quinta-feira, 5 de março de 2026

JOÃO GOSTA DE GASTAR: JOÃO CAMPOS GFASTOU MAIS QUE O DOBRO COM COMISSIONADOS EM 2025

Recife turbina cargos e gasta R$ 56,4 milhões com assessores ligados ao prefeito em 2025; equipe da governadora custou menos da metade

Comissionados e terceirizados vinculados ao comando político da PCR já custaram R$ 56,4 milhões em 2025; Governo de PE gastou R$ 26,4 milhões


As despesas do comando político da Prefeitura do Recife com pagamentos de assessores comissionados e terceirizados, que na prática compõem a tropa de choque do prefeito João Campos (PSB), alcançaram R$ 56,4 milhões de janeiro a novembro de 2025, conforme dados levantados pela plataforma Confere a Conta do Blog Manoel Medeiros.

O valor é mais que o dobro do utilizado pelo governo estadual para o financiamento da assessoria do entorno da governadora Raquel Lyra (PSD), que somou R$ 26,8 milhões no mesmo período.

A expectativa é que, com os pagamentos do 13º salário e da folha de dezembro, os valores da Prefeitura totalizem R$ 69 milhões e o do governo estadual R$ 33 milhões.

De acordo com o levantamento, a estimativa aproximada é que a estrutura política de João Campos conte com 1.120 pessoas recebendo salários, diretamente através da Prefeitura ou de empresas terceirizadas contratadas pela gestão, em detrimento de cerca de 660 vinculadas à governadora Raquel Lyra, também somando comissionados e terceirizados.

Do ponto de vista de gasto per capita, cada morador do Recife já pagou o equivalente a R$ 37,88 para custear os assessores políticos do prefeito enquanto o valor equivalente para o governo estadual – considerando toda a população pernambucana (IBGE, 2025) – totaliza R$ 2,80 por morador do estado. Proporcionalmente, portanto, o gasto de João Campos é 1.252% maior.

Para o cálculo, foram considerados os dispêndios com os elementos de gasto “vencimentos e vantagens fixas” somados aos de “locação de mão de obra” dos respectivos gabinetes do prefeito e da governadora, somados às pastas de assessoramento especial dos comandantes do Poder Executivo – ambas as gestões possuem essa secretaria, além dos gastos da secretaria de governo das duas administrações.

Na Prefeitura, pasta de Governo e Participação foi subdividida em duas na reforma administrativa realizada em janeiro deste ano, a Secretaria de Articulação Política e Social e a Secretaria de Relações Institucionais. No governo de Pernambuco, a secretaria de governo é a Secretaria da Casa Civil.

Prefeito João Campos gasta mais que o dobro da governadora Raquel Lyra com assessores políticos Foto: Hesíodo Goes/Governo de PE

CONFIRA A CONTA:

Prefeitura do Recife – R$ 56,4 milhões

  • Gabinete do Prefeito: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 5,73 milhões) + Locação de Mão de Obra (R$ 337 mil) – Total R$ 6,1 milhões
  • Assessoria Especial do Prefeito do Recife: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 7,73 milhões) + Locação de Mão de Obra (R$ 128 mil) – Total R$ 7,8 milhões
  • Secretaria de Articulação Política e Social: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 15,24 milhões) + Locação de Mão de Obra (R$ 25,12 milhões) – Total R$ 40,4 milhões
  • Secretaria de Relações Institucionais: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 2,12 milhões)  – Total R$ 2,1 milhões

Governo de Pernambuco – R$ 26,8 milhões

  • Gabinete da Governadora: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 3,35 milhões) + Locação de Mão de Obra (R$ 3,85 milhões) – Total R$ 7,2 milhões
  • Assessoria Especial à Governadora e Relações Internacionais: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 2,19 milhões)  – Total R$ 2,2 milhões
  • Secretaria da Casa Civil: Vencimentos e vantagens fixas (R$ 17 milhões) + Locação de Mão de Obra (R$ 392 mil) – Total R$ 17,4 milhões

JOGO POLÍTICO – A ofensiva de João Campos para alargar o número de cargos políticos indicados pela sua gestão conta com a participação especial da Secretaria de Articulação Política e Social, comandada por um amigo de infância, o administrador de empresas Gustavo Monteiro.

Além dos robustos gastos com comissionados, a Secretaria conta com um contrato de R$ 33 milhões com a empresa RPL Engenharia que oferta 528 terceirizados. A maior parte deles é indicação política. Eles são registrados como analistas administrativos (110), ao custo unitário mensal de R$ 6,9 mil, coordenadores administrativos (262), ao custo de R$ 5,7 mil por mês, e auxiliares de escritório (146), cujo custo unitário mensal é de R$ 3,7 mil.

Em relação à assessoria especial, enquanto no governo estadual a função é mais técnica, com publicação de papers e preparação de relatórios para a governadora, na Prefeitura do Recife são mais de 80 cargos com forte influência política. A assessoria especial da Prefeitura custa mais que o triplo da assessoria especial da governadora.

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