sábado, 6 de agosto de 2022

Tava mais para funeral

POR MAGNO MARTINS


Dezesseis anos de poder, sob o controle absoluto de duas máquinas, a estadual e a municipal do Recife, nunca o PSB promoveu uma convenção tão apática em Pernambuco. Cenário da festa, o clube Português lotou, mas com gente com cara de militância paga. Um desânimo estampado também na cara dos candidatos, principalmente de quem não teve direito a fala, gente que ficou resmungando em cima e embaixo do palanque.

É fácil lotar uma convenção. Só depende do poder de mobilização. E o PSB é especialista na matéria, até porque conta com um exército de prefeitos. Basta o governador estalar o dedo para quatro prefeitos na Região Metropolitana. E pronto, o salão fica cheio. Ou o prefeito do Recife estender a sua mão poderosa aos vereadores, ofertando transporte.

Difícil, entretanto, é encher com gente aguerrida, militantes em favor da causa, não dependentes de um pão com mortadela. A plateia em nenhum momento se animou, nem mesmo quando o deputado Renildo Calheiros, líder em reprovação como prefeito de Olinda, bateu sem piedade em Bolsonaro e no Governo Federal.

O PSB também foi infeliz na escolha da data para homologar a chapa. Um dia útil. Isso atraiu a ira dos que ficaram presos nos imensos engarrafamentos nas imediações do evento, notadamente na Avenida Agamenon Magalhães. Houve xingamentos a Danilo no trânsito e pelas redes sociais.

Não dá para comparar a convenção socialista com nenhuma das do último final de semana do bloco de oposição, no quesito animação e fé na vitória. Marília, Miguel e Anderson promoveram seus bailes super animados, com euforia contagiante.

Outra inconteste observação da convenção do PSB: não apareceu uma única alma viva para defender o Governo Paulo Câmara, que estava com semblante constrangido, sem graça. É explicável a “falha”: Câmara é o governador mais reprovado dos últimos anos no Estado. Segundo as pesquisas, o governador tem mais de 70% de rejeição. Com tamanha impopularidade, não consegue eleger nenhum sucessor, sequer um santo sem pecado.

Danilo chegou a dizer que Paulo cumpriu a sua missão e que, apesar das adversidades, o Estado está de pé. Mas seu discurso foi fraco e não empolgou, um repeteco da ladainha sem fim num samba de uma nota, de exaltação a Eduardo, como se ainda fosse vivo, e a Lula, a quem aposta como salvador da sua lavoura morta.

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