Por João Paulo Saconi
Na virada do mês, a 1ª Câmara do Tribunal de Contas de Pernambuco manteve, por unanimidade, a suspensão de contratos de publicidade firmados pela gestão da governadora Raquel Lyra. Em dez anos, os acordos — agora interrompidos — representariam o pagamento de R$ 1,2 bilhão a quatro agências responsáveis pela divulgação institucional do Governo do Estado.
No entanto, o que era para ser uma decisão técnica passou a gerar desconforto nos bastidores da administração estadual. Isso porque um dos votos favoráveis à suspensão partiu do vice-presidente do TCE, Carlos Neves, que é primo legítimo de Pedro Queiroz Neves, o advogado responsável pelas denúncias que deram origem ao processo.
O parentesco tem sido debatido no entorno da governadora e pode motivar um pedido de suspeição contra o conselheiro. A situação se complica ainda mais com a revelação de que Pedro Neves foi nomeado, em fevereiro deste ano, como assessor com cargo de confiança no gabinete do deputado estadual Rodrigo Farias (PSB), vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
O caso ganha contornos ainda mais políticos diante do cenário de embate crescente entre os grupos de Raquel Lyra e João Campos (PSB), prefeito do Recife e possível adversário da tucana nas eleições de 2026 ao governo do estado. O TCE, inclusive, já proferiu decisões desfavoráveis aos dois lados: enquanto a gestão Raquel enfrenta a suspensão dos contratos de publicidade, a Prefeitura do Recife está na mira por suspeitas de irregularidades em contratos próprios.

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