que devem fazer uma cesta de fornecimento de gás que não venha do Oriente Médio”, comenta João Mattos, acrescentando que acredita que este reflexo de alto vai ocorrer no curto prazo. Ninguém sabe por quanto tempo vai durar esta guerra que dificultou o transporte do petróleo por causa do fechamento do Estreito de Ormuz.

Além dos empreendimentos já citados, vão se instalar as seguintes térmicas em Pernambuco s (com os respectivos valores do investimento): Monte Fuji (R$ 1,5 bilhão), Termocabo (R$ 167,3 milhões), Suape II (R$ 723,9 milhões). Todas são próximas ao Porto de Suape e começam a vender a energia a partir de 2029.

Com o investimento aprovado no 2º LRCAP, a hidrelétrica de Luiz Gonzaga vai ganhar mais uma usina geradora. Foto: Axia Energia/Divulgação
Hidrelétrica da Axia no leilão

Também venceu o 2º LRCAP uma ampliação da térmica de Luiz Gonzaga (antiga Itaparica), da Axia Energia (antiga Chesf), na qual vai ser empregada R$ 1,094 bilhão. Serão instalados mais 246,6 MW de potência instalada numa nova unidade geradora da hidrelétrica, localizada em Petrolândia, na divisa de Pernambuco com a Bahia.

O fornecimento da potência contratada tem início previsto para 1º de agosto de 2031, conforme as condições estabelecidas no leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em conformidade com as diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME).

Localizada às margens do Rio São Francisco, a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga foi inaugurada em 1988, possui atualmente 1.479,6 MW de capacidade instalada, distribuídos em seis unidades geradoras.

Antiga Eletrobrás e dona da Chesf, a Axia Energia é responsável por 17% da capacidade de geração nacional e 37% do total de linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN). A companhia possui 81 usinas, sendo 47 hídricas, 33 eólicas e uma solar.

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